Em que momentos e até quando é saudável deixar que os pequenos tenham alguns hábitos, como o uso da chupeta

Chupeta: uso serve para dar suporte emocional à
criança e ajudá-la a lidar com as perdas
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Chupeta: uso serve para dar suporte emocional à criança e ajudá-la a lidar com as perdas
Usar chupeta, arrastar paninhos e cobertores, colocar o dedo na boca. Manias comuns que começam cedo e que podem afetar o desenvolvimento das crianças. Para Viviani Zumpano, coordenadora pedagógica do berçário “Les Enfants d´Emilie”, na zona sul de São Paulo, os pais precisam ter sensibilidade e discernimento para impedir que uma mania saudável se torne um vício. “Se a criança faz do bichinho algo inseparável, não faz nada sem ele, isso não é uma atitude saudável. Os pais precisam saber a hora de usar, para que usar e ter o cuidado de não tirar na hora errada”, diz.

No caso da chupeta, Viviani explica que seu . “Há momentos de mudança e de tensão para a criança, como no momento em que ela passa a vir ao berçário, no período de adaptação na escola, na chegada de um irmão, na separação dos pais. Ela é como se fosse o seio da mãe, vai dar segurança e diminuir a ansiedade”.

Até quando usar
Segundo a pedagoga, o uso da chupeta é aceitável até os dois anos de idade e as mães devem optar pelos modelos ortodônticos, que têm formato semelhante ao seio materno. Após os dois anos, ela deve ser retirada aos poucos.

Mãe de quatro filhos, dois meninos e duas meninas, Deise Mendes de Oliveira tem muitas histórias sobre a retirada de chupeta. Com os dois filhos mais novos – Mateus, hoje com 8 anos, e Pedro, de 4 – ela não teve trabalho. Mas com a filha mais velha, a situação foi bem diferente.

“Eu prometi que se ela e a irmã menor largassem a chupeta, eu compraria a boneca que elas quisessem. A Lígia, na época com dois anos e meio, devolveu a chupeta e nunca mais pediu. Já a Maria Lúcia, a mais velha, na época com quatro anos e meio, esperou eu comprar a boneca e depois roubou a chupeta do Mateus que era bebê”, conta. “Enquanto eu dei a opção dela decidir não deu certo. Tive que dar limite e quando consegui tirar ela já tinha cinco anos”.

Em vez da chupeta, o dedo?
Algumas crianças preferem o dedo em vez da chupeta. O hábito, além de ser totalmente anti-higiênico, pode causar deformação na arcada dentária e prejudica a produção de sons de algumas letras, como T, D, S, Z e N.

“O dedo não é indicado nunca. Permite a proliferação de bactérias, entorta a gengiva”, explica a pedagoga Viviani Zumpano. Vitória, a filha de dez anos da secretária Ingrid Prast Rumão, chupou o dedo indicador até os cinco anos de idade. “O dedo dela tinha um cheiro ruim e ficava todo enrugado”, conta.

Ingrid também chupou o dedo até os dez anos de idade e admite que poderia ter sido mais firme com a filha, para que ela não criasse esse hábito. “Desde que a Vitória nasceu, ela nunca gostou de chupeta. E o dedo eu deixei, porque acalmava. De certa forma foi comodismo da minha parte, porque eu também tentava não ser tão rude”, afirma.

Quanto a bichinhos de pelúcia, paninhos e cobertores, também é preciso estar atento à questão da higiene. “O bicho de pelúcia junta ácaro, acumula sujeira. E hoje, de cada 10 crianças, sete são alérgicas”, alerta Viviani.

Carência afetiva
A coordenadora do berçário ainda explica que muitos hábitos ruins acontecem em decorrência da carência afetiva das crianças. Daí a necessidade de pais atentos, pacientes e participativos.

“Em casa, a mãe precisa se fazer presente com qualidade. Ela tem de olhar de perto a afetividade do filho e muitas vezes escutar o choro que é a manifestação da emoção da criança”, orienta.

Por isso, a atitude de pais que colocam a chupeta simplesmente para calar a boca da criança, sem ao menos saber o motivo do choro, deve ser abolida. Lidar com isso é um trabalho diário que exige paciência e dedicação. “É desgastante impor limite. Você precisa conhecer a personalidade de cada filho e para isso tem que estar com a criança, dialogar. O que acontece hoje em dia é que as mães não têm paciência e querem poupar os filhos com medo de que eles não gostem delas”, opina Deise.

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