Estudo realizado na Holanda avaliou funções cognitivas de adultos cujas mães passaram fome durante a gravidez

Os bebês cujas mães foram vítimas de desnutrição na gravidez correm o risco de sofrer um declínio cognitivo mais rápido durante o envelhecimento, segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira.

Uma equipe de pesquisadores liderada por Susanne de Rooij, da Universidade de Amsterdã, estudou as funções cognitivas de 737 adultos holandeses de 56 a 59 anos. Cerca de 40% deles tinham sido expostos à fome 'in utero' no período em que a Alemanha nazista impunha um bloqueio alimentar a seu país no final da Segunda Guerra Mundial.

Durante esse período de fome de cinco a seis meses, os alimentos eram escassos e as pessoas consumiam apenas entre 400 e 800 calorias, indica o estudo publicado nos Anais da Academia Nacional Americana de Ciências (PNAS).

Enquanto uma redução do consumo de calorias entre os adultos pode retardar o envelhecimento e aumentar a expectativa de vida de diversas espécies, "as restrições calóricas antes do nascimento têm diversos efeitos nefastos para a saúde física e mental mais tarde na vida", indica o estudo.

Além dos desempenhos cognitivos comprometidos, os indivíduos expostos à fome 'in utero' tinham um crânio um pouco menor do que os outros entre 56 e 59 anos.

"O tamanho do crânio está ligado ao tamanho do cérebro e um tamanho reduzido foi associado a funções cognitivas menores entre as pessoas com mais idade", ressaltam os pesquisadores.

O desempenho cognitivo deficiente das pessoas vítimas de desnutrição 'in utero' "pode ser um sinal precoce de uma aceleração do envelhecimento em termos cognitivos", escrevem os autores do estudo, ressaltando que é necessário ainda efetuar testes em uma idade mais avançada para confirmar esta hipótese.

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