Aprenda saídas estratégicas para driblar constrangimentos e saiba como se comportar em situações delicadas envolvendo seu filho

Regras de comportamento regem a convivência com o bebê em público
Getty Images
Regras de comportamento regem a convivência com o bebê em público
Ter um bebê certamente mudou o seu mundo, mas não o de todos os comensais daquele restaurante onde seu filho decidiu abrir o berreiro. Eles estão claramente incomodados. O que fazer? Ser mãe envolve não só o zelo com o bebê, mas também as decisões envolvendo situações públicas e, muitas vezes, embaraçosas.

Leia também
O que você pode (ou não) fazer na gravidez

O Guia do Bebê: desafios de cada fase

A amamentação em lugares públicos, por exemplo, é só o estopim para esta conversa. Mulheres mundo afora voltaram a debater a questão com o caso da britânica Lauren Beaman. No fim de abril, ela foi expulsa de um pub em Londres por amamentar ao filho. Para esquentar a discussão, a rede social Facebook tirou do ar imagens de mães dando de mamar, alegando que as imagens eram de nudez e feriam uma regra da rede. Na capital paulista, mães organizaram o “Mamaço” , ato pró-amamentação em público, depois que uma mãe foi impedida de dar o peito em uma exposição cultural.

Esta é apenas a primeira das perguntas envolvendo etiqueta e comportamento com seu filho pequeno em público. Para os pais fazerem bonito, consultamos um time de especialistas para responder às questões mais comuns.

Pode-se ou não amamentar em público?
A escolha é sua. “Nós, adultos, comemos em bares e restaurantes. Por que os bebês precisam de local privilegiado?”, opina Fabiola Costa, autora do blog do Mama Mia e membro do Grupo Técnico de Incentivo ao Aleitamento Materno da Universidade Federal Fluminense (GTIAM). “Amamentar não é brincadeira, é nutrição. A preocupação é só com o sentimento da mãe: se for envergonhada, ela pode se cobrir com um lenço, caso contrário, o seio fica exposto de maneira natural”, completa. Por outro lado, para Ceres de Araújo, psicóloga e autora do livro “Pais Que Educam” (Editora Gente), “amamentação é um ato privado e íntimo, fundamental para a relação mãe-bebê. Então, quanto menos público o local, melhor para os dois”.

Bebês são bem-vindos em casamentos?
Essa situação delicada foi um dos temas do americano Adam Wasson em Fralda Justa (Editora Matrix). Em um dos trechos, ele escreve: “Há quem veja a cerimônia de casamento como um evento familiar por excelência e considera que levar crianças funciona como uma bênção para o futuro casal. Outros acham que são festas chiques de adulto e não querem um choro de bebê atrapalhando a noite. Como com qualquer evento social, é sempre bom perguntar aos anfitriões se as crianças são bem-vindas ou não”. Se elas caírem no choro bem na igreja, você tem a responsabilidade de deixar o local com elas o quanto antes.

Vale publicar fotos em redes sociais e blogs?
“Depende de sua relação com a exposição na internet. Mas, por segurança, evite imagens que possam envergonhar o bebê no futuro ou servir de fonte de excitação para pedófilos. Nudez, por exemplo, nunca, por mais nova que seja a criança”, defende Juliana Sampaio, autora do livro “Mothern: Manual da Mãe Moderna” (Editora Matrix). Para a consultora de etiqueta e comportamento Claudia Matarazzo, o conceito de privacidade deve ser resgatado. “É algo essencial para as relações interpessoais e a ética na sociedade. Os usuários se esquecem que uma única foto nos sites de relacionamento é multiplicada infinitamente”.
Leia também: Perfis infantis criados pelas mães invadem redes sociais

O que fazer quando insistirem para pegar seu filho no colo?
Ter contato com outras pessoas estimula o bebê a se socializar. Mas se for uma situação em que os pais não se sentem confortáveis, o ideal é dar uma explicação curta e simples. “Dizer, por exemplo, ‘desculpe-me, mas eu consegui acalmá-lo agora mesmo, melhor não mexer em time que está ganhando’”, sugere Juliana Sampaio.

No avião lotado, como driblar a choradeira da criança?
Para escapar disso, o melhor é viajar próximo aos horários de sono dela. “É comum os bebês chorarem porque seus ouvidos não conseguem se adaptar bem às mudanças de pressão”, escreve Adam Wasson no livro. Dar o peito ou mamadeira faz com que o movimento repetido de deglutição ajude a regular a alteração no ouvido. Como alternativa, o pediatra Hamilton Robledo, do Hospital São Camilo, de São Paulo, sugere soluções naturais. “Medicamentos à base de passiflora podem ser administrados meia hora antes do voo, na proporção de uma gota para cada quilo do bebê”.
Leia também: dicas para viajar de avião com seu filho

Como se livrar de gafes com a troca da fralda na casa de amigos?
Antes de tudo, fazer cara de paisagem com o mau cheiro do cocô na frente dos conhecidos não pega bem. Sem dizer que aquela clássica olhada no bumbum deve se limitar a lugares sem comes e bebes, é claro. Então, logo pergunte ao anfitrião onde fazer a troca de fraldas e jogar o lixinho. Lembre-se de que os donos da casa devem indicar o lugar mais conveniente e ele nem sempre é a cama do casal ou o sofá da sala. E sempre forre o espaço.

Qual é a saída se o bebê estragar objetos e roupas de conhecidos?
Crianças pequenas regurgitam a qualquer hora, já que não têm controle sobre as reações do próprio corpo. O alvo pode ser justamente o sofá novo da prima ou a camisa branca do chefe. Portanto, tente você mesma limpar. “Se não tiver jeito, é possível mandar fazer o reparo ou comprar algo similar e, em caso de algo impossível de ser substituído, envie flores e um cartão de desculpas”, indica Claudia Matarazzo. No supermercado ou shopping, qualquer movimento inocente pode gerar prejuízos. Daí a regra é simples: mordeu, amassou ou quebrou, você tem que pagar.

Recusar oferta de comida é falta de educação?
Pelo contrário. A falta de bom senso é de quem oferece alimento ao bebê sem consultar a opinião dos pais. Com firmeza e sem constrangimento, diga que seu filho segue uma dieta específica para evitar possíveis alergias ou, então, que determinada comida pode gerar má digestão.

O filho maiorzinho de sua amiga está incomodando seu bebê, e agora?
A primeira tentativa é exclusivamente com a criança, uma conversa direta e simpática. Se não funcionar, envolva a mãe. “Peça educadamente à criança maior para parar, na frente de sua colega, explicando os motivos de um jeito compreensível. Assim fica dado o recado”, orienta Juliana Sampaio. Se a pessoa realmente se importa com você, ela irá controlar o filho e os futuros encontros entre as famílias não serão abalados.

Leia também
Faça 10 testes sobre a maternidade
Ajude o pediatra de seu bebê

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.