Efeitos da gravidez: isso é normal?

Enjoar do marido, perder peso e sentir uma alta no desejo sexual: sintomas pouco conhecidos da gestação nem sempre são sinal de algo errado

Alessandra Oggioni, especial para o iG São Paulo |

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Mais disposição, menos peso: sintomas pouco conhecidos da gravidez nem sempre significam que há algo errado
Enjoo, dores na coluna e menos sexo. Basicamente este é o pacote que as grávidas esperam ao receber o resultado positivo do teste. À expectativa da mudança de vida se juntam as histórias de parentes, amigas e colegas. E, por mais que leiam e se informem sobre o assunto, as gestantes nunca sabem muito bem o que vai acontecer com seu corpo no próximo mês. Será que ter mais desejo sexual é normal? E enjoar por nove meses, tudo bem?

Conversamos com médicos e especialistas que nos ajudaram a responder as dúvidas mais comuns das gestantes. Afinal, é normal...

Enjoar durante os nove meses?
Sim. Embora o senso comum diga que os enjoos duram só o primeiro trimestre, algumas mulheres passam os nove meses com náuseas. Isso pode ocorrer devido a uma maior sensibilidade aos hormônios, às mudanças na posição do estômago ou até mesmo à alteração no ritmo gastro-intestinal.
Porém... ao perceber um enjoo prolongado, a paciente deve procurar um médico para descartar outras patologias, como gastrites, esofagites, úlceras e problemas de vesícula biliar.

Perder peso?
Sim. Ao contrário do que muita gente pensa, uma gestante pode, sim, emagrecer durante a gravidez. Isso geralmente ocorre no primeiro trimestre da gestação, devido aos constantes enjoos e vômitos. O fato também é frequente quando a mulher já estava acima do peso e inicia uma dieta monitorada – ao mesmo tempo em que ganha o peso do bebê, ela perde o excesso. No fechar da conta, acaba emagrecendo.
Porém... O ginecologista e obstetra Eduardo Zlotnik, do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, alerta que este aspecto é considerado normal somente nos três primeiros meses. “O ganho de peso [da mulher] influencia o resultado da gestação e o crescimento do bebê. Porém, no primeiro trimestre, devido aos enjoos, muitas perdem peso transitoriamente, sem nenhum problema”, esclarece.

Ter corrimentos?
Sim. Os médicos garantem que não há motivo para preocupação se a mulher passar a ter um corrimento mais constante durante a gravidez. É que durante este período ocorre uma alteração na acidez vaginal (pH), o que favorece a fragilidade da mucosa e a proliferação de agentes causadores de corrimento vaginal.
Porém...
“É importante, porém, observar a coloração e o odor deste muco, pois pode ser um processo inflamatório”, alerta o ginecologista e obstetra João Leandro Costa de Matos, coordenador de ginecologia do Hospital Balbino, no Rio de Janeiro.

Ter sangramentos?
Sim. No começo da gestação muitas mulheres têm uma pequena perda sanguínea devido à implantação do óvulo no útero, chamada nidação, e confundem isso com menstruação, especialmente quando os ciclos são irregulares.
Porém...
apesar de ser normal, é bom ficar atenta e comunicar o seu médico caso isso ocorra, para descartar, inclusive, ameaças de abortamento – que também podem ser confundidas com menstruação.

Ter enjoo do marido?
Sim. Algumas mulheres reclamam que ficam “enjoadas” com o cheiro do parceiro, seja com o suor ou com o perfume que ele usa – e do qual elas sempre gostaram. “Não se sabe exatamente o porque, mas a mulher tem uma maior sensibilidade olfativa neste período”, explica o ginecologista Paulo Poli Neto, médico da família do Centro de Saúde Ingleses, em Santa Catarina.

O pai sentir os sintomas da gravidez?
Sim. Durante a gravidez da parceira, alguns homens desenvolvem a Síndrome de Couvade, ou seja, passam a ter sintomas físicos gestacionais. O problema pode envolver desde distúrbios leves, como náuseas e alterações de sono e peso, até “contrações” na hora do parto! Segundo o médico Paulo Poli Neto, não há uma explicação definida para a Síndrome, mas ela deve estar ligada a fatores psicológicos e hormonais.

