Muitas dúvidas ainda rondam a prática do esporte: a idade mínima, por exemplo, não é um consenso entre os médicos

Além do exercício físico, a natação pode ser ótima fonte de divertimento para crianças
Alexandre Carvalho/ Fotoarena
Além do exercício físico, a natação pode ser ótima fonte de divertimento para crianças
A natação é um dos esportes eleitos por muitos pais como o ideal para os seus filhos. Os argumentos para a escolha vão desde a segurança - já que saber nadar é também uma questão de sobrevivência - ao fato de ser uma atividade bastante completa, a medida em que movimenta todos os grupos musculares, desenvolvendo também a capacidade aeróbica e motora das crianças. “Além da parte física, a natação é um esporte que favorece o lúdico, principalmente quando se trabalha em grupo”, afirma Beatriz Perondi, pediatra e médica do esporte do Instituto da Criança, do Hospital das Clínicas.

Idade recomendada
Entretanto, muitos mitos e dúvidas rondam a prática da natação, principalmente na primeira infância. A idade recomendada para o início, por exemplo, já é controversa. Há pediatras que recomendam desde os seis meses e outros acham melhor esperar, pelo menos, até os dois anos de idade, senão mais. “O Felipe teve o aval da pediatra aos 2 anos e meio. . Acho que ele se assustou, não tinha maturidade pra entender a dinâmica das aulas”, afirma a mãe Mariana Waisberg.

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Já a pequena Luiza, de 3 anos, começou a fazer aulas junto com os pais e em menos de quatro meses já estava na piscina apenas na companhia do professor. “O pediatra sempre estimulou a prática da natação. Resolvemos esperar um pouco para que ela tivesse mais autonomia e segurança. Mas ela nunca teve medo, sempre gostou e aproveita ao máximo o tempo que tem na piscina”, conta o pai Emerson Nishitani.

De modo geral, é entre 3 e 4 anos de idade que a criança vai obter um rendimento maior na natação. “Antes disso, a prática pode até ser recomendada mais como uma brincadeira, um momento prazeroso, inclusive entre pais e filhos. A criança muito pequena não entende o perigo da água, por isso é preciso ter cuidado para que ela não fique traumatizada”, constata Eliane Alfani, pneumonolista e pediatra do Hospital São Luiz.

Felipe fez aulas de natação quando tinha pouco mais de dois anos, mas não chegou a completar um mês. Hoje, com quase quatro, a mãe diz que ele aproveita bem mais
Alexandre Carvalho/Fotoarena
Felipe fez aulas de natação quando tinha pouco mais de dois anos, mas não chegou a completar um mês. Hoje, com quase quatro, a mãe diz que ele aproveita bem mais
Aptidões e vontades
A partir do momento em que a criança anda, é fundamental que ela se exercite, ainda que seja de maneira lúdica. Correr e brincar é essencial para um desenvolvimento físico e emocional saudável. Portanto, a escolha da natação como atividade física deve considerar as aptidões e vontade da criança. “Eu até insisti, mas a pediatra foi categórica. Pediu para eu não forçar o Felipe. Foi a melhor coisa que eu fiz. Ele voltou a fazer aulas no final do ano passado. Hoje ele está com quase qautro anos e se sente bem mais seguro e à vontade na água. Agora ele compreende a rotina, faz imersões, fica na horizontal”, diz Mariana, que também é mãe de Manuela, com quase 2 anos. “Agora eu aprendi. A Manu não vai tão cedo para a natação”, complementa.

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Assim como a maioria dos esportes, nadar não tem contra-indicações desde que cada caso, ou seja, cada criança, seja analisada isoladamente. “Cada criança é de um jeito e tem um histórico clínico diferente. Crianças com quadros alérgicos de pele - dermatite atópica - ou que apresentem problemas frequentes de infecção no ouvido – otites - devem ser muito bem orientadas antes de iniciarem a prática. Às vezes é preciso prorrogar a iniciação para que não seja mais prejudicial do que saudável”, diz Paulo Telles, médico pediatra do Hospital Albert Einstein.

O mesmo alerta vale para quem encara o esporte como salvação para crianças asmáticas e com crises de bronquites. “A natação não cura nada, nem asma, nem outras alergias respiratórias. Funciona muito bem como um complemento, pois desenvolve a caixa toráxica, o padrão respiratório e pode diminuir o sofrimento das crises. Mas não é tratamento”, frisa a pneumologista Eliane Alfani.

Piscina com pé direito
Segundo os pediatras, atentar para o tratamento da água da piscina em que a criança nada é essencial. Uma pequena porcentagem de cloro sempre existe e é obrigatória pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em todas as piscinas de uso coletivo. Mas hoje muitas são salinizadas ou tratadas com ozônio, o que reduz consideravelmente a quantidade de cloro, que pode induzir alergias de pele, olhos e narinas, minimizando incomôdos frequentes nos pequenos nadadores.“Uma piscina com pé direito alto é mais recomendável, pois assim o cloro evaporado fica mais longe da respiração da criança”, enfatiza a pneumologista, lembrando que algumas crianças têm sensibilidade ao cloro e podem até ter piora nas crises alérgicas.

Os pais também podem colaborar. “Dar banho após as aulas com sabonete neutro, para tirar o cloro, e logo após passar um hidratante ajuda a não ressecar a pele. Lavar o nariz com soro fisiológico depois da aula previne crises de rinite e outros incômodos nas narina .Secar bem os ouvidos com a toalha - sem cotonete - ajuda a não infeccionar os ouvidos. Andar sempre de chinelo evita infecções por fungos. Essas pequenas ações garantem uma vivência mais saudável para todos”, sugere a pediatra Beatriz Perondi.

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