Pais devem colocar regras no uso de computador e games para não haver abusos e evitar o isolamento infantil

As irmãs Julia e Laura Balbachan Santos têm horário pré-determinado pela mãe para ficar na internet
Arquivo pessoal
As irmãs Julia e Laura Balbachan Santos têm horário pré-determinado pela mãe para ficar na internet
Assim como os adultos, as crianças estão cada vez mais envolvidas com o universo virtual, curtindo sites, jogos eletrônicos e redes sociais. Com a facilidade dos tablets, smartphones, laptops e DVDs portáteis, a tecnologia está acessível a qualquer hora e lugar. Em festas, restaurantes e eventos é comum ver os pequenos ligados no mundinho dos gadgets, ao invés de brincar e interagir entre eles.

É justamente a falta de sociabilização uma das coisas que mais preocupam os pais do estudante Cléber Diniz Ramos, de 14 anos. A paixão pelo mundo virtual é tanta que Cléber dificilmente atende ao chamado dos amigos para brincar e recusa a maioria dos convites para ir a festas de aniversário. O motivo é sempre o mesmo: a paixão por videogames. “Quando ele era menor, ainda o levávamos a força. Hoje, fica sozinho em casa quando não quer ir conosco. Tudo para não largar os games”, relata o pai, o torneiro mecânico Worney Renato Ramos.

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Para incentivar as crianças a deixar o jogo um pouco de lado, especialistas recomendam o estímulo a atividades ao ar livre e a prática de esportes coletivos para ampliar o contato com outras crianças. Pensando nisso, Ramos decidiu matricular Cléber em um curso de inglês e também o convenceu a jogar futebol com os colegas toda semana. A ação parece começar a render os primeiros frutos. “Antigamente, eu era muito viciado em jogos de videogame, então não saía de casa. Hoje em dia, eu estou jogando menos, mas ainda assim quando eu começo é difícil parar”, confessa Cléber.

Estabelecer regras

De acordo com a psicóloga Andrea Jotta, do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC (SP), as ferramentas tecnológicas são desenvolvidas para somar comportamentos, nunca para excluir. “Tudo o que é excessivo faz mal. As crianças precisam ser educadas para o mundo virtual e presencial, e o controle tem de vir de fora, dos pais”, esclarece.

“O uso da tecnologia faz parte da rotina da criança. Não dá para tirar isso delas. Mas os pais precisam ficar atentos, pois isso não pode, de maneira nenhuma, substituir as relações pessoais”, aconselha Andrea. Ela afirma ainda que cabe aos pais a tarefa de ensinar os filhos a utilizar a tecnologia com parcimônia. Não há uma regra geral para isso, mas que cada família pode, por exemplo, delimitar um horário para uso de videogames, internet e redes sociais. “Não pode ser todo dia, toda hora. Não pode ter isso como única fonte de prazer”, explica.

Por outro lado, muitas vezes os próprios pais incentivam o uso de produtos eletrônicos como uma maneira de deixar os filhos mais “tranquilos”. Ledo engano. “Não se pode usar isso como um ‘anestésico’ para que a criança fique quieta no canto dela”, explica Andrea. Segundo a psicóloga, embora pareça um instrumento facilitador, colocar o filho em frente ao computador de maneira excessiva pode tornar-se um complicador no futuro, tendo como consequências a ausência de diálogo em família e a falta de prazer no convívio social.

Loucas por eletrônicos

A professora de inglês Carla Alessandra Balbachan Santos segue à risca a recomendação com as filhas Laura Carolina e Julia Victoria, de 8 e 6 anos de idade. Loucas por produtos eletrônicos, as irmãs sabem mexer em tudo, têm Orkut e Facebook e adoram brincar com jogos no videogame ou no tablet. Para evitar exageros, a mãe decidiu impor regras para as meninas: elas só podem jogar uma hora por dia. “Temos um combinado. Elas só jogam depois de terminar a lição e, se for semana de prova, estão proibidas de ficar no videogame”, conta Carla.

Mas nem sempre o “combinado” consegue ser cumprido com facilidade, especialmente com os adolescentes e com as crianças que não ficam sob supervisão dos pais o dia inteiro. Nestes casos, a psicológa comportamental Angelica Capelari, professora do curso de Psicologia da Universidade Metodista (SP), aconselha agir com firmeza e não atender a chantagens do tipo “só mais um pouquinho”. “Se os pais cederem, estarão ensinando aos filhos que insistindo vão conseguir tudo o que querem”, diz.

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