Mães de gêmeos, trigêmeos e quadrigêmeos se reúnem para celebrar e mostram que, mesmo fisicamente idênticos, eles não são iguais

Majoy Antabi, criadora do Portal Múltiplos, e os trigêmeos Laila, Henry e Maia
Edu Cesar/Fotoarena
Majoy Antabi, criadora do Portal Múltiplos, e os trigêmeos Laila, Henry e Maia
Pouca gente sabe, mas desde 2007 o dia 18 de março é oficialmente o Dia dos Múltiplos. Os trigêmeos Henry, Laila e Maia, de nove anos, têm muito a comemorar ao lado da mãe, a empresária Majoy Antabi. Ao ficar grávida, Majoy não tinha a menor ideia de como cuidar de três bebês ao mesmo tempo. Para dividir a experiência, criou o Portal Múltiplos , que hoje reúne informações e conecta mais de 8 mil mães com aventuras parecidas à dela. Com isso, não poderia faltar uma celebração. E foi o que aconteceu no último domingo, em São Paulo (veja fotos na galeria ao final da página) .

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O evento aconteceu em um buffet infantil em São Paulo e contou com a presença de aproximadamente 100 famílias de múltiplos, com diversos pares de crianças idênticas correndo de um lado para o outro e participando de concursos – como o dos gêmeos mais idênticos e o dos gêmeos mais diferentes –, além de pais dispostos a compartilhar as dificuldades e as alegrias de terem gêmeos, trigêmeos e até quadrigêmeos.

A iniciativa também deu espaço para a arrecadação de fralda , leites e alimentos não-perecíveis para famílias carentes com múltiplos. Afinal, nem sempre é fácil descobrir que virão dois ou três a caminho. Muito menos quatro.

Elisangela Soares de Souza com os gêmeos idênticos (e são-paulinos) Enrico e Enzo: roupas iguais só em dia de jogo
Edu Cesar/Fotoarena
Elisangela Soares de Souza com os gêmeos idênticos (e são-paulinos) Enrico e Enzo: roupas iguais só em dia de jogo


Sandreia Angerani, de 46 anos, que o diga. Ao descobrir que seria mãe de quadrigêmeos, conta que levou um susto que nunca mais passou. Foram dois anos praticamente sem dormir e hoje, com quase nove anos do nascimento dos quatro, comenta que o mais difícil é lembrar-se de tratar Luca, Luigi, Ana Luisa e Ana Beatriz diferentemente, de acordo com suas particularidades. Afinal, eles podem ter nascido no mesmo dia, mas não são iguais.

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E não é somente com os quadrigêmeos de Sandreia que isso acontece. A fonoaudióloga Andréa Sarmazo, de 39 anos, concorda. Mãe de Maria Eduarda, Arthur e Otávio, de cinco anos, ela afirma que cada tem suas preferências, desde a hora de brincar à hora de comer.

Irmãos se preparam para desfilar no concurso: camisetas brincam com a condição dos gêmeos
Edu Cesar/Fotoarena
Irmãos se preparam para desfilar no concurso: camisetas brincam com a condição dos gêmeos
Iguais, mas diferentes


A atendente Elisangela Soares de Souza, de 33 anos, só não confunde os filhos Enrico e Enzo, de um ano e seis meses, por já identificar melhor os detalhes físicos de cada um: “Um é um pouco mais gordinho que o outro”.

No entanto, em dias de jogo do São Paulo, time para o qual a família torce, fica mais complicado ter certeza logo de cara de quem é quem: ambos colocam a camiseta do time. Mas roupas iguais, só em dia de jogo. “Eu evito vestir os dois iguais, na verdade. Se não eu confundo”.

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A consultora em etiqueta e marketing pessoal Ligia Marques, 51 anos, no começo também precisava distinguir seus filhos gêmeos Vinícius e Rubens, hoje com oito anos. O uso de pulseirinhas para identificá-los foi a melhor saída. “Eu chegava a dar mamadeiras duas vezes para o mesmo”. Hoje, ela percebe que um é um pouco mais alto do que o outro. E, mesmo que os dois costumem dormir virados para o mesmo lado, na mesma posição, no quarto que dividem, cada um tem sua individualidade – e ela não pode ser esquecida.

De acordo com Majoy, a principal dificuldade das mães de múltiplos é exatamente essa: não tratá-los como um pacote. “Não podemos rotular”, comenta. É preciso lembrar que até os idênticos serão diferentes e devem ser tratados da forma mais adequada à personalidade e à necessidade pessoal. As gêmeas Gabriela e Rafaela, de nove anos, deixam isso claro logo de cara. “Elas não gostam nem de se vestir com as mesmas roupas”, comenta a mãe e administradora Giselle Kessia Gelschleiter, de 36 anos.



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