Segundo pesquisa, meninas que crescem em lares de alta renda e sem a presença do pai desenvolvem-se mais depressa

Sem a presença do pai, meninas entram na puberdade precocemente: risco de câncer aumenta mais tarde
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Sem a presença do pai, meninas entram na puberdade precocemente: risco de câncer aumenta mais tarde
Um novo estudo norte-americano mostrou que garotas que crescem sem a presença do pai biológico, em lares de renda familiar mais alta, são mais propensas à puberdade precoce.

“Em famílias de alta renda, a ausência do pai foi um prognóstico de puberdade precoce. O mesmo não ocorreu em famílias de baixa renda, também sem a presença do pai”, disse Julianna Deardorff, chefe do estudo. Ela completou: “A probabilidade de atingir a puberdade precocemente foi duas vezes maior em garotas que cresceram sem a presença do pai em famílias de poder aquisitivo mais alto. Um dos sinais analisados nas meninas foi o desenvolvimento das mamas”. Os pesquisadores definiram como alto poder aquisitivo uma renda familiar anual superior a US$ 50 mil.

A maturidade precoce das meninas está ligada a problemas emocionais e ao uso de substâncias, além do início das atividades sexuais mais cedo. Tais garotas também correm maiores riscos de, mais tarde, desenvolver câncer de mamas, além de outros tipos de câncer ligados ao aparelho reprodutivo.

Segundo Deardoff, professora assistente de saúde pública da Universidade da Califórnia em Berkeley, estudos anteriores já haviam relacionado a ausência paterna à puberdade precoce, mas as recentes pesquisas trazem novas informações. “Nós observamos sinais bem iniciais, como o desenvolvimento das mamas e dos pelos pubianos”. Segundo informações contidas no novo estudo, outros pesquisadores focavam no início da menstruação sem observar fatores como renda familiar e etnia.

As meninas estão chegando à puberdade mais cedo nos Estados Unidos, onde a idade média da primeira menstruação é aos 12 anos de idade. Pesquisas recentes constataram que algumas garotas já começam a ter o desenvolvimento dos seios aos 7 ou 8 anos.

Conexões misteriosas

Para este estudo, Deardorff e seus colegas acompanharam 444 garotas, entre os 6 e os 8 anos de idade, e suas mães. Foram reunidos dados bastante abrangentes sobre fatores como peso, altura, estágio de desenvolvimento dos seios e dos pelos pubianos, presença paterna e renda familiar. Dentre as participantes, 80% relataram que o pai não morava com a família.

Após dois anos de acompanhamento, os pesquisadores observaram o início do desenvolvimento dos seios mais cedo em garotas que cresceram em lares sem a presença paterna e de renda familiar mais alta. A presença de outro homem em casa, como um padrasto, não alterou as constatações.

Como pesquisadores anteriores, eles também constaram que um índice de massa corporal mais alto (IMC), cálculo baseado no peso e na altura do indivíduo, também estava relacionado com a puberdade precoce.

Os autores do estudo afirmaram que as razões que estão por trás destas conexões são apenas suposições. Uma das teorias é a maior exposição à luz artificial de TVs e computadores. Dentre outras possibilidades, estão a fragilidade dos laços maternais, levando em conta que mães solteiras têm uma longa jornada de trabalho, ou ainda o contato com agentes químicos que podem ter efeitos estrogênicos – como produtos para alisamento de cabelos, no caso das pré-adolescentes de raça negra.

“É possível que as meninas destas famílias sofram diferentes tipos de exposição ambiental, como a toxinas, por exemplo,” disse Deardorff. Elas também podem sofrer maior exposição aos cosméticos e a outros itens de cuidado pessoal, por exemplo. Alguns especialistas já demonstraram preocupação em relação a químicos presentes nestes produtos que podem interromper o processo hormonal.

Antecedentes

Anthony Bogaert, professor de ciências da saúde comunitária da Brock University de St. Catharines, Canadá, relatou uma ligação entre a ausência paterna e a puberdade precoce em meninos e meninas na revista especializada Journal of Adolescente em 2005.

Ao observar uma amostra nacional, ele constatou que os adolescentes de 14 anos que tinham crescido sem a presença paterna provavelmente tinham chegado à puberdade mais cedo. Em seu estudo, ele definiu a puberdade feminina como a primeira menstruação e a masculina como a alteração de voz.

“É difícil saber por que ocorre tal relação – por exemplo, o estresse, os genes – por isso mais estudos devem ser realizados sobre o mecanismo exato que está por trás desse fato”, disse ele. Ele completou que o novo estudo é uma adição interessante ao que já foi publicado sobre o mesmo tema.

Até que as causas destas conexões sejam determinadas pelos pesquisadores, Bogaert disse que é prematuro oferecer sugestões. Por outro lado, Deardorff sugeriu prestar atenção em outras ligações, como o IMC mais alto e sua associação à puberdade precoce. “Provavelmente, um dos alvos principais será o peso corporal e a atividade física (para a manutenção de um peso saudável)”, disse ela.

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