Como lidar com o calor no último trimestre de gravidez

Médicos e mães dão dicas para a gestante que está entrando na reta final encarar melhor os dias de verão

Renata Losso, especial para o iG São Paulo |

Getty Images
Encarar o último trimestre da gravidez em pleno verão: hidratação, exercícios e pequenos truques ajudam a gestante na reta final
Na gestação a temperatura corporal se eleva em aproximadamente meio grau, de acordo com o obstetra Fernando César Oliveira Jr, vice-presidente da Comissão de Gestação de Alto Risco da Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Por isso o calor excessivo pode ser um incômodo e tanto para as grávidas – e é capaz de transformar pequenos desconfortos em imensa perturbação. Com o verão se aproximando, as gestantes no último trimestre sabem que a época pede não só cuidados, mas também ideias para aliviar o inchaço e o cansaço intensificados pelas altas temperaturas.

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Tomar bastante e água e ter cuidados com a alimentação são atitudes essenciais e devem prevalecer no último trimestre de gestação. “Como transpiramos mais no verão, devemos dar uma reforçada na água. Se a mãe estiver desidratada, o bebê também estará”, diz o ginecologista Eduardo Motta, da Unifesp.

Adotar regras de alimentação saudável é outro ponto que não pode ser esquecido. A psicóloga Cristiana Torquato, 35 anos, inicia o terceiro trimestre de gravidez agora e, além de deixar lembretes no computador do trabalho lembrando-a de tomar água a cada hora, trocou os doces e massas calóricas por legumes, verduras e proteínas depois de levar uma bronca do médico.

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“Não é fácil, mas senti que a disposição do meu corpo mudou. Nesse calor, comida calórica e guloseimas em excesso definitivamente não combinam”, afirma. Ela continua com a rotina normal de trabalho, se apoia na ginástica laboral nesta fase da gestação e abusa do ventilador durante a noite enquanto procura por posições confortáveis para dormir.

Arquivo pessoal
Cristiana reelaborou o cardápio e deixa bilhetinhos no computador para não se esquecer da água
Inchaço na mira

A fisioterapeuta Mara Renata Fernandes Pimentel, de 36 anos, teve a primeira filha, Bianca, em dezembro de 2006. “Eu inchei muito e minha perna ficou muito pesada. Tudo ficava mais difícil: de tomar banho a dirigir. Com o barrigão, ainda, o mínimo que você faz já é o máximo que consegue”, conta. O maior volume de sangue e líquido no corpo devido à gravidez, combinado ao calor e ao útero em fase final de desenvolvimento, tornam o inchaço comum. Para Mara, era difícil usar sapatos mais finos. Eles simplesmente não entravam.

O inchaço na gestação é comumente provocado pela compressão do útero de mais de sete meses sobre os vasos que realizam o retorno do sangue das pernas ao coração, prejudicando a circulação. Como os vasos sanguíneos ficam mais dilatados no calor, um problema liga-se ao outro.

O inchaço também pode até tornar-se um sinal de alerta. “Ele é comum no final da gestação, mas é preciso saber se a gestante não está sofrendo também uma elevação da pressão arterial, o que pode ser perigoso”, alerta Fernando. O acompanhamento pré-natal vai observar o risco de pré-eclâmpsia e as gestantes com predisposição a terem varizes devem ter cautela dobrada.

Para evitar o inchaço, Fernando César indica às gestantes alternar entre as posições em pé e sentada durante o dia. E não fique parada durante o trabalho. “É preciso se movimentar a cada hora, no máximo. Isso vale para as que trabalham em pé ou sentadas”, diz. Neste último caso, é também indicado que elas movimentem os pés de tempos em tempos, para cima e para baixo, ativando a circulação.

Se achar que as pernas estão muito inchadas, deixá-las elevadas por um tempo pode melhorar a situação. Se estiver exageradamente incomodada, procurar o próprio médico é a melhor saída.

Meias de manhã

O uso das meias de compressão, principalmente por mulheres com insuficiência venosa ou maior tendência a desenvolver varizes, também é indicado. “Elas são quentes e apertam, mas ajudam no retorno do sangue e aliviam bastante o inchaço”, comenta Fernando César. Se no calor é difícil encará-las, Eduardo Motta recomenda fazer um esforço ao menos pela manhã. “Usá-las só no período da manhã, quando ainda não está tão quente, é melhor do que nada”.

Para a professora associada de Obstetrícia da Faculdade de Medicina da USP e membro da Associação de Obstetrícia e Ginecologia de São Paulo (Sogesp), Rossana Pulcineli, a atividade física e a hidroginástica também podem ser benéficas – claro, quando liberadas pelo próprio médico.

A drenagem linfática também pode ser uma ótima aliada nesta fase. Embora não tenha impacto sobre o inchaço, ela ajuda a melhorar o desconforto. Se nada disso adiantar, o recomendado é ficar majoritariamente de repouso, com as pernas elevadas.

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Arquivo pessoal
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Cuidados com o sol


As gestantes devem ter cuidado no que se refere à exposição solar. “Elas apresentam maior predisposição a terem manchas na pele”, afirma Rossana. Esta foi a maior preocupação da produtora de eventos Carina Toledo Leite, 27 anos quando ficou grávida de Francesco. “No último trimestre eu não estava trabalhando e fui pra praia. Fazia caminhadas de manhã e tomava bastante sol. Era a melhor saída para o cansaço das pernas e o calor, mas tinha que me proteger bem”, comenta.

Para evitar o melasma, aquela mancha de cor café-com-leite também chamada de cloasma gravídico quando ocorre durante a gravidez, a pele precisa de cuidados redobrados. Evite o sol das 10 às 15 horas e use protetor solar com alto fator de proteção. Mas sem exageros: o excesso de protetor solar diminui a absorção de vitamina D, que é gerada pelo Sol e importante para reter o cálcio no organismo.

Eduardo Motta recomenda, portanto, o uso do protetor no rosto e nas extremidades (braços e pernas) durante o período de sol mais forte. O ideal é se expor pouco ao sol, fora dos horários de risco. “Se puder ficar livre do protetor nas primeiras horas da manhã, quando o sol está mais fraco, melhor”.

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