Apesar das vantagens ambientais e de um mercado modesto, poucas mães adotam alternativas às fraldas descartáveis no país

Adélia optou pelas fraldas biodegradáveis para Rafael
Arquivo pessoal
Adélia optou pelas fraldas biodegradáveis para Rafael
Até os dois anos de idade, um bebê chega a consumir mais de cinco mil fraldas descartáveis. Cada uma delas leva quase 500 anos para se decompor depois de ser jogada fora. Não à toa, o uso de fraldas ecologicamente corretas está ganhando cada vez mais força no Brasil e, principalmente, no exterior.

A opção preferida dos pais preocupados com o meio ambiente é o clássico modelo de pano, muito usado nos tempos das nossas avós. Reutilizável – basta lavar que ela está nova –, ganhou a simpatia de muitas famílias. Uma prova disso é que, segundo uma pesquisa da publicada em 2008, só na Grã-Bretanha o consumo de fraldas de pano quadruplicou nos primeiros anos do século 21.

Aqui no Brasil a moda ainda caminha lentamente, mas já é possível perceber o seu crescimento. A engenheira química Bettina Lauterbach, uma das primeiras a investir na produção de fraldas biodegradáveis no Brasil, conta que, desde que começou a comercializar o produto, há cerca de cinco anos, o consumo aumenta gradualmente, apesar de ainda estar longe do ideal. “Poderia ser maior, com certeza. Vendemos, em média, em torno de 500 fraldas por mês", diz. No início, Bettina não chegava a vender nem 50 modelos.

Bettina, que já confeccionava slings – aquelas faixas de pano que seguram o bebê junto ao corpo –, passou a fabricar fraldas com materiais biodegradáveis. “Fomos pioneiros na confecção de slings e hoje já temos o registro de desenho industrial para eles. A família que opta por usar um sling é uma família com perfil diferenciado. Recebíamos muitas solicitações questionando se poderíamos fabricar fraldas biodegradáveis. Pesquisamos e percebemos que poderíamos desenvolver algo nosso, com uma carinha mais brasileira, com nossos materiais”, conta.

As vantagens apontadas pela empresária para o uso das fraldas ecologicamente corretas são conforto para o bebê, economia e, é claro, a questão ambiental. Por outro lado, as fraldas são mais caras – e o intervalo entre as trocas deve ser menor. “É preciso ter prioridades e estar muito convicto da sua escolha para que o processo dê certo. Não há nada complicado na questão das fraldas, apenas o envolvimento em termos de tempo”, acredita ela.

Ruy Pupo Filho, pediatra e neonatologista, autor do livro “Como Educar Seu Filho”, endossa as palavras de Bettina e afirma que, por enquanto, não é nem possível dizer se o uso de fraldas de pano ou de materiais biodegradáveis traz algum benefício para o bebê. “Seu uso ainda é recente e não permitiu que se estude se há realmente vantagens. O foco do uso destas fraldas é na questão ambiental”, explica. A pediatra antroposófica Rita Rahme completa dizendo: “Ainda não observei essa mudança de hábitos em minha prática clínica - nem o retorno de fraldas de pano, nem o uso das biodegradáveis”.

A pediatra Rita Rahme confessa ainda não estar convencida se o uso das fraldas de pano é realmente tão benéfico. “Deveríamos fazer estudos para conhecer os custos ambientais delas, já que há uso de sabão e de energia para lavar e passar. Conheço apenas um estudo inglês nesse sentido, que não foi capaz de comprovar vantagens significativas”, fala.

Quem consome, aprova

A brasileira Adélia Lundberg, 30 anos, mora em Paris, na França, há dois anos e meio e é adepta das fraldas ecologicamente corretas. Ela conta que se interessou pela ideia quando ainda estava grávida. “Durante a gravidez, li muito sobre as fraldas laváveis, ouvi opiniões de muitas mães que utilizam essas fraldas e achei a solução realmente interessante. Nos primeiros meses do meu bebê, porém, acabei esquecendo um pouco o assunto, mas depois fiquei irritada com os quilos e quilos de fraldas descartáveis jogadas no lixo e resolvi tentar as fraldas laváveis. Estou muito satisfeita com a experiência e arrependida de não ter começado antes”, relata.

Adélia diz que conseguiu perceber vantagens quando trocou os modelos descartáveis pelos laváveis. “O meu bebê nunca mais ficou com o bumbum irritado, por exemplo. Muitos acham que elas não são tão ecológicas assim, pois é necessário gastar água e energia para lavá-las. Isso é verdade, porém, só até certo ponto, já que as pessoas se esquecem de levar em conta toda a água e energia gastas no processo de fabricação das fraldas descartáveis.”

A brasileira revela que não observou um interesse dos amigos e familiares brasileiros no assunto e que acredita que, quando fala dos modelos laváveis, as pessoas associam às fraldas de pano que precisavam ser presas com alfinete. “Mas as modernas não têm nada disso! São muito mais práticas e se parecem muito com as descartáveis. Gosto de compartilhar a minha experiência para mostrar para outras pessoas que essa pode ser uma alternativa ecológica e econômica”, garante.

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