Pesquisa mostra que uma entre cinco mães de crianças com mais de um ano de idade tem sinais de depressão

Depressão pós-parto tardia: pode acontecer de um a dois anos depois do parto
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Depressão pós-parto tardia: pode acontecer de um a dois anos depois do parto
Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, analisaram o comportamento de mães de crianças com mais de um ano de idade. A conclusão é surpreende: uma entre cinco tem sintomas de depressão pós-parto tardia. Carol Weitzman, uma das autoras da pesquisa, explica que o período de depressão pós-parto pode se estender, e há riscos dos sintomas aumentarem e se agravarem com o passar do tempo.

A psicóloga Ana Merzel Kernkraut, coordenadora do serviço de psicologia do Hospital Israelita Albert Einstein, acredita que os dados do estudo correspondem também à realidade brasileira. “Mães que não recebem o diagnóstico de depressão pós-parto no período correto podem ter os sintomas por vários anos”, afirma.

O estudo norte-americano aponta a maior incidência da depressão pós-parto em mulheres de baixa renda. Os pesquisadores pediram para 931 mães completarem um formulário de 16 itens sobre sintomas de depressão. Quase 45% das mães de baixa renda marcaram as alternativas positivas para a maior parte dos sinais depressivos. De acordo com Kernkraut, mães de baixa renda geralmente não têm muito suporte social. “Isso contribui para o aparecimento e manutenção da depressão pós-parto”, explica.

Por fim, a pesquisa mostra que uma das melhores maneiras de se detectar os sintomas de depressão nas mães é em consultas pediátricas. A autora do estudo aponta que faz parte da rotina das novas mães levarem seus filhos ao médico, e que é nesse momento que elas precisam também passar por um check-up. Kernkraut concorda com a descoberta da autora e explica que, muitas vezes, a relação da mãe com o obstetra acaba depois que a criança nasce, por isso o pediatra é fundamental no auxilio do diagnóstico depressivo. “Ele vai questionar a relação entre mãe e bebê e, nesses questionamentos, pode perceber a depressão”, completa.

Joel Rennó Júnior, psiquiatra e coordenador do Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP, diz que o pediatra é apenas mais um entre as pessoas que podem analisar e perceber esse tipo de distúrbio. De acordo com especialista, o diagnóstico deve ser feito o quanto antes, pois as consequências para a criança podem ser irreversíveis, como um retardo no desenvolvimento lingüístico e cognitivo e até depressão.

Como detectar a depressão pós-parto

Joel Rennó Júnior explica quais são os sintomas típicos da depressão pós-parto. Segundo ele, se os sintomas abaixo aparecerem todos os dias durante duas semanas, é preciso procurar ajuda

- Perda de prazer e interesse em atividades normais

- Sentimento de incapacidade seguido por sentimento de culpa com relação aos cuidados da criança

- Crises (de choro ou de irritação) com questões banais do dia a dia

- Alterações no apetite

- Insônia ou hipersonolência

- Pouca interação com a criança

- Cansaço excessivo nas atividades diárias – não apenas às ligadas aos cuidados da criança

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