Quando chega o fim do ano letivo, pais saem à procura de uma nova escola. Mas é preciso estar atento ao que elas apresentam

Stella Almeida Rosa e a filha, Verônica Silva Rosa: na adolescência, opinião dos filhos deve pesar na decisão dos pais
Fabio Guinalz/Fotoarena
Stella Almeida Rosa e a filha, Verônica Silva Rosa: na adolescência, opinião dos filhos deve pesar na decisão dos pais
Quando os pais já começam a tirar de letra todas as orientações que o pediatra dá para o bom desenvolvimento das crianças, ainda mal sabem das angústias que passarão para fazerem as melhores opções por elas. Uma delas poderá surgir na hora de escolher uma escola para os anos de Ensino Fundamental ou Médio. Independentemente da série que seu filho iniciará, cercar-se de todas as informações possíveis sobre as escolas pretendidas se torna necessário: e de acordo com a Presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), Quézia Bombonatto, saber claramente o que se espera de uma escola para assim começar a visitá-las é um dos primeiros passos a serem tomados.

Mas quais são as primeiras razões para querer ver de perto algumas escolas em específico? Segundo a especialista, a proximidade ao lugar em que a criança mora deve ser um dos fatores de escolha, independentemente do meio de transporte que ela utilizará todos os dias para ir à escola. “É importante que seja perto, principalmente em cidades grandes, para que a criança não fique estressada”, ressalta.

Depois disso, ela afirma que levar em consideração o perfil e as necessidades que o filho possui pode responder as principais questões a serem feitas: “Se essa criança se dispersa facilmente, ela precisaria de uma classe com poucos alunos. Agora se ela precisa ampliar o círculo social, ela precisa ter a possibilidade de conviver com mais crianças”.

No entanto, no início do Ensino Fundamental, os pais deverão também entrar em um consenso – entre si e com a escola – sobre qual educação querem para o filho entre diversas opções: mais humana, mais exata, que seja mais ou menos competitiva, que amplie o universo cultural, entre outras características. De acordo com Gisela Wajskop, socióloga especialista em educação e Presidente do Instituto Singularidades , não adianta ir atrás da escola que está sendo mais bem falada – mas que é mais voltada para as questões humanas – se o maior objetivo dos pais é que, no futuro, o filho passe no vestibular daquela faculdade que é mais difícil de entrar. “Não será a principal proposta da escola”, diz.

Para saber se a escola está comprometida com os mesmos valores que os pais requerem, somente uma visita a ela – de preferência em dia de aula – poderá responder. “Existem escolas que fazem discursos sobre sustentabilidade, por exemplo, mas não vendem uma cenoura na cantina”, revela Wajskop. Por isso, ver se aquilo que é dito pelos orientadores está de acordo com o que é vivido na escola é essencial. Ali, além de questionar como se dá o vínculo com a família e como a criança será acompanhada se tiver dificuldade, para os alunos do Ensino Fundamental é preciso saber o que os espaços de lazer proporcionam aos pequenos.

Meu filho estará em boas mãos?

“Se a criança estiver indo para a 1ª série do Fundamental ela precisa desenvolver as habilidades psicomotoras com a ajuda de um tanque de areia, por exemplo”, revela Bombonatto. Ainda, de acordo com Raquel Caruso, psicopedagoga e coordenadora da Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico (EDAC), os pequenos devem ter horários diferentes dos alunos mais velhos para o recreio e outras atividades nestes espaços comuns: “As brincadeiras e conversas são diferentes, e um aluno maior pode acabar derrubando um menor sem querer”.

De acordo com Wajskop, a junção dos alunos de todas as séries nestes espaços revela um dos maiores problemas das escolas públicas por, consequentemente, os menores ficarem propícios a se tornarem  vítimas de bullying pelos maiores . Por isso, além de ser melhor proteger os mais novos de situações de violência física ou verbal, os pais devem questionar a escola sobre o que é feito para prevenir o problema ou resolvê-lo. “Existem escolas que fazem palestras sobre bullying para as crianças, mas o importante mesmo se eles estão atentos ao bullying e se dão ouvidos às crianças nestes casos”, revela a especialista.

Além disso, procurar saber mais sobre os professores, que estarão em contato direto com as crianças e adolescentes, pode deixar os pais mais tranqüilos. “É importante entender qual é o currículo e a forma de trabalho da escola e, de preferência, comparar com o que o MEC exige pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional ”, afirma Wajskop. Com isso, saber se a escola possui um programa de valorização do corpo docente também é de interesse dos pais. Segundo Bombonatto, se existe um rodízio muito grande dos professores alguma coisa não está bem: “É preciso perguntar qual o quadro de professores e quanto tempo eles irão atuar ali”.


Escolha com o adolescente

Na busca pela escola ideal para o Ensino Médio, o adolescente também terá bastante responsabilidade pela escolha. “É preciso dar opções para ele para que todos possam entrar em acordo com a realidade da família”, afirma Caruso. Foi assim que fez a musicista Stella Almeida Rosa, de 47 anos. Com a filha Verônica, de 14 anos, prestes a entrar no 1º colegial, foi preciso escolher uma nova escola – já que a atual só ia até a 8ª série. “Vimos três escolas diferentes que gostávamos e a opção dela foi de acordo com a maior afinidade com a linha e os outros alunos que ali estudam”, conta.

Segundo Stella, Verônica se interessa muito mais pela área de Humanas do que Exatas, e a escola escolhida é mais voltada para este aspecto da educação: “Eles valorizam bastante a diversidade, a cultura, e ela se identificou bastante com a vivência promovida pela escola”. Além disso, as outras duas opções não batiam completamente com os interesses de Verônica: uma das escolas valorizava muito a concorrência e tinha classes separadas por piores e melhores notas, e a outra tinha muitos dias de aula em período integral, o que ia contra as atividades que a estudante gosta de fazer fora do horário de aula, como teatro e música.

Um dos critérios normalmente utilizado pelos pais nesta fase da vida dos filhos é a nota da escola no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), mas segundo Bombonatto, é algo que não deve ser levado como um parâmetro: “Se uma escola estiver muito abaixo da média do exame, os pais podem perguntar o que está sendo feito para mudar isso, mas é preciso saber que o Enem é circunstancial e não deve ser um direcionador”. E não o foi para Stella.

Segundo ela, a escola escolhida não possui uma nota tão alta no ranking, mas ao questionar a escola sobre o assunto descobriu que os alunos não são obrigados a participarem. “É uma escola de formação mais humana que se preocupa sim com o vestibular, mas não coloca isso em primeiro lugar”, revela. Porém, há uma única desvantagem para Verônica: é mais longe de onde ela vive com os pais do que as outras duas escolas. “Agora ela terá que acordar mais cedo, mas ela fez essa opção e agora vai encarar”, diz a mãe.

As especialistas apontaram também alguns outros fatores que os pais devem considerar na hora de conversar com os orientadores da escola. Saber quais são os métodos de aprendizagem, como as crianças são avaliadas, o que será aprendido naquele ano, se há preocupação no trabalho em grupo, como as diferenças entre os alunos são trabalhadas, se existem atividades extracurriculares, se os alunos entram em contato com computadores e outros idiomas e se existe uma supervisão dos alunos na hora do recreio. “Os pais devem se cercar de todas as informações a respeito da escola e o que pode ajudar muito nesta hora é entrar em contato com outros pais”, revela Bombonatto.

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