Cigarro consumido por pais deixa organismo dos filhos doentes, diz estudo

A imagem do menino de 2 anos , morador da Indonésia – veiculada desde a semana passada na imprensa mundial – choca por exibir um bebê ainda de fraldas que diariamente traga 40 cigarros por dia (fornecidos pela sua mãe). As pesquisas brasileiras mostram que os pais não precisam ensinar o filho a fumar para que a criança tenha pulmão típico de fumante.

Crianças expostas à fumaça do cigarro apresentam mais problemas de saúde
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Crianças expostas à fumaça do cigarro apresentam mais problemas de saúde
Nas vésperas do Dia Mundial Sem Tabaco, comemorado no mundo todo no próximo dia 31, os pesquisadores alertam que basta conviver em ambientes “frequentados” pela fumaça do tabaco para as meninas e os meninos terem o sistema respiratório e cardíaco comprometidos.

O garoto indonésio Ardi Rizal recebeu do pai o primeiro cigarro aos 18 meses de idade e, de lá para cá, só aumentou as doses consumidas. Ao jornal inglês Mail, a mãe do menino informou que se ele não fuma mostra sinais claros de abstinência, como nervosismo, choro e ainda se joga para bater a cabeça no chão.

Ainda não há nenhum ensaio científico que comprove a “dependência” de cigarro por meio do fumo passivo, mas as publicações já endossaram que as crianças que convivem de forma muito próxima à fumaça do tabaco, de fato, fumam por tabela.

No Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP), foi analisada com exames laboratoriais a urina de 78 crianças – entre zero e 5 anos. Uma em cada cinco apresentou concentração de nicotina no material colhido, o que indica nível pesado de fumo passivo. Um dos meninos tinha índice 50 vezes superior ao esperado, semelhante ao de um adulto que fuma quatro cigarros diariamente.

O trabalho foi conduzido pelo pneumologista Jorge Lotufo que também entrevistou mil crianças de escolas paulistanas e constatou que mais da metade delas (51%) podia ser enquadrada na categoria “fumante passivo”.

"Apresentar nicotina na urina é muito grave, precisa de um contato muito próximo com a fumaça do tabaco para ter essa reação no organismo. É uma exposição extrema", afirma Lotufo.

O diretor de cirurgia pulmonar do Hospital A.C Camargo, Jefferson Luiz Gross, diz que crianças que convivem com pais fumantes são mais internadas por problemas pulmonares e que não adianta tentar tapar o sol como a peneira.

“Ainda que os pais fumem na varanda do apartamento ou no quintal de casa, os filhos ficam expostos aos malefícios da fumaça. O mesmo vale para os adultos que fumam dentro do carro, ainda que com a janela aberta”, pondera o especialista.

Dados nacionais

Não apenas as crianças estão expostas aos danos da fumaça expelida por quem fuma, como os adultos também. Em estudo divulgado no ano passado, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) contabilizou sete mortes diárias creditadas ao fumo passivo – envolvendo casos de câncer pulmonar, boca e outros tipos de tumores malignos.

O Ministério da Saúde também informa que as mulheres têm risco acrescido em 35% de morte cardiovascular quando convivem com pessoas que fumam. A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica o fumo por tabela a terceira principal causa de morte evitável, atrás apenas do tabagismo propriamente e do uso de álcool.

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