Quando a família é grande ou mora longe, fica difícil conseguir conciliar a correria do dia a dia com visitinhas agradáveis

Fam¿lia grande: como arrumar tempo suficiente 
para visitar todo mundo?
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Fam¿lia grande: como arrumar tempo suficiente para visitar todo mundo?
Os pais da professora de dança paulistana Luara M. Silveira, 29 anos, são separados há dez anos. A mãe se casou de novo e construiu uma família nova. O pai teve mais dois filhos e foi morar com a nova esposa em Santos.  E a situação piorou ainda mais depois que ela se casou com o designer Alex Silveira, 33 anos. Os pais do marido também são separados e exigem visitas a todo instante. Imaginou a confusão que é na hora de decidir e arrumar um tempo livre para visitar tanta gente?

“Todo final de semana ou feriado é o mesmo estresse. Tem que visitar a sogra, minha mãe, meu pai, o pai dele. A gente quase não tem um dia livre pra aproveitar a nossa casa, pegar um cinema, namorar”, conta Luara. São quatro casas diferentes e sempre a mesma cobrança. “Não tem uma semana em que um dos nossos pais não liga para dizer sempre a mesma coisa: ‘Vocês nunca aparecem por aqui!’ . Isso porque a gente se esforça muito para encontrar ao menos duas vezes ao mês alguém da nossa família”, conta Alex.

A solução
Os tempos são outros. As configurações familiares se transformaram e as relações dentro delas também. “A família mudou e agora temos mais casas a serem visitadas. E todos tendo o mesmo direito e com quase a mesma necessidade de carinho dos filhos”, conta a psicóloga Martha S. Daud.

Sabendo exatamente dessa necessidade é que Luara e Alex descobriram algumas alternativas para arrumar um tempo para todo mundo e pra eles também. “Definimos que uma vez a cada dois meses a gente reúne todos eles aqui em casa . O espaço é grande, todos se dão muito bem e a gente consegue ficar perto por mais tempo sem receber cobrança”, conta ela.

A especialista também sugere esse tipo de encontro quando pais separados convivem amistosamente: “Um jantar na casa dos filhos pode ser uma solução. O cardápio deve ser o mais prático possível e a sobremesa fica por conta dos papais visitantes. Todos ficarão satisfeitos”, garante Martha.

Viva o skype!

Mas nem sempre o divórcio dos pais é o fator que agrava os encontros. A cineasta Luiza H. Telles, 32 anos, tem uma distância de 300 quilômetros que a separa dos pais. “Eu moro em São Paulo e a minha família em Bauru. Não dá pra ir até lá só para um almoço de domingo ou uma pizza no sábado à noite”, conta ela. Para encontrá-los, Luiza precisa separar um fim de semana inteiro e ficar em função do evento familiar.

Ela garante que adora, mas arrumar um tempo livre é que é o problema. “Os encontros são sempre deliciosos. Só que quase nunca posso liberar um final de semana na minha agenda lotada”, explica a cineasta. Como passa muito tempo sem receber mimos da mãe e trocar conversa com o pai, Luiza apelou para a tecnologia.

“Comprei uma webcam para eles e ensinei meus pais a usarem o Skype. A gente consegue conversar por horas sem gastar, ver o rostinho um do outro e até já fizemos jantares à distância”, conta ela. Tudo para matar a saudade e não gerar um estresse na família. “Se eu fico muito tempo se dar sinal de vida, minha mãe só falta me matar. Com a internet ela fica mais calma”, ri Luiza.

Briga de rodízio
Um problemão aparece quando o casal não se entende na hora de escolher quem será o contemplado da vez com uma visita. Os namorados André Gonçalves, 34 anos e Andressa Taito, 27, sempre entram em uma "DR" quando esse assunto vem à tona.

“Visitar os pais? É discussão na certa. O André é o típico filhinho da mamãe. Se passar duas semanas sem aparecer, minha futura sogra tem um ataque e ele fica cheio de peso na consciência”, conta ela. O namorado rebate: “Lá em casa a questão da família unida é muito importante. Eu prefiro deixar de sair com os amigos ou viajar para encontrar com meus pais. Mas a Andressa não entende. E a gente sempre briga para saber se vamos visitar os pais dela ou os meus . É um saco”, explica André.

Esse tipo de discussão é supercomum. São duas casas para visitar , a vida do casal para curtir e as obrigações pessoais de cada um. Não tem jeito: a solução só vem com muita conversa, compreensão e, claro, revezamento. “Uma semana na casa dos pais dela, em outra semana na casa dos pais dele. É interessante que não seja um dia tão fixo, porque eventualmente poderá ocorrer algum imprevisto e esta data precisará ser alterada. Se isso acontecer, mude o dia naquela semana”, sugere Martha.

Mas às vezes nem o rodízio adianta. Tem família que faz pressão e não entende as necessidades e o tempo disponível dos filhos. A socióloga Thaís S., 28 anos, vive em pé de guerra com a mãe. “A gente mora na mesma cidade, mas nem sempre consigo separar uns diazinhos para encontrar com meus pais. Trabalho de fim de semana e não tenho carro. Meus pais moram na Zona Sul de São Paulo e eu na Zona Leste. Gasto quase duas horas e meia de ônibus para fazer uma simples visita”, conta ela.

A confusão começa quando a mãe começa a bombardear a caixa de emails e lota o celular de recados. “Ela fica muito brava. Me chama de ingrata e relapsa. Faz chantagem o tempo todo, do tipo: ‘Quando eu morrer, quero ver você chorar’. É um inferno”, reclama a socióloga.

Nessas horas é preciso ter um papo franco para que tudo fique muito bem explicado. Converse sobre o seu dia a dia, suas responsabilidades e as dificuldades de estar sempre perto. E deixe muito claro que a ausência não implica em menos amor. “Se você se casou, explique que agora também está formando uma família. Faça com que eles relembrem o início do casamento deles. Isso ajuda a entender”, explica Martha.

Confira algumas dicas para você não se descabelar de tanto estresse e conseguir acertar as visitinhas familiares no meio da sua agenda lotada:

- Já separe com o seu parceiro as datas do ano em que cada um não pode deixar de comparecer na casa dos pais. Aniversários, casamentos, dias especiais. Isso facilita com antecedência a organização da ordem das visitas.

- Você quer ver seus pais e ele os dele? Faça a visita sozinha enquanto ele sai para almoçar com a família dele. Ter um tempo só seu com seus familiares é superpositivo. E evita uma lavação de roupa suja dentro da sua casa.

- Deixar seus pais por dentro do que acontece na sua vida ajuda a matar a saudade. Envie e-mails fofos, fotos da sua casa, do cachorro ou dos filhos. É um jeitinho simples, mas eficiente de estar um pouco mais perto – e de fazê-los entender seu dia a dia.

- Se você tem muito trabalho no fim de semana (e possui um carro), às vezes compensa buscar seus pais e levá-los para a sua casa. Enquanto você tira o atraso do trabalho, sua mãe vai adorar te encher de mimos e fazer uma comidinha para você.

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