Alterações hormonais nem sempre são o gatilho da maternidade. Muitas vezes, sentimento maternal é construído com a rotina

Vínculo da maternidade pode surgir no resultado do teste, na gestação ou no dia a dia
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Vínculo da maternidade pode surgir no resultado do teste, na gestação ou no dia a dia
Quando a mulher engravida, passa por transformações radicais em todos os campos. Para Malu Favarato, psicoterapeuta, a mudança é biopsicossocial. “Bio se refere às transformações corporais e hormonais; psico está ligado ao conjunto de mudanças emocionais e cognitivas, conscientes ou inconscientes, e social porque é claro que a vida desta mulher jamais será a mesma, além de estar ligada aos modelos e perspectivas do que é ser mãe na sociedade na qual ela vive”, explica.

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A sensação ou percepção da maternidade está relacionada a todos estes fatores, e cada mulher reage de uma maneira única porque os diferentes sentimentos são enfatizados de acordo com a história pessoal. Segundo Lúcia Rosenberg, psicoterapeuta e autora do livro “Cordão mágico - Histórias de Mães e Filhos” (Ofício das Palavras), há ainda um forte fator familiar. A relação estabelecida com a própria mãe influencia – mas não determina – a descoberta dessa nova identidade.

Para algumas mulheres, o gatilho que desperta o sentimento maternal é a inundação de hormônios no organismo. As substâncias promovem, além de alterações físicas e psicológicas, as sensações de proteção e nutrição. Mas não funciona igual para todo mundo. “Há mães que não experimentam as sensações físicas. Elas adotam o filho ou nutrem esse sentimento materno por um animal de estimação, por exemplo”, diz Lúcia.

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Mas nem sempre a maternidade é assimilada em um momento. “Este sentimento não se instala, não dá um clique. Cada filho ensina a mãe a ser mãe daquele filho, com suas características, facilidades e dificuldades”, diz Lúcia.

Por isso, as especialistas apontam para o mais importante neste processo: ser mãe na relação, não apenas criar uma identidade. “A individualidade faz com que as mulheres despertem para a maternidade em momentos diferentes, não há regras. E isso pode mudar de uma gravidez para outra, na mesma pessoa”, diz Malu. Porém, é o modo como o dia a dia será vivido, como mãe, que fará toda a diferença no desempenho desse importante papel e, principalmente, na vida do seu filho.

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Elas relembram o momento em que se sentiram mães:

Adriane Galisteu e Vittorio
Celso Akin/AgNews
Adriane Galisteu e Vittorio
“A relação que eu tenho com a minha mãe é tão importante que eu sempre soube a magnitude desse sentimento. Mas, quando Vittorio chegou ao mundo, logo depois que o médico disse ‘ele vai nascer’, ele chorou e olhei pra carinha dele, foi aí que me tornei mãe”.
Adriane Galisteu, apresentadora e mãe de Vittorio, um ano e um mês


“Eu tinha 17 anos e não consegui acreditar que aconteceu comigo, nem tinha barriga, engordei apenas 6 quilos. Quando completou nove meses e fui para sala de parto, aí sim: lá estava ele com aquela ‘carinha de joelho’. A partir daquele dia descobri o que é ser mãe e não nos separamos mais”
Claudia Rodrigues, administradora de empresas, mãe de Cauã, 17 anos


“Eu me senti mãe pela primeira vez quando vi a Mari no primeiro ultrassom. Ela tinha o tamanho de um feijão, mas eu já me senti o máximo”.
Tatiana Miura, empresária, mãe de Mariana, 4 anos

Sasha e Xuxa
Divugação
Sasha e Xuxa
“No momento em que recebi a confirmação do teste de gravidez, já me senti mãe. Fiquei a noite sem dormir direito, pensando que o meu bebê dependeria de mim pra comer, viver, ir para a escola... Enfim, passou tudo na minha cabeça! Tive medo de errar como mãe, queria saber, imaginar, sentir tudo de uma só vez... Nove meses de espera foram uma eternidade. Foram os nove meses mais arrastados da minha vida, como demorou a passar!”.
Xuxa, apresentadora e mãe de Sasha , 13 anos


