Aos 15 anos e com dois livros publicados, a autora de "Brincar de Ser Feliz" fala sobre seus planos e memórias

Libby Rees: escrever como maneira de superar a separação dos pais
Reprodução
Libby Rees: escrever como maneira de superar a separação dos pais
Libby Rees é uma garota inglesa de 15 anos com dois livros publicados. O primeiro foi escrito aos 9 anos: em “Brincar de Ser Feliz” (Editora Best Seller), que acaba de chegar às livrarias brasileiras, ela divide com os leitores algumas técnicas desenvolvidas para enfrentar o divórcio de seus pais, ocorrido quando ela tinha 6 anos.

Hoje, o projeto da jovem é dedicar-se à escola. Mas ela continua com planos de novos livros (e filmes), além de trabalhar junto a uma organização não-governamental que luta por melhores condições de vida para as crianças ao redor do mundo. Leia entrevista com Libby.


iG Você deve ter um monte de lembranças da época em que seus pais estavam se separando. Provavelmente algumas são ruins, outras nem tanto. Você pode dividir algumas delas com a gente?
Libby Rees
Eu tinha só seis anos àquela época, então acho que nem percebi tudo que estava acontecendo. Por um lado acho que isso ajudou; deve ser mais difícil quando você é adolescente, porque entende mais coisas. Ter de me mudar da minha casa foi algo muito difícil de enfrentar. Eu me lembro da minha mãe chateada porque íamos para uma casa pequena e não havia espaço para todos os meus brinquedos, então ela teve de me explicar que eu teria de escolher os favoritos e eu sabia que ela estava triste por mim. Eu acho que essas coisas a gente não esquece. Natais e aniversários também são difíceis de lidar. Tudo muda a partir daquele momento em que seus pais se separam e é claro que, quando a gente é pequeno, só queremos que tudo seja exatamente como era antes.

iG Quando e como você percebeu que podia ajudar outras crianças que estavam passando pela mesma experiência que você viveu?
Libby Rees
Quando eu tinha nove anos, já tinha usado vários pequenos métodos para me deixar mais feliz enquanto lutava com os efeitos da separação da minha família. Um dia, caminhando na floresta, contei à minha mãe do “Ponha tudo para fora”, que está listado no livro. Você tem que colocar uma preocupação ou algo que está te incomodando numa pedra ou graveto, e jogá-lo o mais longe que você puder – isso faz com que você sinta que está colocando seus problemas para fora. Então eu comecei a contra a ela sobre outras técnicas que eu tinha e, quando chegamos em casa, pensei que poderia escrever todas elas em um livrinho. Eu realmente não imaginei que poderia publicá-lo, mas achei que seria útil para todas as crianças e famílias ter um livro assim. Quando você vai às livrarias, as prateleiras estão lotadas de livros de auto-ajuda para os adultos – e não tem nada para crianças! De qualquer forma, eu achei que poderia mandar minhas anotações por e-mail para algumas editoras. No dia seguinte, fui convidada a ir à Escócia e assinei um contrato para este e para meus futuros livros. Foi surreal.

iG Seu primeiro livro, “Brincar de Ser Feliz”, teve grande repercussão e a levou, entre outras coisas, a aparecer na TV e receber um prêmio das mãos da Princesa Anne. De todas as coisas bacanas que vieram com o sucesso do livro, qual você curtiu mais?
Libby Rees
Escrever meu primeiro livro foi algo que, em primeiro lugar, me ajudou. Me fez abrir os olhos para como transformar uma situação negativa em algo positivo. Depois, ajudar outras crianças e famílias que estavam passando por momentos difíceis foi mais válido ainda, então decidi que seria incrível para estas pessoas saberem que, ao comprar o livro, estariam doando dinheiro para uma instituição de caridade (Save the Children, organização não-governamental fundada em 1919, em Londres) , assim crianças ao redor do mundo todo se beneficiariam também. É difícil escolher uma só ocasião dentre tantas, mas ter ido a Nova York para participar do “Good Morning America” (segundo programa de televisão mais visto em seu horário nos Estados Unidos, com mais de 4 milhões de telespectadores) , na Times Square, e depois saber que milhões de pessoas tinham me assistido foi bem incrível.

Mas acho que se tivesse de escolher um só evento seria ter feito um discurso no número 10 da Downing Street (residência official do Primeiro Ministro inglês) , com um monte de políticos e celebridades presentes. Eu estava tão nervosa que até passei mal, mas fiz o discurso e foi muito tocante ver todas aquelas pessoas adultas e tão importantes pararem para ouvir uma adolescente. Isso me deu esperanças de que mais crianças poderiam expressar suas ideias e fazer alguma diferença no mundo.

iG Como uma jovem autora, você leva uma vida bem diferente de outros adolescentes. Você imaginou que teria uma vida assim? E agora que estes sonhos se tornaram realidade, quais são seus planos para os próximos anos?
Libby Rees
Até hoje eu olho para quando eu tinha 9 anos e penso em quanta coisa mudou por causa daquela caminhada na floresta e da ideia que eu tive. Eu jamais poderia imaginar que teria tantas oportunidades e experiências por causa disso; que eu encorajaria pessoas, jovens e velhas, a seguirem seus sonhos. Quem pode dizer o que pode acontecer? Agora estou trabalhando duro, pois é meu ano de exames na escola, então esse é meu foco. Eu escrevi e publiquei um segundo livro (intitulado “At Sixes and Sevens", sobre mudança de escola) , e tenho algumas ideias para livros e filmes, mas agora tenho que colocar a escola em primeiro lugar.

Nos feriados, no entanto, eu trabalho para a Save the Children e para outros projetos. Não é o que a maioria dos adolescentes fazem com seus dias de folga, mas minha mãe faz questão de que eu não sobrecarregue minha agenda e tenha algum tempo de descanso. Nos próximos feriados estarei filmando um documentário com a BBC (rede de TV e rádio estatal britânica) e escrevendo um relatório sobre o Afeganistão para a Save the Children.

iG Seu livro chega às livrarias agora no Brasil. Aqui, as taxas de divórcio têm aumentado a cada pesquisa. Você teria uma dica especial para as crianças? E algum conselho para os pais?
Libby Rees
Minha dica especial para as crianças é se lembrar que nada do que está acontecendo é culpa delas. Essa é uma decisão que foi tomada pelos pais. Crianças acham muito difícil lidar com isso, mas é importante encontrar alguém com quem se possa conversar e em quem confiar; alguém com quem ela possa dividir os sentimentos. Muitas vezes essa pessoa não é um dos pais, porque a criança se sente desconfortável falando sobre isso com eles.

E acho que isso leva ao meu conselho para os pais: eles devem sempre ser honestos com as crianças. Não precisam contar todos os detalhes, mas por outro lado não podem varrer para debaixo do tapete as dúvidas dos filhos. Também é importante não culpar o outro genitor e jamais discutir na frente das crianças, independentemente de quão bravos ou chateados eles estejam.


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.