Sentir um aumento na resistência física?
Sim. Ao contrário do senso comum, que diz que as grávidas ficam moles e cansadas o tempo todo, muitas mulheres neste período chegam a ganhar uma resistência física extra. “As atletas russas até engravidavam antes das competições, pois no início da gestação ocorrem alterações de musculatura e irrigação sanguínea dos tecidos, aumentando a resistência”, comenta o ginecologista e obstetra Henrique Oti Shinomata.

Sentir mais desejo sexual?
Sim. Algumas mulheres sentem uma queda no apetite sexual – seja pelas transformações corporais ou pelo “medo” de prejudicar o bebê –, mas outras têm a libido aumentada neste período. O ginecologista e obstetra Henrique Oti Shinomata, de São Paulo, explica que as mudanças no metabolismo da mulher nesta fase podem dar mais disposição para transar. “Além disso, alterações hormonais modificam o corpo, como o aumento das mamas, fazendo com que muitas delas se sintam mais atraentes para o companheiro”, diz o médico.

Ter problemas de coluna?
Sim. Com o aumento do peso do corpo e a mudança do eixo de equilíbrio da mulher, podem ocorrer mais episódios de dor na musculatura lombar e uma diminuição no espaço entre as vértebras, que eventualmente provocam dor e sensação de formigamento nas costas e nas pernas. No entanto, a gravidez não provocará nenhuma alteração definitiva na coluna. Essas sensações tendem a melhorar após o parto. Leia também: cinco maneiras de evitar dor nas costas durante a gravidez .

Beber mais água?
Sim. Durante toda a gravidez, há um acúmulo natural de água em torno de 7 a 8,5 litros, normalmente distribuídos entre o feto, a placenta, o líquido amniótico e os tecidos maternos. De acordo com o ginecologista Flávio Rotman, autor do livro “Gravidez sem Risco” (editora Record), um alto volume de água acumulado na gravidez frequentemente acompanha um maior peso do recém-nascido. Portanto, é muito importante ingerir o líquido no período gestacional.

O feto pesar pouco?
Sim. Muitas gestantes também ficam ansiosas com o crescimento do bebê, querendo que o filho “engorde” rapidamente. O ginecologista e obstetra João Leandro Costa de Matos tranquiliza as mamães e esclarece que o feto só começa a ganhar gordura (peso) a partir dos sete meses de gestação. “Até esta época, ele raramente passa de dois quilos”, explica.

O bebê não se mexer?
Sim. Algumas grávidas também ficam muito preocupadas quando não sentem o bebê se mexer na barriga. Na verdade, ela só irá começar a sentir os primeiros “pontapés” ou “espreguiçamento” a partir do quarto mês. Após 28 semanas, essa agitação aumenta, já que a criança percebe melhor os movimentos da mãe e os ruídos externos e passa a se mover mais a partir desses estímulos.
Porém... é pouco provável que uma gestante não sinta o bebê no final da gravidez e, nesses casos, deve procurar o médico.

Comer por dois?
Não. Embora o corpo da gestante esteja em constante trabalho, mesmo que esteja quieta ou dormindo, esta velha história de “comer por dois” é pura balela. O que a mulher precisa neste período é de uma dieta equilibrada e orientada pelo médico. O consumo calórico médio de uma gestante sem sobrepeso e que não exerça trabalho físico varia de 2.200 a 2.500 calorias, bem pouco a mais do que o necessário antes de engravidar.

Ficar com as gengivas inflamadas?
Não. Muitas mulheres acreditam que a gravidez pode danificar os dentes, o que é uma grande lenda.
Porém... Segundo a cirurgiã-dentista Cristina Bechelli, de São Paulo, o que pode ocorrer com maior frequência durante a gestação é a gengivite gravídica, uma inflamação com sangramento da gengiva causada pela variação hormonal – que é cessada após o nascimento do bebê. “Muitas vezes, a gestante sente enjoos e não faz a higiene bucal após passar mal. Daí, o ácido fica grudado, corroendo os dentes”, explica. Para evitar danos à saúde oral durante a gestação, mantenha sempre os dentes e gengivas bem limpos.

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