Seis atitudes que as mães podem aprender com os pais

Eles parecem mais relaxados no que diz respeito às crianças? É bem aí que moram as melhores lições paternas

Renata Losso, especial para o iG São Paulo |

Renata Angerami
Renato e a filha Lúcia: "pais estimulam mais a experimentação do mundo"
A despeito de toda a idealização maternal sobre as mulheres, tidas como “mães natas”, o pai também tem um papel importante na vida dos filhos. Educar é um projeto conjunto e, de acordo com Rubens Maciel, psicanalista e pesquisador da paternidade, tanto pai quanto mãe irão preparar o filho para a vida, cada um à sua maneira. “Uma das funções importantes do pai é ir separando a criança da mãe”, comenta. “Senão, surge uma criança com receio de sair para a vida”.

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Mas a função paterna vai muito além disso. Ao dar espaço para a participação masculina, as mães podem se surpreender e descobrir que eles têm uma abordagem com muito a ensinar. “A função de um acaba complementando a do outro”, diz a Supernanny Cris Poli, educadora e autora de “Pais Responsáveis Educam Juntos” (Mundo Cristão).

Conversamos com cinco pais sobre o que eles fazem de diferente da mãe em relação aos filhos e descobrimos que as atitudes deles também contam. Com a palavra, os pais.

1. Deixar os filhos se arriscarem

“Nós, pais, somos os guardiães oficiais das rodinhas de treino das bicicletas!”. A frase do escritor e vendedor Caio Melo, de 29 anos, resume bem o quanto os homens estão dispostos a tirar as crianças da zona de conforto. Pai de Daniela* (nome fictício), de três anos, e autor do blog Pais Modernos, Caio assume que, embora quase enfarte diante de cada risco que a filha corre, sente que a atitude é necessária. “Eu me sinto impelido a provocar esses saltos de independência e progresso”, diz, se referindo ao momento de soltar a mãozinha da filha para ver se já era capaz de andar sozinha.

As mulheres parecem ter uma tendência maior à proteção. “De maneira geral, o homem tenta passar para os filhos o valor de ‘sair para a vida’”, define Rubens Maciel. O escritor Renato Kaufmann, autor do blog Diário Grávido, concorda. Ele relembra quando colocou a filha Lúcia, hoje com três anos e meio, em um escorregador para crianças maiores. Ao saber da aventura, a mãe de Lúcia quase teve um treco. “Os pais estimulam mais essa questão de experimentar o mundo”, comenta.

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2. Embarcar mais nas brincadeiras com as crianças

Comparado à esposa, o publicitário e autor do blog Potencial Gestante, Hilan Diener, 30 anos, se define como “aquele aluno da turma do fundão da sala de aula”. Pai de Benjamin, de um ano e seis meses, Hilan brinca de correr, pular e cair com o filho, coisa que a mulher não faz. “As brincadeiras com ela têm sempre um aprendizado, as minhas não: nem sempre existe um propósito”, afirma. Para ele, isso pode estimular ainda mais a criatividade da criança.

O analista de mídias sociais Rafael Noris e autor do blog Família Palmito, 22 anos e pai de Miguel, um ano e nove meses, concorda. “Dar pirueta e bagunçar a casa ajuda a criança no desenvolvimento motor e psicológico e também testa os limites, fazendo com que crie autoconfiança e aprenda a lidar com frustrações”.

Paula Pessoa Carvalho, psicóloga infantil e orientadora educacional, observa que os pais realmente são mais ativos ao brincar com as crianças. Para ela, a mulher costuma estar preocupada com tudo ao redor, principalmente por achar que precisa ser perfeita, e raramente se deixa levar pelo lazer. Mães, relaxem! O pai das crianças é tão responsável por elas quanto vocês.

3. Não ter tantas expectativas

As expectativas criadas em relação à criação dos filhos são grandes. E qualquer falha, para as mães, é culpa delas. Já alguns pais tendem a enxergar esta equação de forma diferente. “Desde o início, minha relação com a minha filha é mais limpa de expectativas”, compara Caio Melo. As pressões externas pelo desempenho do pai são menores e é mais fácil lidar com algum acontecimento que não siga o manual.

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4. Dar menos importância às coisas pequenas

Ao dar almoço para a filha, Caio comenta que, se ela não come tudo, ele não se sente na obrigação de fazê-la terminar o prato. “Talvez ela já estivesse satisfeita, basta não oferecer porcarias até a próxima refeição”, diz. Para muitas mães, no entanto, ver um prato inacabado facilmente se torna um sinal de que ela está fazendo tudo errado.

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5. Ser mais firme

Como nos velhos modelos clássicos da família, o pai pode ser mais incisivo na hora de dizer “não” e “agora chega”. Caio Melo que o diga. “Nós acabamos sendo mais concisos na hora de dar uma bronca e declarar que aquilo é inaceitável”, acredita ele. Renato Kaufmann concorda. Para ele, o papel de ser mais duro ainda é do pai. Não é não e pronto.

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6. Ser mais paciente

Como criança adora mexer em tudo, muitas mulheres preferem simplesmente proibi-la de colocar a mão em um vaso que está na sala, por exemplo. Já o webmaster Danilo Santos, 28 anos, costuma deixar a filha Beatriz, de quase três anos, aprender as coisas na prática.

“Deixo a Beatriz experimentar, ver como as coisas funcionam. Querer proteger demais acaba impedindo o aprendizado da criança”, conta. Graças a esta filosofia, Bia ganhou a chance de bater o garfo e fazer sujeira com a comida algumas vezes. “Eu deixava ela fazer sujeira e depois falava que tínhamos que limpar. Hoje ela raramente faz isso e, quando faz, ela mesma já limpa”. Essa pode ser uma boa saída para as mães que estão cansadas de mostrar para a criança que aquilo não se faz – antes mesmo de a criança fazer.

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