Subestimada, a doença não tem uma medicação específica e pode levar a complicações graves

Catapora é mais comum nesta época do ano
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Catapora é mais comum nesta época do ano
Nem só de flores vive a primavera. De acordo com médicos e associações médicas, a estação é mais propícia para a transmissão de catapora. No estado de São Paulo números da Secretaria Estadual de Saúde apontam para mais de 10 mil casos da doença desde o começo do ano. Já no Distrito Federal, o surto é mais preocupante: 6 mil casos no mesmo período, 45% a mais do que em 2009.

A catapora é uma doença viral, que se manifesta através de pequenas bolhas cutâneas. “A principal característica da pessoa com catapora é ter várias lesões em estágios diferentes de evolução”, diz o pediatra presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, Eitan Berezin.

O pediatra Sylvio Renan Monteiro, autor do livro “Seu bebê em perguntas e respostas – Do nascimento aos 12 meses” (MG Editores), afirma que a catapora é uma doença que pode ter complicações graves. “O vírus da catapora vai para corrente sanguínea para se reproduzir. Ele tem predileção pela pele, mas pode crescer em outros lugares”, completa.

Tanto o cérebro, quanto os músculos podem ser afetados pelo vírus. Para Berezin, esses tipos de complicações são raras e tendem a ocorrer com mais freqüência quando jovens e adultos adquirem a doença. Já Monteiro é mais cauteloso. “Não é raríssimo o caso de mortes de catapora”, diz.

Os quadros de complicação preocupam os médicos principalmente porque a doença ainda não tem um remédio específico. “Em casos normais, o corpo desenvolve a imunidade depois de sete dias”, explica Monteiro.

Dessa forma, a maneira mais segura de se evitar o contágio da doença é mesmo a vacinação. Em épocas de surto, a vacina – que ainda não é fornecida pelo governo federal - entra em falta nas clínicas e laboratórios particulares. “Não adianta querer vacinar quando tem o surto, tem que vacinar bem antes”, avisa Eitan Berezin.

A vacina é dada em duas doses. A Sociedade Brasileira de Pediatria aconselha que a primeira dose seja dada na criança com um ano de idade, e a segunda dose (de reforço) deve ser aplicada a partir dos quatro anos.

Recomendações

De acordo com Berezin, o uso de talcos e cremes para tratar as vesículas em crianças com catapora é indiferente. Ele explica que tais produtos podem aliviar as coceiras se usados com prudência. “É bom evitar coçar muito”, completa.

Além desta recomendação, Sylvio Monteiro acrescenta que as crianças com a doença devem ficar em repouso e isoladas das outras. “Menospreza-se um pouco a catapora. Mas quem já viu duas crianças morrerem por causa dela recomenda a vacina e que evitem propagá-la”, afirma o pediatra.

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