Especialistas explicam porque as mulheres não precisam temer os 10 maiores dilemas da maternidade, eleitos por nossas leitoras

Maternidade: supere os maiores medos
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Maternidade: supere os maiores medos
A maternidade é vista como um dos momentos mais bonitos e felizes na vida de uma mulher, mas implica em transformações determinantes em seu estilo de vida. Ser ou não ser mãe? Ter ou não espaço no mercado de trabalho? “Não se pode querer saber como você vai lidar com os problemas da maternidade antes mesmo deles aparecerem”, alerta Sheila Skitnevsky-Finger, psicanalista doutorada pela Massachusetts School of Professional Psychology e sócia-fundadora do Instituto Mãe Pessoa . Mas, de acordo com ela, três pilares permitem superar qualquer desafio: informação, comunicação e cooperação.

Para decifrar quais são as maiores preocupações das mães em potencial, perguntamos a nossas leitoras (pelo Twitter e Facebook ) qual é o maior medo delas em relação à maternidade. Reunimos 10 destes desafios e consultamos um time classe A de especialistas para explicar como você pode vencer cada um deles.

Você tem medo do quê?

... do parto
Não tem segredo: para tudo correr bem durante o parto, basta realizar seu pré-natal conforme orientação do seu médico e manter hábitos saudáveis (veja como fazer o pré-natal perfeito aqui ). Nos últimos dez anos, a mortalidade materna por complicações na gravidez, parto e puerpério caiu 56% em todo o País. Além disso, quanto mais nervosa você fica, pior para o seu bebê. Pesquisadores da Universidade de Manchester, na Inglaterra, indicam que se a gestante apresenta estresse severo até seis meses antes do parto, as chances do bebê nascer prematuro aumentam 16%. E, se você está se aproximando do prazo e quer dar uma ajuda ao seu corpo, dicas como fazer exercícios físicos leves, sexo e até acupuntura podem ajudá-la a ter um trabalho de parto tranquilo .

... do bebê nascer com problemas
O medo do bebê nascer com algum problema físico ou mental acompanha as mães desde o teste positivo. Mas o que seria um bebê perfeito? Para Sheila, todos os bebês diferem em sua forma física, personalidade e ritmos de humor, sono, fome e irritabilidade – nasçam ou não com complicações. Portanto, é importante ter sempre calma e discernimento para entender a situação, e procurar um bom médico para encaminhar o tratamento necessário.

... de voltar ao trabalho – ou de não conseguir retomar a carreira
Dar continuidade à carreira interrompida pela gravidez não significa negligenciar a educação de seu filho. Basta procurar uma adaptação que permita acompanhar o processo de desenvolvimento dele, participar de suas atividades e se fazer presente em sua vida, mesmo que por algumas horas do dia. “Preencher a vida de uma criança com milhares de atividades ou de objetos – brinquedos, aparelhos, “parafernálias” – não serve para nada se os pais não conseguem estar ali pelo menos em parte do dia”, diz Sheila. “Tem de olhar nos olhos, dar um abraço, perguntar como ele está. A criança precisa deste olhar cuidadoso, desta presença verdadeira. Mas isso absolutamente não quer dizer estar perto o tempo todo”, completa.

A jornalista e escritora Ann Crittenden, autora do livro “Liderança começa em casa” (Verus Editora), tem uma perspectiva otimista sobre o acolhimento das profissionais depois da maternidade ( leia entrevista ). Para ela, os empregadores ainda não perceberam o quanto as atividades maternas são capazes de melhorar uma mulher profissionalmente. Ela aposta nesta valorização, que deve começar com a autovalorização das mães profissionais.

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... do que ele pode se tornar
Mães se preocupam com o que seus filhos podem vir a ser no futuro, qual será sua personalidade e que tipo de postura e referência os pais podem adotar para tudo sair bem no final. Mas o importante é a criança crescer com valores humanos, de respeito à vida e ao próximo. Para isso acontecer, Sheila reafirma a necessidade de estar próxima, seja você uma mãe em período integral ou trabalhando fora parte do dia. Olhos nos olhos, abraços, interesse em saber como ele está, como se sente e como se relaciona com os outros: assim, seu filho se sente à vontade para conversar e solucionar os possíveis nós desta personalidade em formação.

