Pesquisa no Graac vai mensurar o impacto da musicoterapia no tratamento de crianças e adolescentes

Musicoterapia: para pacientes de 7 a 19 anos, técnica alivia a dor
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Musicoterapia: para pacientes de 7 a 19 anos, técnica alivia a dor
A musicoterapia está sendo usada para diminuir a dor crônica de crianças e adolescentes com câncer. O trabalho faz parte de uma pesquisa no Graac (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer) e deve mostrar, de forma bem objetiva, o quanto a música pode fazer bem ao paciente.

Jovens com idade entre 7 e 19 anos participam das sessões e relatam alívio imediato da dor. “Ela não desaparece, mas diminui bastante”, explica Maristela Smith, coordenadora da pesquisa e dos cursos de musicoterapia da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas).

No início da terapia, a criança usa uma escala de zero a dez para classificar sua dor. “Há casos em que o paciente diz que a dor diminuiu pela metade”, afirma a especialista.

Isso acontece por uma combinação de fatores psicológicos, endocrinológicos e neurológicos. Com um trabalho constante e adequado, a musicoterapia pode transformar o alívio imediato da dor em algo mais duradouro, facilitando o tratamento do jovem com câncer.

Identidade musical

O primeiro passo do tratamento é estabelecer a identidade musical do paciente. Neste momento, o musicoterapeuta pergunta quais são as músicas preferidas do jovem, qual estilo ele gosta mais e que tipo de boa associação ele possui.

Por exemplo, algumas músicas podem lembrar bons amigos e familiares próximos, ou experiência de vida positivas e agradáveis. “Isso vai ser usado na musicoterapia para criar um tratamento personalizado”, esclarece Maristela.

Em determinado momento do tratamento, o paciente é convidado a recuperar associações de experiências positivas. Para que isso aconteça, a exposição à música deve durar pelo menos oito minutos. “Este é o tempo necessário para impressionar o cérebro”, explica Maristela.

Sala da música

No segundo passo a terapia, o paciente é levado a uma sala com instrumentos musicais especialmente selecionados para ele fazer música. “São ritmos e movimentos para melhorar sua autoimagem”, explica Maristela.

O jovem com câncer geralmente se vê de maneira muito negativa, relata a pesquisadora. Ele perde os cabelos com a quimioterapia, está sempre tenso por causa da dor e do tratamento médico.

Na musicoterapia, o contato com a música é também ativo. Diferente de quando se escuta musica (processo passivo). “Isso ajuda o adolescente a resgatar um pouco da autoconfiança porque ele cria, ele faz música. E vai melhorando sua autoimagem”, afirma.

Mecanismos da dor

Tanto o processo de produção quanto o de audição da música, todos feitos com a devida supervisão, favorecem a produção de endorfina. Este hormônio está ligado com sensações de bem-estar, que podem reduzir a dor. A música também ajuda os músculos a relaxarem e, assim, diminui a tensão do paciente.

Outro mecanismo é chamado de dissociação da dor. “Por estar presente e ser constante, a dor limita bastante aquilo que o paciente se dispõe a fazer”, afirma Maristela.

Quando o paciente se envolve com a música, sua atenção passa a ser dividida. “Parte continua focada na dor, mas outra parte se volta para a musica”, explica. Com a atenção dividida, a percepção de dor diminui.

Por enquanto, a redução da dor é relatada apenas pelos depoimentos dos pacientes. Mas em cerca de dois anos, a pesquisadora espera poder quantificar de forma precisa o impacto da musicoterapia em jovens com câncer e dor crônica.

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