Número de mulheres que se tornaram mães com mais de 40 cresceu 27% nos últimos quarenta anos

Mulheres que optam pela gravidez mais tarde são
amparadas pelos avanços médicos
Getty Images
Mulheres que optam pela gravidez mais tarde são amparadas pelos avanços médicos
Não há como evitar: o avanço da idade diminui as possibilidades de uma mulher engravidar. É biológico. Enquanto até os 30 anos a chance mensal de gestação é estimada em 20%, após os 40 este número se reduz a 5%, acompanhado do aumento das probabilidades de um aborto espontâneo.

Com o envelhecimento, o corpo passa por transformações naturais e ocorre um consequente declínio da fertilidade. Segundo o ginecologista e obstetra Aléssio Calil Mathias, diretor da Clínica Genesis, em São Paulo, com o passar dos anos os óvulos se tornam menos capazes de serem fecundados por espermatozóides. Há uma série de razões para isso, como condições médicas e mudanças na função ovariana. Também crescem as chances de problemas ginecológicos, como infecções pélvicas e endometriose, que podem diminuir a fertilidade.

Dentre tantos fatores que dificultam a gravidez após os 40 anos, os riscos de modificações genéticas aumentam. “Crianças com Síndrome de Down, que corresponde a alterações cromossômicas, normalmente nasceram de mulheres mais velhas. Esta possibilidade vai se agravando a partir dos 35 anos”, afirma Aléssio.

E as dificuldades aumentam. Segundo o especialista, existem muitos casos nestas condições que evoluem com um quadro de aborto espontâneo, principalmente por culpa de má formação cardíaca do feto.

No entanto, o número de mulheres grávidas depois dos 40 vem aumentando desde a década de 90. Muitas querem ter filho mais tardiamente, quando já estão bem estabelecidas e bem preparadas.

Para elas, se contarem com um acompanhamento médico adequado, tudo é possível. “Para estes casos, o mais importante é procurar um obstetra ou ginecologista antes da concepção, com aproximadamente três meses de antecedência”, diz Aléssio. “Para fazer todos os exames de laboratório (hemogramas, tipagem sanguínea, sorologias, exames de urina) e exames preventivos, para constatar se há ou não problemas como diabetes, hipertensão, problema na tireóide”, completa.

Há, ainda, situações mais delicadas, mas que já possuem o apoio de clínicas de reprodução humana. Por meio de tratamentos como indução da ovulação, fertilização in vitro, doação de óvulos, doação temporária de útero ou até a inseminação artificial, as chances das mulheres que já passaram dos 40 engravidarem aumentam consideravelmente. No último caso, por exemplo, a chance de sucesso é de 30%, dependendo da paciente.

Como a probabilidade do surgimento dos problemas de saúde cresce a partir dos 40 anos, manter a saúde em dia é estritamente necessário. “Quando uma paciente é saudável, faz exercícios físicos sempre, se alimenta bem e não apresenta obesidade, normalmente evolui perfeitamente”, confirma o ginecologista.

    Leia tudo sobre: gravidez
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.