Ter uma m?e supercompanheira pode ser o sonho de qualquer filha. Mas quando os papeis se misturam, a rivalidade pode aparecer

M?es e filhas podem se tornar grandes rivais
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M?es e filhas podem se tornar grandes rivais
A inglesa Janet, de 50 anos, não poupou esforços e muito menos dinheiro. Gastou 10 mil libras em cirurgias plásticas para ficar igual à filha Jane, de 22. “Pode soar insano, mas ela é linda. Quem não gostaria de se parecer com ela?“, justificou. A inglesa confessa que sentia inveja dos cabelos da filha e dos olhos sem rugas. Sem pensar duas vezes, foi direto para a mesa cirúrgica e ainda renovou todo o guarda roupa.

Atualmente, as mulheres podem contar com inúmeros procedimentos que atenuam a idade e ajudam a deixar a aparência muitos anos mais nova. Ser confundida com a filha pode não ser tão grave. Mas quando a questão se transforma em disputa, a tendência é causar um verdadeiro caos na vida das duas.

A estudante de gastronomia Julia Guimarães, 23 anos, viu a relação com sua mãe se transformar em guerra. Depois que a decoradora Claudia Guimarães, 46, passou a frequentar os meus lugares que a filha, malhar com as amigas e até viajar para a praia com a galera, Julia entrou em depressão. “Parecia que a gente vivia sempre em uma competição acirrada. Ganhei mais uma amiga, sim. Mas perdi a minha mãe. Depois de algumas conversas e sessões de terapia familiar, aprendemos o espaço de cada uma”, conta a estudante.

Fora das asas
Permitir que a filha tenha uma vida própria, sem ter que passar 24 horas embaixo das asas da mãe, é extremamente importante para o desenvolvimento. “As filhas não podem ficar sem espaço para se desenvolver, é a vez delas errarem, delas descobrirem o mundo masculino. A mãe deixa o papel de orientadora e quer ser amiga, mas não é disso que as jovens precisam neste momento", explica a psicóloga e terapeuta familiar Ana Maria Zampieri.

A economista Tereza Schimitz, 42 anos, engravidou aos 15 anos. Hoje, sua filha Laura Schimitz , 27 anos, convive com comentários quase diários sobre parecer ser irmã da sua mãe. Até aí, nada a incomodava. O problema apareceu depois que Laura resolveu seguir os passos de Tereza e também se tornou economista.

“Minha mãe perdeu o emprego justamente quando eu saía da faculdade. Passamos a disputar inúmeras vagas e até participamos juntas de cinco processos seletivos. Em um deles, justamente o mais interessante pra mim, ela ficou com a vaga. O trabalho não deu certo e, depois de dois anos, ela foi até o meu trabalho pedir para que eu arrumasse um lugar pra ela no mesmo setor. Minha vida virou um inferno”, conta Laura.

Tereza confessa que estava confusa em relação à sua vida e que sentia inveja por ver a sua ‘pequena’ (como ela a chama) conquistando espaço e subindo profissionalmente. “Além disso, a nossa pequena diferença de idade e a aparência semelhante me faziam sentir que eu ainda tinha 23 anos. Agia feito uma adolescente”, conta a economista.

A baixa autoestima e a crise da meia idade podem deixar a situação ainda mais difícil: “Mães que não estão suficientemente amadurecidas e resolvidas quanto aos seus desejos e emoções podem ter dificuldade em desempenhar este papel. Nestes casos, vemos filhas buscando realizar as aspirações de suas mães sem se dar conta disto ou mãe e filha que passam a competir como mulheres. Competem pela beleza, competem pela realização profissional”, explica a psicóloga Laila Pincelli, especialista em Terapia Familiar e de Casal, que atende na Clínica da Mulher.

Laços de família
Não é só na novela que coisas assim acontecem: a assessora Andreia Maia, 26 anos, se sentiu apunhalada pela mãe quando o seu namorado confessou estar apaixonado pela sogra. A mãe garantia que não havia feito nada para conquistá-lo, mas a insistência em sempre participar da vida do casal deixava Andreia desconfiada.

“Em qualquer lugar que a gente ia, ela queria estar junto. Em casa, sempre que assistíamos a um filme no sofá, ela fazia questão de sentar ao nosso lado. Quando comprava roupas, sempre pedia a opinião do Beto. Eu estranhava a relação”, conta Andreia.

O susto veio quando o namorado resolveu colocar um ponto final no namoro e explicar o motivo. “Quase desmaiei de nervoso. Não acreditava no que ouvia. O pior foi escutar da boca da minha mãe que ela sentia atração por ele”, relembra a assessora. O namoro entre ex-namorado e mãe não aconteceu, mas essa ‘invasão’ causou um conflito até hoje insuperável.

“Tanto mãe quanto filha precisam ter espaço para suas realizações individuais. Precisam permitir uma à outra um distanciamento e proximidade saudáveis. Se o atrito entre ambas impede o diálogo franco, a ajuda de um profissional psicólogo pode auxiliá-las a perceber onde a relação necessita de ajustes”, explica Laila.


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