Juntas, Santa Joana e Pro Matre realizam cerca de 32 mil partos por ano. Mas não é só de bebês que vive uma maternidade

À primeira vista, parece um hotel de luxo. Quartos bem arrumados, com TVs de LCD e frigobar. Se não fosse pela cama e pelo enfeite de porta, bem que poderia se passar por uma suíte de um desses paraísos à beira-mar.

Não, esta não é uma reportagem de turismo, mas sim uma visita que o iG Delas fez a duas das maiores maternidades de São Paulo: Santa Joana e Pro Matre, que juntas são responsáveis pelo nascimento de 32 mil crianças por ano.

Ok, o quarto é fácil imaginar. Mas você já pensou em entrar em uma UTI neonatal? O nome assusta, mas este espaço é de vida. Nele ficam os recém-nascidos que tiveram algum problema de saúde e requerem cuidados mais próximos. Claro que há casos mais sérios e de risco de morte.

A rotina neste ambiente é um tanto diferente de todo o resto da maternidade. Em três períodos do dia (das 11h às 12h, das 17h às 18h e das 4h às 5h) é feito a Hora do Psiu, na qual não se pode mexer nos bebês (exceto em casos de emergência), as luzes são bem reduzidas e não há circulação de médicos ou de enfermeiros.

“Procuramos também não ficar o tempo todo manipulando os bebês. Concentramos a ação para um mesmo horário, assim não estressa o recém-nascido que está fragilizado”, comenta a médica Silvana Darcie Maccagnano, chefe da UTI neonatal do Santa Joana.

O outro lado
UTIs causam arrepios nas mães que imaginam que o bebê nascerá saudável, gorducho e cheio de vida. “Nem sempre é assim. Um dos casos mais difíceis que tive foi o de uma mãe de 32 anos que perdeu o segundo filho logo após o parto. Suas expectativas eram grandes e ela não aceitava a perda. Ninguém está preparado para isso”, explica a psicóloga Salete Arouca.

Máquinas e sofrimento também não são a realidade da UTI de adulto, onde as mães ficam. Na verdade, o local parece mais um quarto com alguns leitos e equipamentos que ajudam na hora de uma emergência. “Cada pessoa tem uma resposta orgânica diferente. E as fotos do mural são uma fonte de otimismo para ajudar a se reestabelecer. A UTI convida a mulher a ter depressão. Essa é uma forma da mãe não sentir o abandono”, acrescenta o diretor da maternidade, o ginecologista e obstetra Alberto D’Auria.

Uma maternidade não é somente feita por quartos. Outros ambientes importantes são o Lactário e Banco de Leite Humano. É nele que as mulheres retiram leite para ser dado ao bebê que está na UTI neonatal ou mesmo para os bebês de mulheres que por algum motivo não possam amamentar. “Aqui elas aprendem a fazer a assepsia e até mesmo a conservar o leite em casa, quando precisarem voltar ao trabalho”, diz a nutricionista Flávia Campion. Por ano, as maternidades armazenam cerca de 3.500 litros de leite materno.

Muito mais do que uma indústria
O que mais impressionou a reportagem ao visitar as maternidades foi mesmo a Central de Esterilização. Tudo - absolutamente tudo - que é usado na sala de parto passa por este andar. Lá ficam armazenados desde instrumentos necessários para cada procedimento até jalecos que serão usados pela equipe médica. “Não pode ter nenhum furo no tecido. Para isso, temos costureiras como se aqui funcionasse uma confecção”, brinca D’Auria.

Cada material tem seu procedimento de esterilização, que passa por lavagem com produtos químicos e máquina de autoclave, que eleva a temperatura a um nível capaz de matar qualquer microorganismo que porventura sobrou na peça. Todos os materiais também são verificados para detectar alguma avaria ou dano. “As tesouras, por exemplo, precisam ter um corte perfeito para garantir a qualidade da cirurgia. Em 90 dias, são descartadas e novas entram no lugar”, comenta o diretor da maternidade.

Mas não é só a paciente que tem regalias: os médicos também. Além de uma quadra de tênis disponível para o relaxamento, as maternidades possuem uma sala chamada de Conforto Médico, com televisão, computador ligado à internet e uma verdadeira lanchonete à disposição, com direito a almoço e tudo. Eles merecem.

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