Furo adequado, bico ortodôntico, plástico sem BPA: saiba o que os especialistas recomendam na hora de comprar uma mamadeira

Mamadeira: escolher bem é fundamental
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Mamadeira: escolher bem é fundamental
O uso da mamadeira não é recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria. A lista de motivos é enorme: ela pode afetar a arcada dentária, succão, respiração, prejudicar o vínculo da mãe com o bebê, gerar um possível aumento na incidência de candidíase oral e de parasitoses intestinais, entre outros problemas. Porém, na prática, muitas mulheres fazem uso da mamadeira porque precisam voltar ao trabalho. Neste caso, é bom saber como escolher bem o produto.

Com tantas opções no mercado, a fonoaudióloga Zelita Caldeira Guedes, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que o mais importante é o tamanho do furo do bico da mamadeira. “É necessário que ele seja pequeno; se for muito grande, o fluxo do líquido sai muito rápido e o bebê pode engasgar”, explica.

De acordo com o pediatra Clécio Pereira Barbieri, do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, as boas marcas de mamadeira oferecem bicos com três tamanhos de furos, um bem fininho para água, outro mediano para o leite, e um maior para possíveis misturas mais engrossadas, como leite e frutas. “O tamanho do bico deve ser escolhido de acordo com a idade da criança, com o nº 1 para bebês de zero a seis meses e o nº 2 para seis meses em diante”, afirma.

A norte-americana Donna Dowling, professora adjunta de enfermagem da Universidade Case Western Reserve, em Ohio, nos Estados Unidos, e especialista no assunto, indica também que há a possibilidade dos bebês se comportarem de maneira diferente na alimentação com a mamadeira. “Alguns são mais lentos e outros mais rápidos”, afirma. Por isso, é importante notar se o bico da mamadeira está funcionando bem para o seu filho.

É importante ressaltar que a Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza o aleitamento materno exclusivo por pelo menos seis meses, exceto quando a mãe esteja impossibilitada de realizar a tarefa. Para Guedes, os motivos são vários, desde o contato com a mãe até a força que o bebê realiza na hora da amamentação. “Esta sucção que ele realiza é única, e já prepara a musculatura dos lábios, da língua e da bochecha para a segunda fase, que é a da mastigação, e aí ele é preparado para a fase da fala”, revela.

Bico ortodôntico

Outro aspecto que, segundo Barbieri, deve ser levado em consideração é que a mamadeira tenha um bico ortodôntico. “Logo que o bebê retira a boca do seio da mãe, é possível reparar que o mamilo fica mais achatado, e é este o formato que ele fica dentro da boca da criança”, explica o especialista. Segundo ele, este formato facilita o movimento da língua do bebê. Para o pediatra e neonatologista do Hospital e Matrenidade São Luiz, Ricardo Simões Morando, este bico causa menos problemas para a arcada dentária.

Existem também algumas mamadeiras com uma válvula que impossibilita a ingestão de ar para não ocasionar cólicas, por exemplo. No entanto, para Guedes, notar que o líquido está preenchendo o bico inteiro da mamadeira e não há bolhas de ar, já é o bastante. Segundo Morando, o importante é evitar que a criança degluta este ar, evitando mal-estar. “A grande maioria dos bebês já tem cólica por uma série de fatores, se engolirem ar, a situação pode piorar”, diz. Os especialistas ainda sugerem que o bico da mamadeira seja de silicone, por ser mais higiênico que o látex e seja testado pelo Inmetro.

Quando deixar a mamadeira de lado

Mesmo que a mamadeira apresente maior praticidade para a família, não é indicado que o seu uso ultrapasse um ano e meio de idade, muito menos seja utilizada após os três anos. “Assim que ela tiver condições de usar o copo, a mamadeira deve ser tirada”, diz Guedes. Segundo ela, hoje em dia há uma série de copos especiais que ajudam nesta passagem, da sucção para a absorção direta do líquido. Segundo Morando, a partir dos três anos o uso passa a ser extremamente prejudicial para a arcada dentária.

Mamadeiras de plástico podem fazer mal à saúde?

Países como a Dinamarca e a França recentemente proibiram a utilização do Bisfenol A (BPA), substância utilizada em algumas embalagens de plástico, em produtos criados para crianças de zero a três anos, como as mamadeiras. Usado para deixar o plástico mais resistente, o composto químico pode migrar do plástico para a comida quando aquecido e há suspeitas de que a ingestão do BPA pode colaborar para o desenvolvimento de problemas cardíacos e de células cancerígenas, entre outros.

Por enquanto, os estudos, como o realizado pelo Instituto Nacional de Alimentos da Dinamarca, não foram concluídos e ainda não há certeza de que a substância é prejudicial à saúde. No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) considera o uso de 0,6 mg de BPA para cada quilo de plástico inofensivo.

Já nos Estados Unidos, a FDA (Food and Drug Administration), órgão que administra os alimentos e remédios no país está estudando os possíveis males , mas nada foi confirmado ainda. Para Morando, procurar uma mamadeira livre da substância é recomendável. “No Canadá e em alguns estados norte-americanos, a fabricação já é proibida, então já indico mamadeiras sem o BPA”, explica. Segundo ele, há empresas confeccionando mamadeiras livres da substância. O BPA é identificado pelo número 7 dentro do símbolo de reciclagem no fundo da embalagem.

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