É possível saber se seu filho está comendo bem, mesmo que você não esteja por perto em todas as refeições

Para manter a boa alimentação das crianças, pais devem estar atentos aos próprios equívocos
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Para manter a boa alimentação das crianças, pais devem estar atentos aos próprios equívocos
Embora a deficiência ou exagero de alguns nutrientes possa gerar diversos problemas à saúde da criança, da anemia à obesidade, nem sempre os pais conseguem se assegurar de tudo que o filho come ou deixa de comer. Mas quando a palavra da criança é a única forma de saber da frequência com que a cenoura ou o suco se apresentam no lanche, há como perceber, por meio de fatores físicos e comportamentais, se ela está com problemas de nutrição.

Embora todos os adultos saibam que uma boa alimentação deve ser equilibrada em carboidratos, gorduras, proteínas, vitaminas, minerais, fibras e água, nem sempre as crianças terão vontade de alimentar-se de acordo com estas necessidades. Mas os pais não precisam arrancar os cabelos. Segundo Evelyn del Carmen Rivera, nutricionista especialista em Nutrição Pediátrica e Escolar, além do peso, que é um fator de grande importância na avaliação do estado nutricional, existem outros quesitos que podem ser avaliados: “Podemos verificar também a altura, a pele, o cabelo, os dentes, a vitalidade, o desempenho escolar e nas atividades físicas – enfim, todo o desenvolvimento”.

Tá na mesa

De acordo com Rivera, que também é autora do livro “Incentivo à alimentação infantil de maneira saudável e divertida” (Editora Metha), a baixa ingestão de frutas ácidas, por exemplo, pode ocasionar mais problemas respiratórios, baixo aproveitamento escolar e até mesmo a anemia. A deficiência de vitamina A, encontrada em alimentos como abóbora, fígado e cenoura, pode causar cegueira noturna, problemas com a pele e cansaço físico. “As consequências da má alimentação interferem diretamente no desenvolvimento físico e mental da criança”, revela.

Segundo Vanessa Liberalesso, presidente do Departamento de Suporte Nutricional da Sociedade Paranaense de Pediatria e médica pediatra do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, sinais dos mais insuspeitos podem indicar a carência de ferro: unhas fracas e quebradiças ou até mesmo a indisposição para brincadeiras. Para corrigir, aposte em carne vermelha e em vegetais como espinafre e agrião, ricos no componente.

À medida que a criança vai crescendo, os pais também devem continuar atentos ao consumo de leite: “Na infância e na adolescência as crianças costumam diminuir este consumo e tomam mais sucos ou refrigerantes, mas como nesta idade elas precisam incorporar cálcio para prevenir a osteoporose na idade adulta, o leite ainda é necessário”.

A especialista ressalta que a carência de proteínas e alguns tipos de gordura podem também afetar o bom funcionamento do cérebro e gerar dificuldades no aprendizado – que também podem ser acarretadas pela deficiência de zinco. No entanto, por outro lado, o nutrólogo e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) Fábio Ancona, também professor da Unifesp, afirma que a carência de micronutrientes como ferro, sódio, potássio, cálcio e minerais precisa ser muito grande para que seja notada por meio de sinais clínicos.

Acompanhamento no presente, sem problemas no futuro?

O que comemos é dividido em micro e macronutrientes, sendo que as calorias provenientes de gorduras e carboidratos e as proteínas provenientes de carnes e alguns vegetais estão no segundo grupo. “O crescimento e o peso da criança depende destes macronutrientes. Observar se ela mantém a velocidade de crescimento constante é a melhor maneira de saber se ela está se alimentando bem”, revela ele. “No entanto, você pode ter uma alimentação deficiente de ferro, de vitamina A ou cálcio, mas para que isso se manifeste é preciso que haja uma carência longa e prolongada”, completa.

Segundo o especialista, os pais devem manter contato regular com o pediatra do filho para saber quais os nutrientes e a quantidade deles que o filho deve ingerir de acordo com a faixa etária. “O mais importante é os pais saberem o que é a alimentação adequada, pois uma criança que apresentar um aspecto visual pela falta de um nutriente já estará com essa deficiência num ponto muito avançado e desenvolvendo uma doença por isso”, afirma. As crianças que não tomam leite, por exemplo, terão sim deficiência de cálcio, mas é um processo longo até que apareçam os sintomas clínicos.

Calma lá

Para manter a alimentação saudável e correta da criança, no entanto, é preciso que os pais também estejam atentos aos próprios equívocos. “Existem muitas mães que acabam se preocupando desnecessariamente quando o filho passa um dia sem comer cenoura, por exemplo; a vitamina A proveniente do alimento é estocada no fígado, então, se ele comer três vezes por semana já está ótimo”, explica Ancona.

Já para Liberalesso, outro momento de angústia dos pais é quando o filho passa dos 15 meses de idade. “A partir daí a velocidade em que a criança cresce diminui, e o apetite dela consequentemente também”, explica. É um processo natural e não adianta nada os pais se desesperarem e começarem a ofertar alimentos sem tanto valor nutritivo, como chocolate e bolacha recheada: “Se a criança estiver ganhando peso de maneira adequada, não é preciso ter medo de ela ficar doente por estar comendo menos”.

Permitir o consumo exagerado de guloseimas e refrigerantes como meio de compensação pela ausência materna ou paterna também é um erro comum entre os pais. “Levar os filhos para comer em fast-foods e ganhar brindes quando chega o final de semana acontece muito quando os pais estão a semana inteira fora, mas fazer um piquenique, por exemplo, é uma alternativa muito mais saudável”, sugere Rivera.

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