Do total de casos, 25% foram registrados no grupo entre 0 e 15 anos

Atenção mães: a dengue no Brasil já pode ser considerada “doença de criança”. O Ministério da Saúde afirma que, atualmente, 25% do total de notificações referem-se a pessoas entre 0 e 15 anos.

Há 23 anos, no início da circulação da dengue no País, adultos jovens figuravam entre as principais vítimas e as crianças quase não apareciam entre os infectados. A maior participação de meninos e meninas picados pelo inseto transmissor Aedes aegypti é explicada, especialmente, pela inexistência de uma vacina contra o vírus.

Casos de dengue aumentaram este ano
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Casos de dengue aumentaram este ano
“Nas últimas duas décadas, o País tem sido submetido aos mesmos três sorotipos de dengue (o 1, 2 e 3). Uma característica própria do vírus é que quando ele infecta uma pessoa, acaba conferindo imunidade à doença ao indivíduo”, afirma o coordenador de combate à dengue do Ministério, Giovanini Coelho. “Isso faz com que as pessoas abaixo dos 15 anos sejam mais vulneráveis, porque nunca tiveram contato com o aedes.”

Uma vacina, diz Coelho, “mudaria radicalmente este quadro”, como já aconteceu com o sarampo e catapora, por exemplo. Os pesquisadores estão focados em descobrir as injeções protetoras contra a dengue mas as projeções mais otimistas indicam que são necessários ao menos cinco anos para que uma dose segura chegue ao mercado.

Não deixar a água parada em vasos, pneus, piscinas e caixas d’água continuam sendo fórmulas exclusivas de coibir a disseminação dos mosquitos da dengue e, os dados mais recentes, mostram que a população não está fazendo a lição de casa. Este ano pode terminar como um dos recordistas históricos em confirmação de casos. Até o dia 6 de março foram 227.109 registros, 95.237 a mais do que o total verificado no mesmo período do ano passado.

Outra dica importante dos especialistas sobre o fenômeno de "infantilização" da dengue é: não adianta acreditar que está seguro caso já tenha sido infectado por um tipo de dengue. Se a pessoa já foi infectada pelo sorotipo 2, pode pegar o tipo 3 ou o tipo 1. Nestes casos, o risco da forma grave de dengue (hemorrágica) é muito maior.

“O combate tem de ser todo dia, todo ano, não importa a estação”, define o médico da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, Oscarino dos Santos Barreto Júnior. Os médicos de família formam um dos grupos capacitados pelo Ministério para identificar a dengue em crianças.

Epidemia pediátrica

Saber que as crianças e adolescentes estão no alvo da dengue é também trabalhar com uma maior dificuldade para diagnosticar o problema. Os sintomas clássicos da doença são febre e manchas vermelhas no corpo, dupla muito frequente em qualquer virose infantil.

“Além disso, a manifestação de dengue em crianças quase sempre é exclusivamente o quadro febril. Dificilmente os pacientes menores vão reclamar de dor nos olhos ou na cabeça (outros sinais de dengue)”, avalia o Aitan Berezin, presidente do Departamento Cientifico de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.

A dificuldade em descobrir a dengue nas crianças compromete a mais eficiente receita de sucesso para qualquer doença: a intervenção precoce. Quanto antes começar o tratamento, menores são as complicações.

Sombra e água fresca

Por isso, a orientação do médico Oscarino dos Santos Barreto Junior, é ficar atento ao cenário da cidade. Se a criança mora em um município que enfrenta uma situação de muitos casos de dengue ou se, duas semanas antes da febre surgir, viajou para uma área bem infectada, a orientação é já começar com soro caseiro (um litro de água, uma colher de sopa de açúcar e uma de sobremesa de sal) assim que a febre surgir.

“Para dengue, não há melhor remédio do que repouso e hidratação. A maioria dos casos complicados acontece por demora em hidratar o paciente”, alerta ele.

O mosquito transmissor da dengue adora ambientes urbanos. Não precisa ser um lixão para o inseto procriar. Uma piscina ou tampinha de refrigerante também são ideais.

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