Pesquisadores avaliaram comportamento dos pais em vários países. Apesar das leis, crianças continuam sofrendo castigos corporais

Cerca de 80% das crianças em idade primária ainda apanham como medida disciplinar
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Cerca de 80% das crianças em idade primária ainda apanham como medida disciplinar
De acordo com estudos recentes, a repreensão física e outros tipos de castigos corporais ainda são comuns em todo o mundo, mesmo que 24 países tenham adotado a proibição de punições físicas desde 1979.

Os pesquisadores perceberam que as surras diminuíram nos Estados Unidos desde 1975, mas a punição corporal ainda é usada como “disciplina” em cerca de 80% das crianças em idade escolar primária.

“As descobertas são duras. O tratamento de crianças de forma rude se mostrou uma epidemia em todas as comunidades. Nossos dados nos fazem concluir que os maus-tratos ocorrem em todas as nações”, disse o Dr. Desmond Runyan, professor de medicina social da University of North Carolina (UNC), em um comunicado da universidade.

Ele é o autor de um estudo que realizou entrevistas no Brasil, Chile, Egito, Índia, Filipinas e Estados Unidos e descobriu que os índices de castigos corporais são “enormemente mais altos em todas as comunidades do que os índices oficiais publicados em qualquer país”.

Runyan e seus colegas de equipe descobriram que os castigos corporais são mais usados por mães de baixa escolaridade. O estudo apontou, ainda, que os índices de punições físicas variam enormemente de uma comunidade para outra do mesmo país e que castigos cruéis por parte dos pais são tão comuns nos Estados Unidos como em outros países.

Outro estudo, conduzido pelo Dr. Adam J. Zolotor, professor assistente de medicina familiar na UNC School of Medicine, revelou que houve uma queda de 18% no número de crianças que receberam tapas ou surras de seus cuidadores em 2002 em comparação a 1975. Entretanto, 79% dos alunos primários ainda eram espancados em 2002, e quase a metade das crianças de 8 e 9 anos de idade apanhavam com objetos, como uma raquete ou um controle remoto.

Em um informativo da universidade, o professor Zolotor reconheceu um progresso com a queda do uso de formas cruéis de castigo, mas alertou para as consequências maléficas de bater para educar. “Este estudo mostra que os Estados Unidos, diferentemente da maioria dos países de alto poder aquisitivo, teve poucas mudanças no uso de castigos corporais como algo banal. Com o peso das evidências de que as surras são muito mais maléficas do que benéficas, é importante que os pais compreendam a vasta gama de opções disponíveis na educação de seus filhos. Uma boa notícia é que o declínio no uso de formas mais cruéis de castigo é, de certa forma, mais impressionante”.

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