Pais devem ajudar os filhos a entender porque estão refazendo o ano letivo e podem cobrar resultados, mas sem “reviver o passado”

Repetir de ano: crianças não devem ser castigadas, mas estimuladas a aprender e cobradas por resultados
Getty Images
Repetir de ano: crianças não devem ser castigadas, mas estimuladas a aprender e cobradas por resultados
“A primeira coisa que os pais devem ter em mente é que repetir de ano não significa incapacidade e, sim, falta de prontidão para a aprendizagem”. É assim que a psicoterapeuta e consultora em gestão de pessoas Arlete Galhardi começa a conversa. Refazer um ano letivo já visto deve ser encarado como aprendizado complementar. E a missão dos pais é ter atitudes diárias que ajudem o filho a entender isso.

A criança ou o jovem não estará feliz na situação em que se encontra – assim como os pais, que se sentem prejudicados pelo fato. Por isso, segundo a psicopedagoga Deborah Ramos, não adianta lembrar e prolongar esta frustração. “A cobrança na dose certa é necessária, mas não trate a repetência como o fim do mundo. Encare com seriedade e com o objetivo de ajudar seu filho a crescer como ser humano”, acrescenta Fernando Elias José, psicólogo e pesquisador de Ciências Cognitivas, especialista em preparação para provas e concursos.

Há algumas maneiras práticas de ajudar seu filho. Confira as dicas dos especialistas para o ano letivo passar sem traumas.

Converse sempre com um objetivo claro. Pergunte ao seu filho qual será a melhor forma de ajudá-lo e auxilie-o a partir de suas necessidades. “O apoio é essencial para um bom começo de ano”, explica Fernando. Então este diálogo servirá para descobrir as dificuldades que o levaram a repetir – e, a partir daí, traçar as estratégias necessárias.

Não aponte o dedo. Não coloque toda a responsabilidade do fracasso em cima do estudante. A atitude pode fazer com que a criança sinta raiva de estudo, escola... Aponte o real motivo da repetência: falta de esforço dela ou fatores externos. Ajude a superar ambos os casos.

Investigue além dos fatos. A dificuldade em aprender pode estar relacionada com problemas emocionais ou se apresenta como sintoma de outras questões maiores. “Verifique se não há um distúrbio de aprendizagem e se não é o caso de procurar ajuda especializada”, aconselha Deborah. Algumas crianças apresentam dificuldades para aprender por causa de problemas de visão, por exemplo.

Cobre com consciência. O aluno que repete merece todo o apoio, carinho e compreensão, mas precisa ter claro que ele deve fazer seu trabalho melhor do que no ano passado. E você deve motivá-lo para que consiga. Estabeleça metas para o ano letivo e se prontifique a ajudá-lo no cumprimento das mesmas. “Encare o novo período com naturalidade para que a criança não se sinta frustrada ou desmotivada”, diz Arlete. Quanto aos trabalhos escolares e boas notas, você deve cobrar sempre, independentemente do estudante ter repetido.

Não fique remoendo o passado. O que passou, passou. Encare o presente e o futuro.

Não castigue. Repetir de ano abala a autoestima e o aluno já se sente castigado desde que soube da reprovação. Neste momento, depois de já ter sido firme, seja companheira. Segundo os especialistas, os repetentes sabem qual é o motivo do fracasso, então você ajudará muito deixando o canal de comunicação aberto.

Incentive a descoberta do novo. O repetente vai sentir falta dos amigos. Ele pode sentir que os colegas evoluíram enquanto ele ficou para trás. “Mas o momento é ótimo para aprender a lidar com perdas e frustrações”, diz Arlete. Portanto, não ceda ao drama e mostre que a oportunidade de aumentar o círculo de amigos é maravilhosa.

Dê atenção especial aos pequenos. “Quanto menor a criança, mais difícil o entendimento da repetência como um processo de melhora da aprendizagem”, esclarece Deborah. Ligue o radar.

Enfatize os benefícios. Deixe claro que a criança que precisa refazer o ano não aprendeu o suficiente no ano que passou. Enfoque nos prós.

Levante a autoestima.
“Afeto e diálogo são fundamentais nessa hora”, enumera Fernando. Só supera um momento ruim quem o enfrenta. E isso vale para pais e filhos que se deparam (e desmistificam) o “monstro” da reprovação escolar.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.