Diagnóstico da concussão é difícil e pais devem ficar atentos aos sinais que indicam o problema

Uso de capacete na prática de esportes é fundamental: nem todos os exames detectam a concussão
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Uso de capacete na prática de esportes é fundamental: nem todos os exames detectam a concussão
Seu filho sofre uma pancada durante uma partida de futebol. Ele logo se levanta, cambaleando um pouco, com aspecto pouco atento ao que está acontecendo a seu redor. Um colega de equipe mais preocupado tenta convencê-lo de que não foi grave, mas você pode ler pelas entrelinhas que seu filho está tento dificuldades em entender o que estão lhe dizendo e parece lerdo, atordoado e confuso.

É provável que seu filho tenha sofrido uma concussão. E se os pais e treinadores não souberem reconhecer os sinais e não procurarem tratamento imediato, isso pode aumentar o risco de lesão cerebral, com consequências para toda a vida.

“Uma concussão não diagnosticada pode aumentar o risco de uma nova lesão”, explicou o médico Paul Cubanich, especialista em ortopedia do Center for Sports Health e do departamento de cirurgia ortopédica da Cleveland Clinic. “Sabemos que lesões cerebrais repetidas podem levar a alterações crônicas no cérebro. Atletas que voltam a jogar antes de uma recuperação completa correm risco de desenvolver sintomas mais graves e lesões mais prolongadas”.

A concussão ocorre quando o cérebro recebe um impacto forte e é jogado contra as paredes do crânio. O cérebro é amortecido contra traumas menores na cabeça – como uma batidinha leve – pelo líquido da coluna vertebral que o circunda dentro do crânio. Mas um impacto mais forte na verdade pode fazer o cérebro esmagar-se contra a ossatura craniana – causando hematomas ao cérebro, rompimento de vasos sanguíneos e danos nevrálgicos.

De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), as crianças e adolescentes, ainda em fase de crescimento, estão mais propensos a sofrer uma concussão. A recuperação para os jovens também é mais lenta.

Segundo estimativas do CDC, a cada ano, ambulatórios norte-americanos atendem 135 mil jovens, entre os 5 e os 18 anos de idade, que sofreram lesões cerebrais traumáticas ocasionadas por atividades esportivas ou recreativas. A maioria dessas lesões é causada por concussões.

Não pense, porém, que tais concussões são causadas unicamente por esportes de contato. Lesões no futebol e no basquete são bastante comuns, mas o CDC relata que outras atividades, como o ciclismo e as brincadeiras de recreio, também estão associadas a traumatismos cerebrais.

Mesmo a prática das cheerleaders – líderes de torcidas, comuns em eventos esportivos nos Estados Unidos – com seus movimentos acrobáticos, tornou-se uma causa crescente de concussão. “Já vi várias dessas meninas sofrerem uma concussão porque alguém não as segurou durante um malabarismo, ou ainda por um passo em falso durante uma pirueta”, disse Robert Agee Jr., médico esportivo do Lemak Sports Medicine & Orthopedics da cidade de Birminghan, estado do Alabama, e porta-voz do Centro Nacional de Segurança no Esporte.

Uma concussão pode ser de difícil diagnóstico. A mesma não apresenta sinais externos e os sintomas, que muitas vezes são imediatos, também podem demorar dias para se manifestar. Agee diz que mesmo os médicos têm dificuldades para detectá-las, já que exames cerebrais comuns, como ressonâncias magnéticas e ultra-sonografias, não conseguem detectá-las com um alto grau de certeza. “Não é possível ver, ou sentir, a concussão. Só sabemos que ela existe através dos sintomas e da forma como o cérebro do paciente está processando informações”.

Quando uma criança sofre um choque intenso na cabeça durante atividades esportivas ou recreativas, seus pais devem estar atentos aos sintomas de concussão. Por exemplo, pode ter ocorrido uma concussão caso a criança:

- Pareça estar tonta ou atordoada
- Mova-se de forma desengonçada e tenha problemas de equilíbrio
- Perca a consciência, mesmo que por alguns instantes
- Pareça confusa sobre onde está e o que está fazendo
- Tenha dificuldades em lembrar-se de fatos ocorridos antes ou depois da pancada
- Apresente comportamento estranho ou fora de seu padrão
- Queixe-se de dor de cabeça
- Tenha náuseas ou vômito
- Fique sensível ao barulho e à luz
- Relate visão dupla ou embaralhada

Especialistas afirmam que qualquer um dos sinais acima deve ser causa de preocupação e os pais e treinadores devem buscar auxílio médico imediato para a criança. Uma criança diagnosticada com concussão precisa ficar longe de atividades esportivas pelo tempo necessário para a recuperação do cérebro. Pesquisas constataram que quando o cérebro está se recuperando de uma concussão ele se torna suscetível a outras lesões no caso de um novo golpe.

“O cérebro já está comprometido com o primeiro golpe, já está vulnerável, e a criança que logo retoma as atividades está suscetível a sofrer outra concussão com um trauma mínimo”, disse Agee. Os dois médicos concordam que um cérebro que passa por sucessivas concussões está em crescente risco de sofrer perda de memória, problemas cognitivos, dores de cabeça crônicas, epilepsia e até Mal de Alzheimer.

Para ajudar a proteger as crianças, certifique-se de que elas usem equipamentos de segurança apropriado aos esportes que praticam. Caso seja necessário o uso de capacete, certifique-se de que o mesmo é do tamanho correto para a criança e que seja usado de forma adequada. Por exemplo, no caso do capacete ter uma faixa presa ao pescoço, a mesma deve ser usada. O treinamento também representa um papel importante na prevenção de concussões. Especialistas da área de saúde concordam que os treinadores devem ensinar às crianças os fundamentos do jogo. Como disse Agee, as crianças que conheces os movimentos apropriados de uma atividade esportiva estão menos propensas a sofrer uma lesão durante a partida.

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