Sem marcação nem bola roubada, o tchoukball ganha adeptos entre os jovens

Um esporte que não tem gol nem jogador fominha está conquistando os colégios de São Paulo. O desconhecido tchoukball multiplicou sua presença nas escolas particulares nos últimos meses e agora ganhou um espaço importante: está entre os temas previstos nas aulas de Educação Física da rede estadual este ano. A Associação Brasileira de Tchoukball (ABTB) já pensa até no primeiro campeonato paulista intercolégios para 2010.

Quem vê pela primeira vez pode achar o tchoukball parecido com o handball. Mas as diferenças entre os dois esportes começam com quadros de rebote no lugar dos gols e aumentam na hora do comportamento em quadra. Como as regras foram criadas para apoiar o exercício de coletividade e o princípio de que “o jogo é um exercício social”, não é permitido, por exemplo, roubar a bola de ninguém. O contato físico não existe, e a interceptação não pode ser feita nem quando a bola está no ar. Não há marcação e, como os pontos são feitos através de rebotes, é impossível pontuar sozinho – daí a ausência dos “fominhas”.

A inserção no ambiente escolar é especialmente importante para os entusiastas deste esporte, já que eles acreditam em uma filosofia que está acima do jogo. “Os princípios do tchoukball vieram antes das regras”, explica Archimedes de Moura Júnior, professor de educação física e presidente da ABTB. “O jogo fala de comportamento, do que é certo e o que é errado”. “É difícil mudar quem já está impregnado por outras práticas esportivas, então desde seu início o tchoukball apostou nas escolas”. Por isso, ele lidera capacitações para professores que já levaram o esporte para as oito unidades do Colégio da Polícia Militar, além de escolas tradicionais de São Paulo como Colégio Visconde de Porto Seguro e Mackenzie, entre outras.

O coordenador da área de Educação Física da escola Projeto Vida, Luiz Greco, apresentou a prática para seus alunos através de oficinas da ABTB. Hoje, o tchoukball é abordado nas aulas e também em um curso separado. Para ele, apesar de as regras darem a idéia de um esporte lento, há “uma estratégia de jogo muito forte”.

Na experiência dos dois professores, a novidade tem ajudado a integrar alunos que por algum motivo não se sentem à vontade nas práticas tradicionais das aulas. “Como ninguém conhece, todo mundo parte do mesmo nível”, explica Archimedes. “Mais da metade dos jogadores nas escolas onde ensino são alunos menos habilidosos que não participavam de outras modalidades”. Greco concorda: “por não ser um jogo de grandes impactos, abre um leque para uma faixa etária grande. Essa mescla é que faz dele um jogo tão cativante. Esse é um dos instrumentos que facilita a integração”.

Greco acha que o melhor da expansão do esporte é o fato de isso poder ajudar a mudança do perfil da Educação Física nas escolas. “Em geral, as aulas não oferecem um leque verdadeiro, e colocam para os alunos que a prática de futebol, vôlei, basquete ou handball é a única forma de se integrar ao grupo”, diz. “Ao ampliarmos isso, tratamos de repertório e respeito. Ensinamos a identificar e validar as práticas de outras culturas”.

Tchoukball pelo mundo

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O esporte nasceu na Suíça, criado pelo médico Hermann Brandt nos anos 60. Hoje, a Federação Internacional tem representantes em 35 países. A maior potência do esporte é Taiwan, onde desde a década de 70 o tchoukball é praticado nas escolas públicas.

No Brasil, o movimento de capacitação para as escolas acontece principalmente em São Paulo, onde fica também a Associação Brasileira de Tchoukball. Mas existem grupos de praticantes também no Rio de Janeiro e em Pato Branco (PR). Como às vezes os grupos podem ser inconstantes, a melhor forma de obter informações sobre treinos é através do site da ABT B.


As regras básicas do tchoukball:

      - A bola deve ser arremessada contra qualquer um dos quadros a cada três passes, no máximo

      - A bola não pode cair no chão

      - Faz ponto o time que arremessar a bola no quadro de forma que o adversário não consiga pegar o rebote

      - Quem errar o quadro, mandar para fora ou para a zona proibida, ou fazer o rebote bater sobre ele mesmo, cede ponto para o outro time

       - Os times têm nove pessoas em campo e até três reservas

       - Os grupos podem ser mistos (alguns campeonatos exigem que meninos e meninas joguem juntos)

       - Todos devem seguir os princípios do jogo em seu comportamento dentro de quadra, o que inclui a proibição de comemorações agressivas em que o adversário é provocado

        - A partida é dividida em três tempos de quinze minutos (ou doze para times femininos ou juvenis)

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