Quantidades menores neurotransmissor no cérebro podem causar a morte precoce se medidas preventivas não forem tomadas, diz estudo

As causas do problema ainda não foram totalmente esclarecidas, mas pesquisadores norte-americanos estão perto de aumentar as chances de prevenir bebês de serem vítimas da Síndrome da Morte Súbita do Lactente (SMLS), popularmente conhecida como morte súbita do recém nascido.

De acordo com um estudo financiado pelos Institutos Nacionais da Saúde dos Estados Unidos, baixos níveis de serotonina, o neurotransmissor responsável, entre outras coisas, pela regulação da respiração, dos batimentos cardíacos e do sono, podem ter um papel determinante para a saúde dos bebês.

O período que vai até o primeiro aniversário da criança é uma fase de muita fragilidade. Neste período, a SMSL representa um grande risco para a vida dos recém-nascidos, principalmente por não estar ligada a nenhuma razão específica e ocasionar uma morte sem explicações.

Para a realização do estudo, pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard e do Hospital Infantil de Boston examinaram pequenas amostras do tecido da região do tronco cerebral, que regula as funções básicas do corpo de 35 bebês mortos por SMSL, cinco mortos por causas diversas e cinco por falta de oxigênio. Com isso, foi descoberto que os níveis de serotonina no primeiro grupo eram 26% mais baixos do que no segundo e terceiro grupos, assim como a quantidade da enzima necessária para a produção do neurotransmissor: 22% a menos em relação aos tecidos de bebês pertencentes aos outros dois grupos.

Os resultados, afirmam os pesquisadores, sugerem que menores quantidades de serotonina podem reduzir a capacidade dos bebês para responder aos desafios da respiração, gerando ainda baixos níveis de oxigênio e altos níveis de dióxido de carbono – justificando a necessidade de crianças nesta fase não dormirem de bruços, o que culminaria na inalação do dióxido de carbono anteriormente exalado.

Posição no berço

“Já sabemos que colocar as crianças para dormirem de barriga para cima é mais eficaz para reduzir os riscos da SMSL”, afirmou Alan E. Guttmacher, diretor do Instituto Nacional da Saúde da Criança e do Desenvolvimento Humano Eunice Kennedy Shriver (NICHD).

Segundo o investigador, os atuais resultados fornecem dicas importantes para finalmente aumentar as chances de identificar crianças que correm mais riscos e também para construir novas estratégias de redução de risco da síndrome.

Lucilia Santana Faria, Coordenadora da UTI Pediátrica do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, explica que antigamente as pessoas tinham o hábito de colocar os filhos para dormir de barriga para baixo, para evitar que a criança aspirasse em caso de vômito e engasgasse. “Mas se provou que a incidência da SMSL era muito maior no grupo que dormia de barriga para baixo”, diz a especialista que ainda completa que a SMLS geralmente está ligada ao quadro respiratório do bebê. “Cientificamente mesmo, até agora, só existiam pesquisas sobre esta questão, da posição na hora de dormir”, completa.

Ainda, Lucilia aponta que, geralmente, a pessoa que possui uma deficiência dos níveis de serotonina pode viver normalmente por muito tempo. “Primeiramente, o baixo nível de serotonina pode não ocasionar nenhum problema, mas na idade adulta este tipo de problema está associado à depressão endógena, por causa biológica”, acrescenta.

Múltiplos fatores

“Nossa pesquisa sugere que a hora de dormir desmascara o defeito do cérebro”, explica a especialista em neuropatologia infantil Hannah Kinney, autora da pesquisa. “Quando a criança está respirando de bruços, ela pode não ter oxigênio suficiente. Um bebê com um tronco cerebral normal iria virar a cabeça e despertar. Mas um bebê com esta anormalidade é incapaz de responder a essa força externa”, completa.

A especialista argumenta, porém, que a SMSL não é causada somente por este fator. Em 88% dos casos da síndrome examinados, os pesquisadores encontraram outros fatores de risco, como a posição do bebê no sono, alguma doença, ou a exposição à fumaça de cigarro.

De acordo com o Centro Nacional de Estatísticas da Saúde dos Estados Unidos, a SMSL é a terceira maior causa de mortes em crianças e no ano de 2006, mais de 2.300 bebês perderam a vida por conta dela.

A Dra. Kinney espera que estes resultados colaborem para a criação de um teste para medir os níveis de serotonina no sangue dos bebês ou origine novas abordagens terapêuticas para as crianças com a anomalia. Enquanto isso, ela afirma que bebês devem dormir de barriga para cima, sem brinquedos, travesseiros macios ou lençóis e roupas em excesso.

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