A reação a uma criança pequena usando batom nem sempre é das melhores, mas a maquiagem pode ser uma brincadeira saudável

Suri Cruise: críticas à mãe, a atriz Katie Holmes, por deixar a menina usar batom e salto alto
Reprodução/USMagazine.com
Suri Cruise: críticas à mãe, a atriz Katie Holmes, por deixar a menina usar batom e salto alto
O uso de maquiagem por crianças costuma ser criticado como um movimento de sexualização precoce, mas muitos adultos se esquecem da função lúdica da pintura. Recente sucesso da internet, a garotinha Madison Hohrine, de cinco anos, mostrou em seu canal do Youtube que nem sempre é preciso entrar em pânico quando as crianças pegam nos pincéis.

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Diante da câmera, Madison faz tutoriais de beleza com desenvoltura e copia as técnicas das profissionais – por exemplo, coloca a mãozinha contra o produto apresentado para dar visualização. Na descrição dos vídeos, a mãe avisa que não deixa a menina usar suas maquiagens. Madison apenas finge que está passando base, pela simples brincadeira. Outros produtos já são permitidos à garota, como lápis e gloss.

Madison brincando de se pintar em três momentos: quando a mãe não permite o uso de alguma maquiagem, ela avisa no vídeo
Reprodução
Madison brincando de se pintar em três momentos: quando a mãe não permite o uso de alguma maquiagem, ela avisa no vídeo "minha mãe não me deixa usar"


Para Edimara de Lima, diretora pedagógica da Prima Escola Montessori, brincar com maquiagem pode ter tantos benefícios como qualquer outra atividade criativa, seja para desenvolver um personagem ou apenas para testar cores e texturas. O importante é preservar a característica de brincadeira.

Mãe, posso brincar com seu batom?

Não é comum vermos meninas brincando de casinha? Isto não quer dizer que elas estejam ultrapassando os limites da idade, mas apenas encarnando um personagem. O mesmo vale para a maquiagem. “Se ela está entrando na fantasia, usando a imaginação, é proveitoso. O que não pode é a criança usar maquiagem para ir à escola ou acompanhar a mãe ao supermercado”, diz a diretora.

“Uma coisa é brincar em casa, se maquiar de brincadeira. Outra é a criança sair na rua como se fosse um miniadulto”, concorda a psicóloga e psicopedagoga Alba Weiss, do Rio de Janeiro. Portanto, ter cuidado em deixar a criança usar a maquiagem apenas de maneira lúdica é importante, mesmo quando a brincadeira, de vez em quando, é imitar gente grande. A filha que quer usar maquiagem igual à mãe, por exemplo, deseja sentir como é ser uma pessoa que ela admira. “É natural a criança querer experimentar o que os pais fazem, como usar o salto alto da mãe ou o computador do pai”, afirma Beatriz Sant’Anna, neuropsicóloga do Centro Paulista de Neuropsicologia. “Este movimento não precisa ser impedido”.

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Esse pode, esse não pode

Edimara de Lima sugere negociar o uso da maquiagem da mãe. “É preciso determinar o que a criança pode ou não usar”, diz. Alguns produtos, como certos tipos de sombra, não são saudáveis para a criança. O lugar da maquiagem “de brinquedo” também é importante e reforça o papel da pintura. “Nada de deixar no banheiro, como faria uma adulta. É melhor a criança guardar os seus produtos junto com os brinquedos”, afirma.

Segundo Ingrid Anne, diretora geral do “Camarim da Didi” , empresa especialista em produção de camarim fashion para eventos infantis, o ideal é oferecer às meninas cores leves de esmaltes e batons próprios para a idade, para que elas se enfeitem em dias especiais. “A mãe precisa mostrar para a criança que aquele é um dia diferente, não uma rotina”, afirma. Ingrid lembra a variedade de produtos especialmente desenvolvidos para crianças: “Hoje existe até mesmo acetona antialérgica”.

Se o espírito da sessão de maquiagem é de brincadeira, não há porque temer quando os meninos querem participar. “Para construir sua personalidade, a criança precisa passar por diversas experiências. Muitas vezes, isso significa transitar entre os universos masculino e feminino, independentemente do gênero”, diz Beatriz.

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