“Me senti mãe há exatamente 2 anos e meio, no momento em que escutei o choro do Felipe na sala de parto. Foi uma delícia, um momento mágico, parecia que eu iria explodir de tanta emoção e felicidade”.
Paula Torre, administradora de empresas e mãe de Felipe, 2 anos e meio


“Quando estava grávida, “nem tchuns”, sabe? Eu estava grávida e ponto! No parto eu estava tão grogue que nem bateu nada. Nos primeiros dias de vida da Manuela, com ajuda da equipe do hospital, tudo era mais fácil: o amor foi crescendo e parecia que eu tinha uma boneca fofa mas, chegando em casa, o bicho pegou e eu vi que aquela coisa fofa dependia 100% de mim! Para comer, dormir, se sentir segura e feliz. E é isso que eu desejo muito e cada vez mais pra ela. Nasce um sentimento altruísta mesmo. Quando eu vi, já estava apaixonada por cada gesto, sofria com cada dor e vivo em função dela”.
Adriana Victorelli, arquiteta e mãe de Manuela, 11 meses


Samara Felippo e Alícia
Reprodução/blog Samara Felippo
Samara Felippo e Alícia
“Acho que a cada dia que passa você ama mais e vai se sentindo cada vez mais mãe e responsável. Mas acho que comigo – por mais que a sensação da barriga mexendo e ouvir o coração no ultrassom sejam indescritíveis – foi quando peguei Alícia no colo, ainda na maternidade, e o primeiro dia em casa sozinha, que me fizeram entender o significado da palavra mãe”.
Samara Felippo, atriz e mãe de Alicia, dois anos e dois meses

“Sentir o Rafael mexer foi fantástico, mas com certeza quando o segurei nos braços a primeira vez foi que me senti importante, grande, especial, e tão responsável por aquele ser. Ele preencheu um vazio que eu nem sabia que existia. Foi um momento único na minha vida!”.
Minel D’Avila, gerente de loja, mãe de Rafael, 2 anos

“Eu virei mãe no dia 21 de julho de 2007, quando fiz o teste de farmácia e as duas listrinhas ficaram cor-de-rosa. Escutar o coração, ver o ultrassom, dar à luz, ver o primeiro sorriso, a primeira dor de barriga, as milhares de noites mal dormidas. Cada uma dessas experiências adiciona algo ao fator “mãe”. Ser mãe é muito complexo, a gente renasce e quase morre todos os dias, assistindo o mundo passar através dos descobrimentos de seus filhos”.
Juliana Senerchia, contato publicitário e mãe de Joseph, 3 anos

Giovanna Antonelli com as filhas
Contigo/Divulgação
Giovanna Antonelli com as filhas
“Me senti mãe desde que descobri que estava grávida. Foi um sonho, um desejo realizado. Um amor que não tem tamanho, nem explicação”.
Giovanna Antonelli, atriz e mãe de Pietro, 2 anos, e das gêmeas Antônia e Sofia , de dez meses

“Sempre me senti mãe, desde adolescente. Tanto que no dia que engravidei, tinha certeza de que havia acontecido. Então, quando o Bruno nasceu e eu só confirmei aquilo que eu já sabia: eu nasci pra ser mãe”.
Priscilla Bastos, gerente imobiliária e mãe de Bruno, 5 anos e meio

Angélica com Benício no colo e Joaquim
Dilson Silva/Agnews
Angélica com Benício no colo e Joaquim

“Eu me descobri mãe assim que soube que estava grávida. Mudei minha maneira de ver o mundo naquele exato momento”.
Angélica, apresentadora e mãe de Joaquim, 6 anos, e Benicio, 3

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