Autores renomados como José Saramago, Clarice Lispector e Liev Tolstói também escreveram livros para crianças

Mesmo quem não teve contato com a literatura pode ser um contador de histórias de talento
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Mesmo quem não teve contato com a literatura pode ser um contador de histórias de talento
Encantar crianças com boas histórias é o desejo de vários escritores, professores e pais. Mas para conseguir o brilho nos olhinhos das crianças existe um segredo. “É preciso se conectar com o mundo infantil. Até o Nobel da literatura, José Saramago, admitiu que não sabia que era tão difícil escrever para crianças”, afirma o escritor e contador de histórias Ilan Brenman.

Muitos autores se interessam pela literatura infantil em casa, com seus filhos. Foi o caso de Clarice Lispector, que associou suas obras infantis a Pedro e Paulo, seus dois filhos, nascidos em 1948 e 1953, respectivamente. Outros escritores clássicos, como Oscar Wilde e Jorge Amado, também voltaram seus olhos para o público infantil. Mas, se você pretende apresentá-los a seus filhos, o encontro precisa ser natural. Para Brenman, a palavra “clássico” pode assustar o pequeno leitor. "O ideal é narrar cenas que possam despertar o interesse pelo enredo da história, assim, a curiosidade das crianças pelo livro se torna uma consequência".

A criança que lê e ouve histórias tem a possibilidade de ampliar seus horizontes. Esse é um dos esclarecimentos que a psicóloga Cássia Franco dá sobre a importância da literatura no mundo infantil. "As crianças passam não só a ter referência para a resolução de problemas em outras fases da vida, mas também adquirem instrumentos para se tornarem cidadãs".

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Relação facilitada

Tanto Brenman quanto Cássia afirmam que, ao aproximar histórias literárias do cotidiano das crianças, a relação dos pequenos com os livros é facilitada. "Ter livros em casa, levar as crianças para uma livraria e também ler livros é importante, a criança observa o ambiente em que vive. Por mais clichê que possa parecer, o exemplo ainda é bastante importante", afirma o contador de histórias.

A psicóloga sugere ainda a aproximação da história à realidade. Se um livro trata de flores, ir para o jardim no momento da leitura pode encantar a criançada, que aprende mais na ação.

Contador em casa

Muitos pais não tiveram a oportunidade de contato ou não possuem interesse genuíno pela literatura, mas isso não é obstáculo para os pais interessados em apresentar seus filhos ao fértil mundo das histórias. Brenman afirma que não é só um contador que sabe narrar uma cena de forma interessante. Contar histórias é natural em todos nós e fazemos isso o tempo todo – como ao chegar em casa e falar sobre o dia no trabalho ou ao relembrar uma travessura de um primo em família. Pode confiar no seu talento.

Cássia ainda sugere começar contando histórias de família, de outros povos e, gradativamente, fazer associações com livros e grandes escritores – sempre atento a manter a fantasia do mundo da criança, com cuidado para não 'adultizar' seu filho cedo demais. “A infância e sua fantasia são fundamentais para o desenvolvimento da criança”, explica a psicóloga.

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