Elas mostram que com boas ideias e esforço trabalho vira sinônimo de diversão

O trio: em vez de redação sobre as férias, elas escreveram um livro
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O trio: em vez de redação sobre as férias, elas escreveram um livro
Muito mais que jovens empreendedores, há crianças que brincam de trabalhar. Ou melhor, trabalham brincando. Isso porque transformam o que mais gostam de fazer em uma oportunidade de entrar no mundo dos adultos e mostram que são capazes de profissionalizar um hobby. “As crianças têm uma capacidade enorme de aprendizado e de fazer coisas que muitos não conseguiriam”, afirma Laura Klink. Com 13 anos, a garota já é autora de um livro escrito com as duas irmãs, Tamara (irmã gêmea de Laura) e Marininha Helena (a caçula de 10 anos).

A fórmula foi simples: lembranças de viagem se transformaram no ‘Férias na Antártica”, livro lançado recentemente pela Grão Editora. Ao longo das 72 páginas, o trio relata as aventuras e lembranças das cinco expedições ao continente que fizeram acompanhadas dos pais. Filhas do navegador Amir Klink e da fotógrafa Marina Bandeira Klink, as meninas embarcam para viagens em diversas partes do mundo e aprenderam com a mãe que é importante anotar tudo que descobrem no percurso para lembrarem no futuro. “O conteúdo registrado tinha como objetivo o desenvolvimento de uma apresentação para mostrar aos colegas de classe”, conta Marina. Mas as informações sobre a biodiversidade polar eram tão ricas que a editora lançou o desafio e em oito meses o livro foi publicado.

As irmãs viajaram com o pai, o navegador Amir Klink, para a Antártica
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As irmãs viajaram com o pai, o navegador Amir Klink, para a Antártica

“Nós não esperávamos dar tantos autógrafos e vimos que muitas pessoas se interessaram pela Antártica e passaram a se preocupar mais com o meio ambiente”, conta empolgada Tamara. Mas, além do sucesso literário, o que mais marcou as garotas foi o amadurecimento. “Depois de uma viagem dessas, você passa a ter uma visão diferente do mundo e a respeitar mais as pessoas e os animais”, relata Laura.

O que mais preocupou as meninas foi o conteúdo que estavam passando para as pessoas. “Era tudo tão exótico e sabemos que uma viagem como essa é um sonho que poucos podem realizar, então queríamos que o livro as transportassem para o sonho”, afirma Laura. Com tanta dedicação, as desbravadoras mirins inspiraram os amigos da escola. “Muitos reagiram admirados, mas o melhor foi ouvir os que disseram que também queriam escrever um livro”, conta Tamara.

Jonas, ao lado do pai, na Bienal do livro: inseguranças normais à adolescência
Arquivo pessoal
Jonas, ao lado do pai, na Bienal do livro: inseguranças normais à adolescência
Assim também é para o jovem Jonas Worcman de Matos que aos sete anos já fazia poemas sobre futebol. “Meu pai transformou meus poemas em um pequeno livro que foi entregue como lembrancinha no meu aniversário”, conta o garoto. Também filho de escritor, Jonas lançou o primeiro livro aos 13 anos. “’A casa do Franquis tem’ foi ideia do meu pai, que me pediu para fazer brincadeiras sobre monstros”. Os dois fizeram a obra juntos e ficaram empolgados com o retorno do público. Depois do sucesso, o tema escolhido foi o futebol. “Sinto muito prazer em jogar futebol, é uma das coisas que eu mais faço”, relata Jonas. Dessa paixão, pai e filho lançaram “Show de Bola”, conjunto de poesias publicado pela editora FTD. “Misturamos nossas ideias, um ajudou o outro, leu, releu, gostou, não gostou, discutiu, resmungou, sorriu, vibrou”, contam eles.

O pai, José Santos, começou a escrever cedo também. Aos 16 anos, fez sua primeira publicação e hoje é autor de mais de dez livros. “Sempre incentivei meus filhos a ler, então em casa vivemos em um ambiente muito literário. Até o caçula, Miguel, já está se preparando para assinar alguns poemas”.

Mesmo com tanto respaldo, Jonas não conteve as inseguranças comuns da adolescência. “Tive vários medos: que o livro fosse recusado, que não ficasse bom ou que as pessoas não gostassem do que escrevi”. A força de vontade unida ao talento foram maiores. Assim como as meninas da viagem, o garoto tem prazer em escrever e inclui a tarefa em suas horas de lazer. “E também leio muita poesia infantil, para

aprender cada vez mais”. Todos os esforços agora estão com foco no novo projeto, inspirado nos Beatles.”É uma banda que gosto muito e já estamos trabalhando nele. Escrever sobre coisas que eu curto é muito mais divertido e tem mais sentido, além de ficar com qualidade melhor”, explica o rapaz que tem planos de se tornar cineasta e roteirista. Se contar pelas experiências ele já está bem encaminhado.

Quem se diverte com trabalho também são as amigas Giovanna Pezzuto, Joana Fusco, Marcela Magalhães e Estela Baroni. Unidas em torno do projeto de ir à Disneyworld, elas criaram o Pop Camelô, um bazar cheio de peças das mães, avós, tias e delas próprias. Aos nove anos, as meninas convenceram a família que a ideia daria certo e começaram a juntar bijuterias, roupas, malas, caixinhas e tudo mais que pudesse ser comercializado. O resultado foi tão positivo que o projeto vai para a terceira edição. “No começo ficamos receosas, mas agora é muito gratificante ver que elas se envolvem mesmo. Nós incentivamos, ajudamos no transporte e no aluguel do espaço para montar o bazar, mas deixamos as decisões por conta delas”, conta orgulhosa Cris Fusco, mãe de Joana.

Para arrecadar dinheiro para ir à Disney, meninas organizaram um brechó
Arquivo pessoal
Para arrecadar dinheiro para ir à Disney, meninas organizaram um brechó
Joana conta que as meninas brigam entre si, mas o mais importante é que aprendem a trabalhar juntas. “Gostamos de arrumar as peças para vender, o mais complicado é depois do evento, quando temos que desmontar tudo. Dá trabalho, mas vale a pena”, conclui. Ainda mais que a cada bazar elas chegam mais perto de encontrar o Mickey.

Para os pais, o mais importante na experiência não é retorno material dos projetos, mas sim o amadurecimento dos filhos. “As responsabilidades profissionais são diferentes das que existem na escola e, dessa forma, eles estarão mais preparados quando enfrentarem os desafios”, define José Santos.

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