Laura Prada, 38, é engenheira agrônoma e mãe de Serena, 7, e Gaia, 5. Grávida de cinco meses, ela fala, em depoimento, sobre a escolha de ser mãe

Laura e as filhas: maternidade como desejo passa longe de restrições à vida pessoal
Arquivo pessoal
Laura e as filhas: maternidade como desejo passa longe de restrições à vida pessoal
“Entre a família, a carreira e os outros tantos compromissos assumidos na vida adulta e familiar, eu não tenho dúvida: primeiro as filhas, a família, a casa. Uma prioridade que assumi por escolhas feitas no tempo certo.

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Sou adepta de uma vida pouco convencional. Moro em um sítio em Santo Antônio do Pinhal, no interior de São Paulo, e talvez esse desejo já tenha propiciado a busca por uma rotina mais familiar.

Como um divisor de águas, a maternidade programada e concretizada na “hora certa” me trouxe mais tranquilidade para ser mãe.


Abracei literalmente a maternidade mudando completamente o ritmo da rotina. Aos 23 anos, como gerente de um programa de certificação de uma ONG, eu viajava muito. Quando fiz 30 anos, bateu o relógio biológico. E entendi que não conseguiria ser mãe como gostaria com este ritmo de vida.

Adiei ao máximo a maternidade pois sabia que teria que mudar de vida para me satisfazer como mãe. Por dois anos e meio fiquei fazendo uns bicos, porque acredito que essa história de conciliar uma supercarreira com a super-maternidade é uma ilusão. Não existem mulheres-maravilha. Eu preferi ser mais mãe mesmo.

Como um divisor de águas, a maternidade programada e concretizada na “hora certa” me trouxe mais tranquilidade para ser mãe. A maternidade, quando surge como um desejo compreendido com responsabilidade, passa longe de restrições e limites à liberdade pessoal.

Não foi à toa que mudei de vida para ser mãe. Não sofro por trabalhar menos, pois hoje minha família é prioridade. E eu acho que essa noção é alcançada com a maturidade. E com uma estabilidade – emocional e financeira – que raramente se dá antes dos 30. Nem os homens parecem preparados para se tornarem pais de família antes disso.

Apesar da opção consciente, conheci e também reconheço as desvantagens de ser mãe mais tarde. O pique, a energia e os próprios riscos não são os mesmos de quando você tem 20 anos de idade. Mas ainda assim – grávida de cinco meses do meu terceiro filho aos 38 anos – não me incomodo com a distância de idade que se revelará mais presente a cada ano, entre meus pequenos e eu. Acho que essas diferenças grandes já estão incorporadas nas famílias. E eu vou ser uma coroa de cabeça aberta, por isso não acho que terei grandes problemas em entender meu filho jovenzinho”.

(Depoimento a Carla Hosoi)


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