Não sabe como lidar com seu cão ou gato com a chegada do bebê? Não é necessário se livrar do animalzinho; veja o que fazer

Bebês e animaizinhos de estimação podem
conviver tranquilamente
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Bebês e animaizinhos de estimação podem conviver tranquilamente
Lembra que te disseram que a decisão de criar um bichinho era assumir uma responsabilidade por muitos anos? E é... Toda futura mãe se preocupa, caso tenha um animal e engravide. Afinal, muitos falam dos perigos de ter gatos e cachorros por perto do bebê. Mas nada de se livrar dele! Basta ter cuidado.

Um dos maiores temores é a toxoplasmose na gestação. “Ela pode causar catarata congênita, retardo de crescimento ou mental e até óbito”, alerta a ginecologista Miriam Baeder. “A doença é causada por um parasita que se fixa na parede do intestino animal e libera cistos, eliminados nas fezes”.

Mas não é preciso se desesperar. “Com os exames feitos pelos casais e, principalmente, o pré-natal, é possível fazer um diagnóstico precoce da doença ou a prevenção, se os exames indicarem que a mulher não imune à toxoplasmose”. E essa imunidade é comum. “Se ela não for imune, é preciso repetir os exames durante a gestação e seguir as orientações médicas.”

Miriam ensina que, da mesma maneira que a gestante precisa tomar cuidado com alimentos crus (peixe, carne, ovo) ou mal lavados (verduras e frutas), deve evitar mexer na terra ou limpar as fezes dos animais. “A mulher não deve lidar com a terra sem luvas ou na caixinha onde o gato faz xixi. Deve ter o cuidado de lavar as mãos constantemente e evitar lambidas no rosto”.

Limpeza já

Outra dica é limpar as patas de seus animais quando eles voltam da rua, dar banhos e não permitir que pulem na cama. Em suma, a médica diz que a higiene durante a gestação é fundamental, além de ter atenção aos sinais do corpo. “Se a paciente apresentar febre sem causa aparente, mal estar, dores articulares, gânglios atrás das orelhas ou sintomas de uma simples gripe, sempre deve entrar em contato com seu obstetra”.

Além de médica, Miriam é protetora de animais, ligada à ONG Cão Sem Dono (www.caosemdono.com.br). E diz que não é preciso abandoná-los. “Não podemos esquecer que os animais não são seres descartáveis e não se transformam em perigosos de um momento para outro. Seus donos são responsáveis por mantê-los saudáveis, vacinados e sob supervisão de um veterinário... E os bichos precisam continuar recebendo amor”.

Gatinho, bebê; bebê, gatinho

A presidente da ONG “Adote um Gatinho” (www.adoteumgatinho.org.br), Juliana Bussab, explica que a chegada do bebê pode estressar o felino. “O ideal é ir acostumando o gato devagar. Mostre o quarto do bebê para ele, deixe que sinta o cheiro das coisas e, quando a criança chegar, aproxime-os aos poucos”. Como o gato é um animal que não gosta de mudanças, Juliana indica não deixar o bebê sozinho com o bichano e nem forçar a aproximação.

Para apresentar um cão, é bom esperar um pouco, segundo Rafael Miranda, também da equipe “Cão sem Dono”. “O ideal é fazer isso depois de algumas semanas que o bebê já estiver em casa, pois no começo ele pode sentir ciúme”, explica ele. “Depois desse tempo, ele vai perceber que o bebê não tirou seu espaço e não é mais uma novidade”.

Mas é muito importante conhecer bem o temperamento do cachorro. “Se ele gosta de brincar de morder, tem brincadeiras brutas ou adora pular em cima das pessoas, o cuidado deve ser redobrado. Se possível, espere o bebê crescer um pouquinho mais para deixar os dois terem contato. O descuido pode acabar em um acidente”, alerta ele.

Por fim, Juliana diz ser comum as pessoas encontrarem desculpas para se livrar de seus bichos ao primeiro sinal de que terão mais trabalho. “O abandono, além de crime, é muito cruel. Eu costumo dizer às gestantes que elas precisam ensinar os filhos, desde cedo, a amar os animais. Se ela os abandona, o que estará ensinando?”

Rafael lembra que “crianças que convivem com animais desde cedo têm menos ou nenhum problema de alergia, têm sua imunidade mais forte, além de ajudar em sua formação como pessoa”. Juliana Bussab assina em baixo. “É bem menos comum essas crianças desenvolverem complicações respiratórias”.

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