Roberta Berrondo, analista de sistemas, é mãe de Hugo, 5, e Camila, 17, e vive no Rio de Janeiro, RJ. Leia depoimento

Optei por esta mudança por que realmente acredito que a escola pública deva ter a mesma qualidade da escola particular, afinal a formação dos professores é a mesma, os alunos possuem a mesma capacidade, o que falta é apenas a vontade de fazer acontecer e a falta de compromisso dos pais em cobrar qualidade delas.

Meus filhos mais novos foram para a escola pública este ano, já a mais velha estudou em escola pública até o 6º ano, depois foi para a particular e no 2º ano do ensino médio voltou para a pública em Brasília. Eu mesma estudei até a 4ª série em escola publica, minha mãe é professora e nós duas acreditamos nesta visão que temos.

Não quero que meus filhos se desenvolvam em um ambiente homogêneo, em que se valoriza o material em detrimento do próprio ser. Quero que eles saibam conviver com pessoas de classes sócio-econômicas superiores e inferiores, sem preconceitos.

Meu filho Hugo tem sofrido mais. Ele sempre estudou em escola particular e lá mesmo vários coleguinhas incutiram nele uma série de idéias ilusórias sobre a escola pública, dizendo que lá só tem bandido e coisas do gênero.

Para as meninas a mudança foi bem mais tranquila. Meu filho Hugo tem sofrido mais. Ele sempre estudou em escola particular e lá mesmo vários coleguinhas incutiram nele uma série de ideias ilusórias sobre a escola pública, dizendo que lá só tem bandido e coisas do gênero.


Por conta disso, a adaptação está sendo um pouco mais complicada. Ele está lidando com os próprios preconceitos desde muito cedo. Até hoje reclama do emblema da escola. Mas acho que é importante ele enfrentar isso agora. Já a minha filha de 17 anos, por exemplo, estuda na melhor escola pública do DF, com número de aprovação no vestibular de universidades federais superior à da maior parte das escolas particulares daqui. Claro que, nessa escolha, há obstáculos e defasagens. Busquei escolas onde houvesse pais participantes e preocupados com o progresso dos filhos.

A infraestrutura e o material de apoio paradidático não são tão bons, pois infelizmente o governo não vê isto como prioridade. Mas há exemplos de professores realmente empenhados, que com criatividade e profissionalismo suprem as faltas.

Na minha opinião, os pais não deveriam pensar duas vezes antes de efetuar essa mudança. A educação é uma obrigação do Estado, pagamos impostos altíssimos para isto, dinheiro existe e a formação dos professores é a mesma que em qualquer escola particular, muitas vezes até melhor. No Distrito Federal, por exemplo, dificilmente todas as vagas são preenchidas nos concursos para professores, simplesmente porque muitos não alcançam a pontuação mínima. Logo, os melhores professores estão sim na rede pública. É preciso ter os filhos na rede pública e cobrar – seja da direção da escola, da secretaria de educação da prefeitura, do governo – um ensino de qualidade, uma boa educação. Isto não é privilégio, e sim direito de todos.

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