Você aplica o protetor solar em seu filho corretamente? E o que fazer se os cabelos dele ficarem verdes na piscina? Saiba tudo aqui

O verão acaba de chegar e o primeiro item a se tirar da gaveta é o filtro solar recomendado pelo pediatra. Engana-se quem acha que o produto é para uso exclusivo na praia e na piscina. “O ideal é passá-lo nas crianças assim que saírem da cama, como se fosse hidratante”, diz a dermatologista pediátrica Nádia Oliveira, do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, e reaplicá-lo a cada três horas, no máximo. Os pais podem aplicar o produto até no couro cabeludo da criança, para evitar o ardor na cabeça.

Chapéus na praia e protetor solar mesmo longe do mar: proteja seu filho do sol
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Chapéus na praia e protetor solar mesmo longe do mar: proteja seu filho do sol

Mas só o filtro solar não basta. Para o pediatra Marcelo Reibscheid, do Hospital e Maternidade São Luiz e criador do Portal Pediatria em Foco, o uso de bonés e chapéus é tão importante quanto repetir a aplicação do protetor toda vez que a criança sai da água. Os acessórios também servem como protetor não só da pele, mas também dos cabelos, evitando que fiquem muito danificados.

Lavar bem a cabeça da criança com xampu neutro logo após a ida à praia ou piscina também ajuda. “É preciso cuidar da higiene pós-Sol, para tirar o cloro ou resíduos do mar do corpo e dos cabelos”. Se a criança for passar um dia inteiro entre água e areia, um banho na hora do almoço e outro ao final da tarde é o mais indicado.

Bebês de até um ano só devem ir à praia nos horários adequados, por pouco tempo e protegidos com roupinhas leves
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Bebês de até um ano só devem ir à praia nos horários adequados, por pouco tempo e protegidos com roupinhas leves
O sol e o bebê

Com crianças de menos de um ano, todo cuidado é pouco. “Eu não libero os pais para levarem as crianças com menos de um ano para a praia ou piscina. Se eles forem mesmo assim, é importante deixá-las até mesmo com roupa”, diz o pediatra. A dermatologista Alessandra Haddad, da Unifesp, não recomenda o uso de filtro solar em crianças de menos de seis meses.

Proteger a pele das crianças com uma camiseta mais larguinha é ideal, e os pais devem se ater aos horários em que o sol está mais fraco. “Somente entre oito e dez da manhã, ou depois das quatro da tarde”, alerta Reibscheid.

O bebê não deve passar mais do que 20 minutos ao sol. Como não é recomendado o uso do protetor, os pais devem abusar do guarda-sol e deixar a criança bem hidratada.

Insolação: cuidado

Se a criança volta para casa ardida de sol, não adianta passar pasta de dente para ver se melhora. “Se a criança ficar ardidinha, os pais podem passar compressas de soro fisiológico ou de água fria”, ensina Nádia. A dermatologista Alessandra Haddad, da Unifesp, comenta que um banho com chá de camomila também pode ajudar.

No entanto, de acordo com Reibscheid, os pais devem estar sempre atentos a sinais de desidratação. “Se ela ficar avermelhada, dolorida, sonolenta e até vomitar, é preciso deixá-la descansar e usar alguma loção calmante para a pele”. Se os sintomas forem mais fortes e preocupantes, um médico deve ser procurado.

Alergias de verão

A areia da praia ou a água tratada quimicamente da piscina são ótimos gatilhos de alergia para crianças. Se houver reação alérgica, Nádia de Oliveira indica aos pais tirar os resíduos da pele infantil com água doce – sem sabão, somente água.

Produtos químicos usados na piscina podem desencadear alergias
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Produtos químicos usados na piscina podem desencadear alergias
É importante procurar praias limpas, sem animais ou lixo ao redor. Se a dermatite não passar, buscar um médico é a melhor solução.

Às crianças maiores, o uso moderado de repelentes pode ser preciso para evitar picadas. Para as alérgicas, os repelentes à base de citronela podem ajudar.

Secar os pezinhos assim que voltarem para casa é importante, para evitar o aparecimento de frieiras. “A umidade prolongada é um vilão nestes casos”, afirma Alessandra Haddad.

Cabelos maltratados

Muitas crianças ficam com os cabelos verdes após passar alguns dias na piscina. Segundo Reibscheid, não há com o que se preocupar. “A água da piscina tem componentes químicos que podem deixar o cabelo verde, sim, mas se os pais fizerem a higiene bem feita assim que a criança chegar em casa, o verde sai”. Se não no primeiro dia, pouco tempo depois os cabelos da criança já voltarão ao normal.

A cabeleireira Aline Teixeira, do salão infantil Fashion Mix, no Rio de Janeiro, concorda com Reibscheid. “É comum acontecer, mas depois que o cabelo seca, volta ao que era antes”, diz.

Mesmo em seu tom normal, os cabelos infantis podem ficar ressecados. Para crianças acima de cinco anos, a cabeleireira Aline Teixeira, do salão infantil Fashion Mix, no Rio de Janeiro, recomenda o uso de um creme leave-in com FPS (Fator de Proteção Solar) para evitar maiores danos.

Se depois de alguns dias de sol, água e vento os cabelos não resistirem e ficarem mais estragados, ela dá a receita de uma hidratação caseira, feita com iogurte e mel. “É só bater duas colheres de sopa de iogurte com uma colher de mel e passar, mas nunca em excesso”.

Mariana Newlands
Aproveite o verão para brincar com as crianças
Para desembaraçar as mechas ao fim de um dia cheio de diversão ao ar livre, a única solução é paciência. É preciso ter delicadeza e começar com um pente de dentes largos, indo das pontas à raiz. “Os pais podem também usar um condicionador infantil apenas nas pontas para desembaraçar, sem exageros”, comenta.

Mas é preciso ter cautela. Nádia Oliveira comenta que o excesso de condicionador, principalmente usado nas raízes, pode fazer as crianças ficarem com caspa. Segundo Haddad, usar os cabelos presos durante o dia evita complicações – principalmente para as crianças mais vaidosas não caírem no choro ao descobrirem a bagunça que o dia fez com os fios.

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