Hoje com 15 anos, Libby Rees, filha de pais separados, escreveu "Brincar de Ser Feliz" aos 9

Capa do livro
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Capa do livro "Brincar de Ser Feliz": dicas para superar o divórcio dos pais
O livro "Brincar de Ser Feliz" (Editora Best Seller), que acaba de ser lançado no Brasil, traz uma série de dicas para as crianças superarem a separação dos pais. Assinado por Libby Rees, a obra de auto-ajuda não teria nada de diferente, não fosse sua autora ter, hoje, 15 anos - e ter escrito o livro aos 9.

Quando Libby estava com 6 anos, seus pais decidiram se separar. A garotinha britânica teve de se mudar para uma casa menor com a mãe e o irmão mais velho e passou pelo cada vez mais comum - mas não por isso menos doloroso - processo de separação da família.

"Na época, eu nem percebi tudo o que estava acontecendo", afirmou, em entrevista ao iG Delas. No entanto, conforme os anos passavam, Libby desenvolveu algumas técnicas simples para lidar com as consequências da separação. Um dia, em uma caminhada pela floresta, a garota comentou uma delas com sua mãe. Consistia em pegar um graveto ou uma pedra, "colocar" neles alguma coisa que a incomodava, e atirá-lo bem longe.

Ao voltar para casa, ela pensou em escrever todo seu repertório em um livro. Sem esperar muito, mandou o material por e-mail para algumas editoras. No dia seguinte, um editor da Escócia enviou de volta uma passagem de avião e uma proposta de contrato. Pouco tempo depois, a menina estava participando de programas da rede de TV britânica BBC e sendo entrevistada no "Good Morning America", programa da televisão norte-americana com audiência na casa dos milhões.

Além de escritora, Libby - que hoje já tem dois livros publicados - também representa a Save the Children, organização não-governamental fundada em Londres, que luta pela melhoria das condições de vida das crianças do mundo. Pelo envolvimento com a organização, Libby recebeu, em 2006, um prêmio das mãos da Princesa Anne, irmã do Príncipe Charles.

Apoio dos pais

Para Libby, escrever suas ideias foi uma forma de expressar as dificuldades e convertê-las em algo positivo. Não se espera que toda criança alcance o sucesso comercial que ela teve, mas registrar as experiências e sentimentos que acompanham uma separação é bastante recomendável. "A iniciativa de escrever um diário é muito terapêutica. Desenhar também serve", diz Blenda Oliveira, psicanalista e psicoterapeuta de crianças, casal e família. A criança pode ter insights enquanto escreve ou desenha, e isso a ajuda a elaborar a situação.

Os filhos podem ter alguma iniciativa própria, mas o apoio dos pais também é essencial. Parece óbvio, mas muitos casais se esquecem da regra número 1 na hora da separação: ter em mente que a relação dos dois como casal termina, mas a de pai e mãe dura para sempre. "O importante é que o homem e a mulher resolvam a situação entre eles, para não fazer o filho de cabo de guerra", alerta Raquel Caruso, psicopedagoga com 26 anos de experiência no atendimento clínico - ela mesma separada e com 2 filhos.

Os pais também devem se lembrar que as crianças não vão digerir toda a situação de uma hora para outra. Libby escreveu o livro três anos depois da separação. "Precisa respeitar o tempo da criança, dar colo e explicar quantas vezes for necessário", recomenda Blenda.

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