Pesquisa revela que crianças com problemas de comportamento estão mais propensas a terem dor crônica generalizada na idade adulta

Crianças com problemas de comportamento estão mais propensas a terem dor crônica
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Crianças com problemas de comportamento estão mais propensas a terem dor crônica
Cientistas da Universidade de Aberdeen, na Escócia, analisaram a vida de cerca de 19 mil pessoas e descobriram que más experiências no início da vida podem ocasionar mais problemas do que se imagina. Crianças muito desobedientes ou que cometem bullying escolar, por exemplo, correm maior risco de sofrerem de dor crônica no futuro.

O estudo examinou o comportamento dos participantes até os 16 anos de idade. Com a ajuda de pais e professores, os pesquisadores procuraram indícios de qualquer sinal de problema, como dificuldades em fazer amigos, desobediência, roubos, mentiras, falta às aulas, entre outros.

Ao chegarem à faixa dos 40 anos, os mesmos indivíduos responderam a dois questionários, um sobre angústias psicológicas e outro sobre dor. Com isso, foi descoberta a ligação entre as dificuldades vividas na infância e as dores crônicas generalizadas. Aqueles que haviam apresentado problemas contínuos de comportamento estavam duas vezes mais propensos a sofrerem de dor crônica generalizada do que aqueles que eram bem-comportados na infância.

A BBC britânica informou que, de acordo com Dr. Dong Pang, pesquisador líder do estudo, a única relação feita até então entre infância e dor crônica generalizada na vida adulta era pela ocorrência de graves eventos vividos nos primeiros anos de vida, como uma hospitalização após um acidente de trânsito ou a separação da mãe.

O mau comportamento infantil também pode estar associado a outros problemas na vida adulta, principalmente psicológicos, como depressão, ansiedade e abuso de substâncias. Há a possibilidade de que todos estes problemas, de acordo com os pesquisadores, estejam relacionados a uma disfunção no sistema cerebral que ajuda a regular a resposta do organismo a situações estressantes. Porém, ainda faltam pesquisas que confirmem a hipótese. 

“Estes estudos oferecem excelentes oportunidades para o desenvolvimento de intervenções precoces que aliviem os sintomas da dor crônica na vida adulta”, afirmou o Dr. John McBeth, especialista em dor da Universidade de Manchester, na Inglaterra.

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