Pesquisa concluiu que o cérebro da mulher passa por reestruturações físicas após o parto, estimulado pela maternidade

O pós-parto acarreta mudanças incomuns no cérebro feminino
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O pós-parto acarreta mudanças incomuns no cérebro feminino
Os cérebros de novas mães ficam maiores alguns meses após o nascimento, de acordo com uma nova pesquisa realizada pela Universidade de Medicina de Yale. Os pesquisadores disseram que este crescimento é abastecido por mudanças nos níveis de certos hormônios logo após o nascimento. Foram encontraradas expansões em áreas do cérebro associadas ao comportamento e à motivação.

Os pesquisadores descobriram também que mães que estavam mais entusiasmadas com seus bebês tiveram mais crescimento em partes chave no centro do cérebro – áreas ligadas à motivação maternal, recompensas e processamento de emoções – do que mães que estavam mais reservadas sobre seus filhos.

As descobertas, de um pequeno estudo publicado na edição de outubro da publicação especializada Behavioral Neuroscience, sugerem que o desejo de uma nova mãe de cuidar do bebê pode ser dirigido menos por instinto e mais por construção cerebral ativa, de acordo com dois neurocientistas que comentaram o estudo.

Coordenado pelo neurocientista Pilyoung Kim, o estudo comparou imagens de ressonância de 19 mulheres realizadas em dois momentos: primeiro, de duas a três semanas após o parto e, depois, de três a quatro meses depois que elas deram à luz. As mulheres tinham em média 33 anos e todas amamentavam. Pelo menos metade tinha um segundo filho e nenhuma delas apresentou depressão pós-parto.

As imagens dos cérebros revelaram pequenos, mas significantes aumentos no volume de massa cinzenta em várias partes do cérebro, incluindo áreas associadas com motivação maternal (hipotálamo), recompensa e processamento emocional (substância negra e amígdala), integração sensorial (lobo parietal), raciocínio e julgamento (córtex prefrontal)

Em adultos, a massa cinzenta não muda de tamanho em um prazo tão curto – questão de meses – sem um aprendizado significante, danos cerebrais ou doença, ou uma mudança grande no meio-ambiente, de acordo com as informações da Associação Americana de Psicologia.

De acordo com os pesquisadores, mudanças hormonais que ocorrem logo após o nascimento, incluindo aumento no estrogênio, oxitocina e prolactina, podem fazer com que os cérebros das novas mães fiquem mais suscetíveis a se transformar, em resposta a seus filhos.

Eles sugerem que mães que sofrem de depressão pós-parto podem experimentar reduções, em vez de crescimento, nessas mesmas áreas do cérebro. Mais pesquisas sobre o que ocorre no cérebro das mães em situação de risco podem levar a novos tratamentos.

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