Rímel, brilho labial, blush e esfoliante fazem parte de linha voltada a faixa etária dos oito aos 12 anos

No fim de janeiro, a rede de supermercados Walmart anunciou, nos Estados Unidos, uma linha de cosméticos dirigida a crianças de oito a 12 anos. A faixa etária, chamada pela mídia norte-americana de “tween”, movimenta cerca de US$ 24 milhões por ano em produtos de beleza, segundo dados de reportagem da rede de TV ABC. De olho neste dinheiro (e nas meninas que adoram pegar a maquiagem das mães), a linha intitulada geoGIRL oferece 69 produtos, de blush e batom a esfoliante e, acredite se quiser, creme antiidade.

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A rede disse à ABC que desenvolveu a linha simplesmente para oferecer aos pais uma opção saudável e segura para as meninas que querem usar maquiagem – segundo eles, os cosméticos são livres de componentes como parabeno, sulfato e outros nocivos à saúde. No entanto, mesmo que o perigo fisiológico seja eliminado, o uso de maquiagem esconde outros riscos.

É o caso do estímulo precoce e excessivo à vaidade. “Não há problema em se maquiar para imitar as mães”, declarou a sexóloga e escritora Logan Levkoff à ABC. “Mas estamos criando uma geração que mede seu valor apenas pela aparência”.

O anúncio da linha causou protestos na web. Blogs, fóruns e comunidades continuam protestando. Os produtos da linha devem chegar aos supermercados no final de fevereiro.

Cuidados com os componentes

No Brasil, há cerca de 4.800 produtos infantis com registro oficial no Ministério da Saúde, que recomenda que as crianças usem somente produtos infantis. A Anvisa, vinculada ao Ministério, é responsável pela certificação e recomenda aos pais que procurem pelo número do registro na embalagem. Ele tem 9 ou 13 dígitos, sempre começando pelo número 2, e vem precedido pelas iniciais MS ou ANVS, ou pelo nome Anvisa.

Mauricio Pupo, professor de Cosmetologia e consultor especializado no desenvolvimento de nutricosméticos, reconhece que é difícil distinguir quais são os componentes perigosos em uma formulação cosmética. Ele sugere que os pais procurem um farmacêutico ou químico de confiança, elaborem uma lista dos componentes a evitar e anotem tudo em um papel, que fica na bolsa para consulta na hora das compras. Outra saída é procurar os produtos infantis certificados como orgânicos. Eles contêm o selo do IBD ou do Ecocert. “As regras para certificação de produtos orgânicos são muito rígidas e os componentes nocivos ou sob suspeita de serem nocivos são sempre proibidos”, explica ele.

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