... do tempo passar rápido demais
O professor William Doherty, diretor do Citizen Professional Center da Universidade de Minnesota e autor de 12 livros sobre relações familiares, conta que quando a relação do casal passa a uma relação a três, com o nascimento de uma criança, a dinâmica de todas as demais interações também mudam e tornam-se mais complexas. Em casos como este, adaptação é a palavra de ordem. “A principal forma de se adaptar é compartilhar a responsabilidade pela criança. Ambos devem ocupar as cadeiras de pais e parceiros”, completa. Afinal, quando a criança sente a presença dos pais em sua vida, tende a querer compartilhar cada vez mais suas vivências com eles. O ciclo se alimenta e você não perde nada em relação à vida de seu filho.

... de perdê-lo
Este medo existe e dificilmente será possível se livrar dele por completo. Mas você pode impedi-lo de se tornar uma preocupação maior do que deveria. Segundo Sheila, este aspecto está relacionado à proximidade da mãe com seu filho. Acompanhar de perto a vida dele e sua relação com a rotina torna a mãe mais segura. O segredo é confiar em quem está ao lado da criança, seja a babá, a avó ou outros cuidadores . Não dá pra evitar que seu filho viva por causa do seu medo de perdê-lo. Afinal, geralmente os superprotegidos acabam sendo os mais vulneráveis. A segurança dos pais inspira a segurança do filho.

... de educá-lo da maneira errada
Segundo Sheila, as crianças vão mudando de necessidades a cada fase. O grande desafio dos pais é entender os novos limites a explorar, que tipo de apoio elas necessitam, que dificuldades enfrentam e como é possível ajudá-las. Vale lembrar que as crianças são transparentes: se estão sofrendo, choram; se encontram dificuldades maiores do que consegue enfrentar, ficam mais vulneráveis à frustração e se irritam com coisas pequenas. Observando com cuidado, você pode saber exatamente como ele está se sentindo. E, assim, corrigir suas atitudes.

... de deixá-lo com a babá
Superar este medo depende do ajuste das expectativas, além da procura por boas fontes e referências. “Uma boa babá precisa saber respeitar o estilo de cada mãe, suas escolhas e preferências”, recomenda Sheila. Mas é importante permitir à babá o desenvolvimento de um vínculo com a criança. De acordo com a jornalista e escritora Ann Crittenden, a divisão de atenção e carinho não é preocupante. Crescer cercado de amor por todos os lados faz da criança um adulto potencialmente carinhoso, além de trazer novos pontos de vista de criação, pluralizando a vivência dela. “Eu tinha uma babá muito diferente de mim. Ela acabou ensinando, tanto ao meu filho quanto a mim mesma, lições que eu jamais poderia ter ensinado”, relembra ela. Portanto, em vez de considerar a babá uma ameaça para sua relação com seu filho, considere-a uma amiga capaz de ajudá-lo a se desenvolver com mais qualidades.

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... de perder minhas formas para sempre
Milagres não existem – nem depois da gestação, nem quando a mulher quer simplesmente perder alguns quilos sem ter passado por uma gravidez. Boa alimentação, atividade física e acompanhamento de profissionais especializados são os pilares de sustentação da recuperação da velha forma, além de um tanto de paciência .

De acordo com a professora de educação física Renata Bucci, coordenadora do programa pós-parto da Reebok Club, após a quarentena ou a liberação médica você já pode se livrar dos quilos a mais da gravidez. O próprio exercício de ser mãe pode ajudar a recuperar as medidas de antes: ao amamentar, a mulher chega a perder até 900 calorias por dia. Somado a uma boa alimentação e à atividade física bem orientada, o emagrecimento pode ser ainda mais rápido. “A mulher não deve ficar ansiosa, pois ela irá perder peso devido à nova rotina. Se ela não amamenta, perderá peso mais lentamente, mas pode aumentar a intensidade das atividades mais rapidamente”, descreve Renata.

... de não conseguir pagar as contas
Para o professor William Doherty, a coisa mais importante para conseguir controlar as finanças depois da chegada do bebê é se prevenir. Evite, durante a própria gravidez, ter um estilo de vida que consuma todos os seus rendimentos. Assim você consegue uma folga no orçamento quando o bebê chegar e os gastos aumentarem. “Minha filha e o marido compraram uma casa muito mais barata do que os salários deles permitiam”, conta ele. “Posteriormente, eles foram capazes de pagar a hipoteca com muito mais facilidade”, completa. Aos poucos, a família se adapta, os gastos se estabilizam e vocês podem voltar a fazer planos mais dispendiosos.

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