Tabela de valores calóricos não influencia escolha dos pais por refeições mais saudáveis para seus filhos

Fast food: valor nutricional não mudou as escolhas dos pais
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Fast food: valor nutricional não mudou as escolhas dos pais
De acordo com um novo estudo norte-americano, as informações sobre o valor calórico das refeições nas redes de fast food aparentemente não levam pais de crianças pequenas a escolher opções menos engordativas. As tabelas nutricionais tampouco influenciaram os adolescentes.


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Pesquisadores analisaram os pedidos realizados em quatro redes de fast food de Nova York antes e depois de uma nova lei, que obriga os estabelecimentos a informar o valor calórico de cada item do cardápio, entrar em vigor na cidade. Eles constataram que a nova legislação não foi muito eficaz na redução da ingestão calórica.

“Não notamos uma mudança na quantidade de calorias consumidas antes e depois da nova lei entrar em vigor”, disse Brian Elbel, professor assistente de medicina e saúde pública da Escola de Medicina da Universidade de Nova York e autor do estudo.

“O valor calórico exibido nos cardápios não vai resolver o problema”, disse ele. Além das iniciativas por parte dos restaurantes, serão necessários métodos adicionais para combater a obesidade infantil, como informar aos consumidores a quantidade ideal de calorias por refeição, ele complementou.

Os pesquisadores ressaltaram que as refeições do tipo fast food já foram relacionadas ao aumento nos índices de obesidade infantil e entre os adolescentes. Mesmo visualizando as informações sobre o valor calórico das refeições da mesma forma que os adultos, os adolescentes continuaram escolhendo as mesmas refeições.

As descobertas foram publicadas no dia 15 de fevereiro no site do periódico “International Journal of Obesity”.

Metodologia

Como parte da reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos, os restaurantes com mais de 20 filiais deverão informar o valor calórico de cada item do cardápio. A cidade de Nova York foi a pioneira da iniciativa, lançando o programa em julho de 2008.

Durante duas semanas daquele verão norte-americano, Elbel e sua equipe analisaram os pedidos realizados por 349 crianças e adolescentes, de 1 e 17 anos de idade, em áreas de baixa renda das cidades de Nova York e Newark (Nova Jersey), antes e depois do valor calórico dos pratos ser exibido (a lei não entrou em vigor na cidade de Newark na mesma época).

McDonald’s, Burger King, Wendy’s e Kentucky Fried Chicken (KFC) foram as redes de fast food analisadas no estudo.

Os pesquisadores pediam aos consumidores que entravam nos restaurantes para lhes mostrarem o recibo de compra na saída e responderem a algumas perguntas. Antes de fazer o pedido os consumidores não sabiam qual o tema da pesquisa.

Adolescentes

Um total de 57% dos adolescentes de Nova York disseram ter percebido a inclusão das informações no cardápio, mas apenas 9% levaram as mesmas em conta ao fazer o pedido.

Os adolescentes consumiram uma média de 730 calorias por pedido antes dos valores calóricos serem exibidos no cardápio e 755 depois. Aproximadamente 35% dos adolescentes disseram que consumiam fast food seis ou mais vezes por semana. Quase três quartos disseram que o gosto tinha influência sob o que pediam.

No caso dos pais que adquiriram refeições para seus filhos pequenos, o valor calórico do pedido foi de 610 antes e 595 depois da lei entrar em vigor – redução insuficiente em termos estatísticos. Para muitos consumidores, a conveniência da localização levou à escolha do restaurante.

Limitações

A pequena abrangência do estudo foi vista como uma limitação pelos autores, por isso eles sugerem que uma pesquisa de abrangência nacional seja conduzida uma vez que a nova lei entre em vigor em todo o território norte-americano.

Mas um estudo conduzido pelo pesquisador Pooja Tandon, da Universidade de Seattle, nos EUA, encontrou resultados conflitantes. Publicado no ano passado, o estudo mostrou que pais informados quanto ao valor calórico das refeições em restaurantes fizeram pedidos com cerca de 100 calorias a menos para seus filhos. As crianças tinham de 3 a 6 anos de idade. A diminuição seria suficiente para fazer alguma diferença a longo prazo.

Depois de revisar os resultados da nova pesquisa, Tandon afirmou que talvez seja necessário realizar um acompanhamento mais longo depois da alteração dos cardápios, para se observar alguma diferença. “É possível que exposições repetidas sejam necessárias antes de observarmos uma mudança de comportamento. Ou talvez os restaurantes necessitem de mais tempo para reformular suas opções”, disse ele.

Para outro especialista, a nova pesquisa sugere que as famílias precisam receber informações sobre saúde antes de visitarem as redes de fast food. “Uma vez que foi decidido ir a um restaurante de fast food, informações nutricionais aparentemente não causam mudanças nas escolhas”, disse Connie Diekman, diretora do departamento de nutrição da Universidade de Washington em St. Louis, nos Estados Unidos.

O estudo mostra a necessidade de disponibilizar melhor educação sobre o que é uma alimentação saudável e qual o consumo calórico apropriado por refeição, concluiu ela.

(Tradução: Claudia Batista Arantes)


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