Matinê animada embala filhos e pais roqueiros com proposta de convivência familiar

Crianças na pista: Maria curte Beatles, Red Hot Chili Peppers e, segundo ela mesma acrescentou, Bob Marley
Laudiane Lira
Crianças na pista: Maria curte Beatles, Red Hot Chili Peppers e, segundo ela mesma acrescentou, Bob Marley
Filhos, fraldas, mamadeiras e muito rock and roll. Você já imaginou que juntar tudo isso poderia ser possível, divertido e nada estressante? O DJ, publicitário e pai Fábio Maia não só imaginou como resolveu por em prática essa ousada mistura criando a festa Baby Boom, uma balada para pais curtirem com os filhos .

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“Eu sempre curti uma festa. Estou nesse meio há 22 anos. Quando meu filho nasceu, pensei que poderia continuar curtindo uma pista de dança, ao som de um bom rock and roll e na companhia da melhor pessoa do mundo para mim: meu próprio filho”, disse. “De todos os projetos que produzi até hoje, foi o que saiu com mais naturalidade”.

No Rio de Janeiro, a festa já está em sua quinta edição. Em São Paulo, a Baby Boom aconteceu pela primeira vez no último domingo, no Centro Cultural Rio Verde, na Vila Madalena, com coprodução do DJ Don KB, também pai de um garoto de 8 anos.

Mesmo com tantos pesares (meio de feriado, festival de rock acontecendo em outra cidade e tempo nublado com direito a uma chuva fininha no começo da noite), pais ávidos por uma boa novidade compareceram com animação nessa primeira matinê – a festa aconteceu das 17h às 22h. E fomos conferir.

Fábio Maia e o filho Téo nas pickups em uma das edições cariocas da Baby Boom
Divulgação
Fábio Maia e o filho Téo nas pickups em uma das edições cariocas da Baby Boom
Primeiras impressões


Além de uma comanda com o seu nome, todos que iam chegando eram brindados com pequenos agradinhos: revistas sobre maternidade, adesivos de grifes de roupas e acessórios, bandanas estampadas com guitarrinhas e caveirinhas. Para os pequenos, um primeiro sinal de que as coisas por ali poderiam mesmo ser divertidas.

O local, rústico e confortável, não remetia a uma balada adulta e tampouco a uma festinha infantil. Com plantas e paredes de tijolos aparentes, a casa logo convidava pais e filhos a explorar os vários ambientes.

Os pequeninos se encantavam pelo quiosque com brinquedos educativos de madeira, fantoches e bonecas de pano. Já os maiorezinhos seguiam curiosos por todos os lugares, descobrindo um aquário aqui, um jabuti (de verdade) ali, uma mesa pequena de sinuca e claro, a divertida e espaçosa pista de dança para correr, pular e dançar.

“Estou achando ótimo ter um lugar para dançar sem ficar neurótica. Dá para a gente ficar de olho de longe e as crianças ficam mais soltas. E outra: não ouvir só música infantil é uma benção”, disse a mãe Ana Vogel enquanto amamentava Maria Fernanda, de 9 meses, sem perder de vista Maria Clara, de 3 anos.

Ana Vogel levou as duas filhas:
Laudiane Lira
Ana Vogel levou as duas filhas: "é ótimo ter um lugar para dançar"
Aliás, se tem uma coisa que jamais acontece nas festas Baby Boom é ceder aos apelos musicais da criançada. “É uma festa de rock, não de música de criança ou de gosto musical de criança. Os maiores até pedem um Justin Bieber ou um Luan Santana de vez em quando, mas não toco e procuro mostrar outros sons bacanas”, falou o DJ Fábio Maia.

Clash, Sex Pistol e Ramones

Sem setlist programado, o DJ Don KB não poupou no volume desde o começo da festa. Clash, Pixies, Sex Pistol e Ramones convidavam pais, mães e seus pequenos a cair na pista à meia luz, sem estrobos, globos ou fumaças, apenas uma iluminação bem aconchegante, tornando possível enxergar tudo e todos sem nenhum esforço. O som, um pouco alto demais para os menorzinhos, fez com que alguns pais tivessem certa dificuldade de permanecer muito tempo na pista.

Mesmo com um bebê de colo, Ana Vogel não lamentou tanto a falta de um fraldário (havia uma salinha com sofás confortáveis), nem de um cardápio mais adequado ao paladar infantil. “Acho que está bom, ninguém veio aqui para ficar comendo ou bebendo. É um programa para sair um pouco do universo da escola dos filhos, ver outras pessoas. Uma boa mistureba a preço justo”, disse a mãe. Para curtir a matinê, adultos desembolsaram R$ 20 e crianças entraram de graça.

“Acho a iniciativa sensacional, principalmente porque aqui as crianças não são meras coadjuvantes”, disse o produtor musical Joaquim Vasconcelos, que estava com a filha Maria, de dois anos e meio e a esposa. Assim como ele, vários pais presentes na festa ficaram sabendo do evento pelas redes sociais. “Fiquei curioso e, como a Maria já curte Beatles, Red Hot e outras bandas de rock, achei que ela ia gostar do programa”, completou. Achou certo: logo que viu o pai sendo entrevistado, Maria subiu em seu colo e disse que, além dessas bandas, também gostava muito de Bob Marley.

Clarissa e Miguel, de dois meses: símbolos da maternidade sem estresse
Laudiane Lira
Clarissa e Miguel, de dois meses: símbolos da maternidade sem estresse
Maternidade relax

Daniela Buono era uma das mães mais animadas na pista. Logo que chegou, correu para a pista de dança e lá permaneceu a maior parte do tempo. “Eu adoro dançar, faço isso todas as manhãs com minhas filhas. Cada dia escolho um ritmo e pulamos e dançamos para dar aquela acordada. Para nós, isso tudo está sendo uma folia deliciosa”, disse Daniela, acompanhada de Maria Clara, 7 anos, Isabel, 4 anos e de um sobrinho de 10 anos. Assim como a mãe, o pequeno trio desinibido fez valer cada música tocada, pulando, dançando e até inventando passos.

Durante a festa, era possível enxergar um retrato animador da maternidade e paternidade exercidos com mais naturalidade e segurança, e menos neuroses e estresse. O casal Clarissa Homsi e Tiago Estrada era um exemplo de pais cada vez mais abertos a novidades que acolhem a família, em vez de isolá-la num universo à parte.

“A maternidade é delicada, principalmente no início. E ficar só em casa é entediante. Eu já saio bastante com meu filho. Vou a grupos de mães que estimulam a amamentação, slingadas, sessões de cinema especiais. Acho ótimo esse imenso repertório de programas que hoje temos para fazer com os bebês. Essa troca é muito importante e nos ajuda a ter mais segurança nos cuidados e na vida familiar”, disse Clarissa, mãe de Miguel, com apenas dois meses.

Apesar da pouca idade, do som alto e da bagunça das outras crianças, em nenhum momento Miguel se irritou, fazendo com que os pais antecipassem a ida para casa. “Ele sai desde os 20 dias de vida. Não somos neuróticos com doenças e coisas do gênero. Achamos que vivenciar o novo, em vários sentidos, só nos dará mais domínio de toda e qualquer situação”, finalizou Tiago.

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