Em livro, neurocientista credita diferenças de gênero mais à educação do que às diferenças biológicas entre meninos e meninas

Lise Eliot, neurocientista da Universidade
Rosalind Franklin, em Chicago:
Reprodução
Lise Eliot, neurocientista da Universidade Rosalind Franklin, em Chicago: "há poucas evidências sólidas sobre diferenças sexuais no cérebro infantil"
A neurocientista norte-americana Lise Eliot (que também é mãe de três crianças, dois meninos e uma menina) acaba de lançar um livro em seu país que já está indicado a todos os pais de primeira - ou qualquer que seja - viagem. Nele, a autora explica, com pesquisas e estudos científicos, além de uma grande quantidade de informações culturais, como os pais influenciam na formação de diferenças entre os gêneros.

O novo livro recebeu o nome de “Pink Brain, Blue Brain: How small differences grow into troublesome gaps – and what we can do about it” (na tradução literal, “Cérebro Rosa, Cérebro Azul: Como pequenas diferenças se tornam falhas problemáticas – e o que podemos fazer sobre isso”) e, segundo o blog vivalafeminista.com, Eliot prova suas conclusões com dados e experimentos, como quando evidencia que as mães subestimam as filhas se o assunto for capacidade física em relação aos meninos.

Por exemplo: em pesquisa publicada no livro, um grupo de mães foi questionado sobre o quão íngreme um declive poderia ser para que seus bebês de onze meses pudessem engatinhar até embaixo. As mães dos meninos se equivocaram por um grau. Já as mães das meninas erraram por nove graus a inclinação que suas bebês realmente foram capazes de descer.

Por não haver diferença nas habilidades motoras deste grupo de crianças, independentemente do sexo, o que também pode prejudicar as garotas nos resultados de avaliações como estas são os limites inconscientes que os pais colocam em relação às atividades físicas.

Eliot também aponta em seu livro outra pesquisa que demonstra que os pais estão mais dispostos a deixarem seus filhos, quando bebês, chorarem por mais tempo do que deixam as pequenas garotas. Ou seja: quando uma pequena garotinha abre o berreiro, os pais correm para ajudá-la. Quando o choro é de um menino, os pais resistem por mais tempo. Para Eliot, é desta maneira que os garotos começam a perceber que expressar as emoções não vale de muito esforço, levando-os a terem mais dificuldades do que as garotas para mostrarem o que sentem.

De acordo com coluna publicada sobre o livro no site do jornal norte-americano The Washington Post, a intenção de Eliot com o livro é responder questões como: “Como podemos ajudar os garotos a lerem e escreverem melhor e a se sentirem em casa quando estiverem na sala de aula? E como podemos ajudar as garotas a permanecerem confiantes na matemática e a aprenderem a decifrar um mapa?”.

Comportamento aprendido
Com uma bibliografia imensa, Eliot, que é neurocientista da Universidade Rosalind Franklin de Medicina e Ciência, em Chicago, Estados Unidos, afirma que há “poucas evidências sólidas sobre diferenças sexuais no cérebro das crianças”. Ela afirma que os gêneros não são muito diferentes quanto aos primeiros princípios de agitação e inquietação, mas os pais reagem de maneira distinta em relação a eles – e é isto, sobretudo, que produz as diferenças de gêneros que vemos nos adultos.

Um grande exemplo sobre as diferentes atitudes atribuídas pelos próprios pais é que, baseada em estudo, Eliot aponta que crianças entre seis e doze meses, de ambos os sexos, preferem bonecas a carrinhos. As crianças somente se situam sobre as diferenças de gênero dos brinquedos após o primeiro aniversário, que é quando eles começam a se identificar com o próprio sexo, muitas vezes ao observar como outros garotos ou garotas, mais velhos, se comportam. “Alunos da pré-escola já estão conscientes do que é aceitável ou não a eles”, afirma ela, o que determina diferentes talentos ao cérebro.

Em entrevista feita pelo próprio blog vivalafeminista.com, Eliot indica aos pais que mantenham os olhos abertos ao grande alcance da inteligência, que nada está limitado a somente garotos ou garotas. Afinal, segundo o livro, é claro que as diferenças físicas e biológicas existem, mas a maioria de todas as distinções de gênero é produzida pelos próprios criadores.

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