O momento de lazer na escola é muito importante e os pais devem ficar atentos ao que acontece com a criança

A hora do recreio, quando as crianças se encontram livres, acaba propiciando problemas diversos
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A hora do recreio, quando as crianças se encontram livres, acaba propiciando problemas diversos

Aprender a conviver e socializar com outras crianças é o principal objetivo desta parte do dia, além da necessidade de um descanso dos livros e conteúdo das matérias. Para Adriana Melo, coordenadora Pedagógica do Colégio Pentágono, em São Paulo, é na hora do recreio que a criança acaba colocando em prática o que aprende didaticamente em sala de aula. “Já vi surgir movimentos ecológicos no intervalo, com alunos se tornando fiscais da natureza, por exemplo”, explica Adriana.

A escola paulistana promove a integração entre os alunos do 2º e 5º ano com um recreio dirigido, proposta que veio à tona na década de 1990, em que as crianças são orientadas por um adulto em diferentes atividades. “Fazemos brincadeiras folclóricas, com bolas, jogos de tabuleiro, e há dias em que eles podem trazer o próprio brinquedo. Dividimos o espaço para isso”, afirma a Coordenadora. “Mas eles também possuem momentos livres se preferirem”, completa.

Para Adriana, principalmente no início do ano letivo, o recreio acaba virando a chave para a socialização entre as crianças. “Por meio das diferentes atividades que oferecemos, acaba se tornando um pretexto para eles se relacionarem”, explica. Silvana Leporace, coordenadora do Serviço de Orientação Educacional do Colégio Dante Allighieri, em São Paulo, completa que o papel da escola também é ensinar às crianças a importância do convívio. “É quando eles aprendem a esperar e cedem lugar ao outro em diferentes situações”, completa.

Segundo Silvana, dentro do núcleo familiar tudo acaba sendo mais homogêneo. “Na escola, o grupo é maior e eles vão realmente aprender o que é respeitar o outro e ter o próprio espaço”, afirma. E também é a hora administrar os conflitos entre as crianças. Principalmente no caso de filhos únicos, que ainda não tiveram um contato frequente com outras crianças e podem estranhar a falta de atenção individualizada.

Convivência posta em xeque

Para Adriana, a geração superprotegida pelos pais possui uma dificuldade maior para se relacionar, embora possa ser uma característica própria da criança. Mas não é somente este o problema que pode acabar transparecendo mais na hora do recreio: meninos que não querem que o colega entre para o futebol ou meninas que não querem andar com outra colega de sala, por exemplo, são acontecimentos comuns. Nesses casos, a coordenadora do Pentágono sugere uma relação estreita entre pais e escola. “A parceria é imprescindível para contornar problemas mais graves, como o isolamento ou a discriminação que uma aluno pode sofrer”.

A hora do recreio, que é quando eles se encontram livres do ambiente domiciliar e da sala de aula, acaba propiciando problemas diversos. Crianças mais fechadas ou mais extrovertidas acabam vivenciando-os mais que as outras, segundo Adriana. “É preciso ajudar a administrar tudo isso”, explica.

E os pais possuem um papel fundamental junto ao filho. “Além de não tacharem a escola como o bicho papão da história, que não consegue integrar a criança, os pais também devem levar as crianças para brincar mais, seja na pracinha ou parquinho do prédio”, afirma. Ainda, os pais devem encorajar os filhos a enfrentarem as situações, e não apenas alimentar a timidez ou a falta de integração. Dizer “ele é assim mesmo” não irá ajudá-lo no aprendizado da socialização.

A conversa, nesta hora, é fundamental. De acordo com Silvana, os professores e os pais devem conversar muito para as crianças cooperarem umas com as outras e se conhecerem melhor. “Nós observamos as situações e batemos um papo para as crianças darem chances àqueles amigos mais quietos ou àquele novo na escola”, explica. “Mas não é sermão”, afirma. Uma conversa de duas vias é a melhor saída, e os pais precisam também trabalhar esta questão. “Escutar a criança, refletir com ela e mostrar a importância da boa convivência com os colegas ajuda muito”, afirma Silvana.

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Segurança na brincadeira

O recreio também é a hora em que as crianças podem se machucar fisicamente. Para Ana Beatriz Bontorim, Coordenadora de Projetos da ONG Criança Segura, a direção da escola e os pais devem estar atentos às condições das estruturas e à organização do local. “Degraus muito salientes e sem sinalização ou cozinha com acesso fácil, por exemplo, podem causar danos sérios”, explica a especialista.

Novamente, a comunicação entre os pais e professores é essencial. “A escola deve estar aberta para ouvir os pais e atenta ao plano de segurança, que é tão importante quanto a educação”, afirma Ana Beatriz. Além da conservação da estrutura escolar, como parquinho com a manutenção em dia e mobiliário em perfeitas condições dentro das salas de aula, deve haver um ambulatório para atender possíveis emergências.

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