Estudo desenvolvido nos EUA reforça que a exposição ao thimerosal, usado em vacinas, não está ligada ao surgimento da doença

Vacinas: exposição ao thimerosal não oferece risco
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Vacinas: exposição ao thimerosal não oferece risco
Novo estudo mostra que bebês expostos aos mais altos níveis de thimerosal, composto que contém mercúrio como conservante e já foi usado em diversas vacinas, não se mostraram mais propensos a desenvolver o autismo do que os bebês expostos a níveis mais baixos.

Pesquisadores afirmaram que o estudo oferece nova confirmação aos pais que se preocupam com a possibilidade da vacinação aumentar o risco de autismo nas crianças. “A exposição pré-natal e durante os primeiros anos de vida ao etilmercúrio do thimerosal, presente em vacinas ou produtos de imunoglobulina, não aumenta o risco do desenvolvimento do autismo nas crianças”, concluiu Frank DeStefano, autor sênior do estudo e diretor de departamento de segurança da imunização dos Centros de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos.

O estudo foi publicado na internet no início da semana. em uma prévia da edição de outubro da revista especializa Pediatrics. Segundo informações do artigo, o thimerosal vem sendo usado como conservante em vacinas desde a década de 30. Preocupações em relação ao composto químico começaram a surgir em 1999, ano em que o FDA, órgão controlador dos medicamentos e alimentos dos Estados Unidos, chamou a atenção ao número crescente de vacinas contendo thimerosal incluídas no cronograma de vacinação dos bebês – o que poderia expô-los a uma quantidade excessiva de mercúrio. O composto era encontrado nas vacinas contra hepatite B, haemophilus influenzae tipo B e tríplice (tétano, difteria e coqueluche), dentre outras.

De acordo com informações presentes no site do FDA, nos anos seguintes o órgão controlador trabalhou junto aos fornecedores para eliminar o thimerosal das vacinas. Segundo o FDA, atualmente o composto foi removido ou bastante reduzido em todas as vacinas que costumam ser indicadas para crianças até os seis meses de vida, com exceção da vacina contra a gripe sazonal. DeStefano diz que os pais preocupados com o thimerosal podem solicitar uma versão sem o composto.

Mas o thimerosal não era a única ligação sugerida entre o autismo e as vacinas. Um trabalho publicado no The Lancet, em 1998, sugeria que a vacina MMR – contra o sarampo, a rubéola e a caxumba – poderia provocar o autismo. Mais tarde, a publicação especializada se retratou do trabalho, e numerosos estudos refutaram quaisquer ligações entre a vacina MMR e o autismo.

Outras pesquisas

Em fevereiro de 2009, um tribunal federal dos Estados Unidos decidiu que não havia evidência científica ligando vacinas ao autismo. No novo estudo, pesquisadores examinaram relatos médicos e conduziram entrevistas com as mães de 256 crianças com Distúrbios do Espectro do Autismo e 752 crianças do mesmo ano de nascimento que não sofriam da doença. Todas as crianças participantes eram membros de três organizações de gestão de saúde dos estados de Massachusetts e Califórnia, nos Estados Unidos.

Os pesquisadores também juntaram informações sobre a fabricação e o número do lote das vacinas recebidas pelas crianças, para determinar a quantidade de thimerosal a que eles provavelmente foram expostas.

Crianças expostas ao nível mais alto de thimerosal, 10%, tanto no pré-natal quanto nos primeiros 20 meses de vida, não se mostraram mais propensas a apresentar autismo, distúrbio do espectro do autismo ou distúrbio do espectro do autismo com regressão.

“Esse estudo se agrega a um grande volume de evidências que indicam que a exposição ao thimerosal nos primeiros meses de vida não causa autismo”, disse Geraldine Dawson, chefe do departamento científico de um grande grupo de apoio, o Autism Speaks. Dawson não participou do estudo.

Ela encorajou os pais a vacinarem os filhos: “Nós motivamos os pais a vacinar os filhos e a estabelecer uma relação de confiança com o pediatra das crianças para que possam discutir quaisquer preocupações que surgirem”.

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