Autores reuniram pesquisas que contradizem várias práticas do senso comum na educação das crianças

Tradição errada: livro reúne pesquisas que contradizem o senso comum sobre a educação dos filhos
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Tradição errada: livro reúne pesquisas que contradizem o senso comum sobre a educação dos filhos
Elogiar os pequenos é preciso. Adolescentes que discutem com os adultos simplesmente perderam o respeito. Irmãos brigam e competem tão somente pela atenção dos pais. Óbvio? Calma lá. Pesquisa recentes dizem o contrário - e os autores Po Bronson e Ashley Merryman, colunistas das revistas Time e New York, reuniram estas pesquisas a entrevistas com os envolvidos no lançamento "Filhos: Novas Ideias Sobre Educação" (Editora Lua de Papel).

Feitas em maioria nos Estados Unidos e Canadá, no entanto, as pesquisas podem ser vistas com alguma reserva. "Pesquisas são muito relativas", diz Isabel da Silva Kahn Marin, psicóloga infantil e vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos sobre o Bebê, entidade afiliada à World Association for Infant Mental Health. "A criança tem que ser a primeira referência para os pais saberem se estão acertando ou errando na educação".

É importante, portanto, confiar no bom senso e na observação cuidadosa do seu filho, além de evitar a inconsistência - mudar as regras de sua educação toda hora, só porque saíram pesquisas novas sobre o assunto. Áderson Costa, psicólogo especializado em desenvolvimento e professor do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília, recomenda que os pais pesquisem mais a fundo as pesquisas divulgadas. "Nem todas as pesquisas de outros países podem ser aplicadas em contextos daqui", diz ele. "Cabe ao leitor compreender que pesquisas são circunstanciadas".

Segundo as pesquisas reunidas por Po e Ashley:

Elogiar pode tornar a criança menos confiante

Elogiar a criança a todo tempo pode ser um tiro que sai pela culatra. Segundo uma pesquisa realizada ao longo de 10 anos por um grupo da Universidade de Columbia, crianças que são elogiadas demais por sua inteligência tendem a desistir mais fácil quando se deparam com um desafio. Segundo os autores explicam em "Filhos: Novas Ideias Sobre Educação", o melhor é elogiar a criança por seu esforço em resolver um problema - e não por sua inteligência, o que a deixaria mais preocupada em "manter" o status de inteligente do que em tentar encarar novidades fora de sua zona de conforto.

Dormir uma hora a menos faz muito mal para as crianças

Muitos pais preferem colocar as crianças na cama um pouco mais tarde, até mesmo para poderem conviver um pouco mais de tempo com elas quando chegam tarde do trabalho. Meia horinha a menos não faz diferença, costumam pensar. Mas não é bem assim. "Como o cérebro se desenvolve até os 21 anos de idade, e porque muito desse processo ocorre durante o sono, essa hora perdida aparentemente tem um impacto exponencial em crianças e jovens, o que não ocorre com um adulto", explicam os autores no livro.

Ignorar uma mentira falada pela criança a estimula a mentir mais

Até mais ou menos os quatro anos de idade, a criança não diferencia fantasia e realidade - portanto, quando mente, não é preciso repreendê-la. Certo? Não. As pesquisas reunidas no livro mostram que ignorar as 'mentirinhas' das crianças menores só as leva a manter o padrão pelo resto da infância - e, às vezes, pelo resto da vida. "(...) Em menos de 1% dos casos um dos pais aproveita a oportunidade para ensinar que não se deve mentir. Em geral, o pai ou a mãe censura a falta cometida, mas não o fato do filho tentar acobertá-la. Do ponto de vista da criança, sua tentativa de mentir não implica nada", alertam Po e Ashley no livro.

Capa do livro Filhos: Novas Ideias Sobre Educação
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Capa do livro Filhos: Novas Ideias Sobre Educação
Para os pesquisadores, o importante é mostrar às crianças o mal que as mentiras fazem - e não só ensiná-las que serão punidas se disserem mentiras, pois assim elas não deixam de mentir - apenas passam a mentir com mais eficiência, para não serem apanhadas.

A rivalidade entre irmãos não é motivada pela disputa da atenção dos pais

Segundo as pesquisas reunidas por Po e Ashley, os irmãos são uma espécie de prisão sem saída para as crianças. Elas tratam bem os amigos porque sabem que dependem disso para manter a amizade, mas entendem que os irmãos sempre estarão lá - e assim podem se acostumar a tratá-los de forma inadequada, provavelmente porque são obrigados a dividir suas coisas com eles. A diferença de idade, ao contrário do que se imagina, tampouco acirra as disputas.

Filhos adolescentes de pais mais liberais não mentem menos

Adolescentes mentem para evitar desapontar seus pais. "Sonegando informações sobre suas vidas, os adolescentes delimitam seu domínio social e criam uma identidade própria, independente dos pais ou de outro adulto que represente autoridade", dizem os autores em capítulo do livro. Portanto, quando tomam a iniciativa de serem sinceros - mesmo sabendo que isso pode trazer problemas - os adolescentes estão respeitando os pais e estabelecendo uma relação construtiva com eles.

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