Pais não devem deixar objetos pequenos ao alcance das crianças. Cuidados com substâncias químicas devem ser maiores ainda

Moedas de tamanhos variados engolidas por crianças e recolhidas no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba
Geraldo Bubniak/Fotoarena
Moedas de tamanhos variados engolidas por crianças e recolhidas no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba
Sair correndo para tirar alguma coisa que o filho inocentemente coloca na boca é uma atitude que a maioria dos pais já deve ter tomado. Principalmente durante a fase oral dos pequenos, que, segundo Alessandra Cavalcante, pediatra do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo, acontece aproximadamente até os dois anos de idade. “É quando a criança quer conhecer o mundo pela boca”, diz. Porém, nada impede que as crianças mais velhas coloquem objetos estranhos na boca e, sem querer, os engulam. Os donos de moedas deixadas por aí que o digam.

É comum que, aproximadamente até os cinco anos de idade, este tipo de situação ocorra. Segundo Cavalcante, os culpados são a fase oral e a peraltice da criançada: “Algumas crianças têm mania de colocar tudo na boca mais do que outras, então os pais precisam ficar ainda mais atentos”. As moedas são as mais fáceis de irem goela abaixo pela facilidade de serem encontradas, mas existem outros objetos mais perigosos que merecem também toda a atenção dos pais, de pregos a baterias de controle remoto.

De acordo com Mario Vieira, chefe do Serviço de Gastroenterologia Pediátrica do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, os pais devem prevenir este tipo de acontecimento e enfatizarem aos filhos de forma educativa, desde bem pequenos, que não devem colocar objetos estranhos na boca. “Mas, acima disso, é preciso ter o máximo de cuidado para que os objetos não estejam acessíveis para as crianças”, afirma.

Pequenos e perigosos
Objetos de aproximadamente dois centímetros, por exemplo, não devem ser deixados ao alcance dos pequenos, como em prateleiras baixas. Mas é preciso estar atento mesmo assim e os pais devem ter muito cuidado com os brinquedos deixados nas mãos dos filhos: eles devem sempre estar ligados às indicações de faixa etária . Mesmo estando de acordo com a faixa etária é preciso checar se não tem nenhuma peça pequena que possa se soltar.

Durante anos Vieira guardou objetos, já retirados de dentro das crianças (veja galeria acima), e até mesmo um pingente com a bandeira do Brasil faz parte da coleção, entre outros objetos, cortantes ou não. “São coisas que foram retiradas após terem sido engolidas, mas existem casos em que os objetos vão parar na via respiratória e irem para o pulmão, o que torna a remoção mais difícil. Também, em alguns casos, a ingestão de objetos pode até levar à morte imediata”, explica o especialista.

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Soda cáustica a sete chaves
Mario Vieira ressalta a atenção que os pais devem ter com produtos com soda cáustica, como desentupidores de pia e limpadores de fogão. Este tipo de substância queima gravemente o aparelho digestivo.

As baterias existentes em relógios, controles-remotos e até mesmo nos tênis infantis com luzes que piscam ao mesmo tempo em que a criança pisa no chão, também podem causar o mesmo acidente. “Estas baterias soltam um líquido muito lesivo para a mucosa do aparelho digestivo, uma substância cáustica que pode levar à queimadura do esôfago”, diz Vieira. Portanto, por mais inofensivos que alguns objetos pareçam, não é aconselhável deixá-los espalhados pela casa ao alcance dos pequenos.

O especialista do Hospital Pequeno Príncipe conta que os pais devem evitar deixar os filhos na cozinha enquanto não estiverem sob observação de um adulto. “Lugar de criança não é na cozinha nem na área de serviço”, diz. E mesmo evitando que a criança ponha o pé neste lado da casa, Vieira indica que os produtos devem estar guardados à chave ou em armários altos.

Cadê aquele broche que estava aqui?
A pediatra do Hospital São Luiz também lembra que deixar bolsas abertas e enfeites muito pequenos em casa podem atrair a curiosidade das crianças. Para a pediatra Anna Julia Sapienza, do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo, os pais devem estar também atentos aos brinquedos de irmãos mais velhos perto dos irmãos mais novos. Mas então fica a dúvida: como saber se a criança engoliu algum objeto caso nenhum adulto tenha visto?

Segundo Vieira, existem sintomas que podem surgir caso a criança tenha engolido algum objeto estranho sem ninguém ter visto. São eles: recusa alimentar, vômitos com facilidade e excesso de salivação. “Muitos pais testemunham a ingestão, outros não. Temos casos que os pais levam o filho ao médico por conta de algum outro problema e descobrem uma moeda no esôfago com a ajuda de um raio-X”, diz.

Para Sapienza, se o responsável tiver visto a criança engolir qualquer objeto sólido, o indicado é levar ao hospital mais próximo. Ainda, lembra: “Se a criança estiver chorando ou com tosse, não devem ser feitas manobras de desobstrução como tapas nas costas ou pressão na barriga, ou tentativas de pescar o objeto da boca às cegas. Estas manobras só podem ser tomadas por pessoas treinadas em primeiros-socorros que possam reconhecer a obstrução total”. Caso a obstrução total aconteça, a criança não irá chorar e nem tossir, mas a ajuda deve ser buscada imediatamente, já que ela pode não estar conseguindo respirar.

Ele afirma que, felizmente, na maioria dos casos o objeto pode ser eliminado naturalmente, mas os pais não devem contar com isso. Levar ao pronto-socorro, caso a ingestão acidental aconteça, é o mais prudente.

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