Aulas ensinam a cuidar adequadamente da criança e aumentam a autoestima e a segurança das profissionais

Babás durante aula de capacitação profissional: curso pode garantir melhores salários
Divulgação/Anjo Querubim - João Victor Lopes
Babás durante aula de capacitação profissional: curso pode garantir melhores salários
Será que a babá que você contratou sabe o que desenvolver ao brincar com seu filho? E limpar corretamente os utensílios do bebê? Quando a família opta por delegar a responsabilidade dos cuidados da criança surge o dilema: onde e como encontrar uma boa babá? Com o aumento da demanda, crescem país afora aulas de capacitação que vão de noções de nutrição e primeiros socorros à recreação e convivência familiar. O iG consultou especialistas e elaborou dez dicas úteis na escolha de uma boa babá .

No Rio de Janeiro, diretores de cursos para babás afirmam que é cada vez mais comum as próprias candidatas se inscreverem de olho em conhecimentos específicos capazes de aumentar seus vencimentos no fim do mês. Afinal, uma babá bem preparada tem melhores chances no mercado, com salários entre R$ 1 mil e R$ 3 mil.

Na outra ponta do investimento, os valores dos cursos oscilam entre R$ 250 e R$ 600. Em média, a preparação é feita em cinco módulos – um por semana, geralmente, aos sábados - com quatro horas de duração cada.

As lições são multidisciplinares e as equipes formadas por nutricionistas, pediatras, pedagogos, terapeutas, enfermeiras, psicólogas e até fonoaudiólogos. “Bebês, por exemplo, precisam de uma alimentação diferente a cada fase de vida. É preciso ter uma nutricionista para ensinar como montar um cardápio, limpar alimentos, mamadeiras e afins, e apresentar as refeições à criança, respeitando sempre as orientações da família”, explica Ana Patrícia Leitão, diretora da empresa Anjo Querubim, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio.

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Normalmente, em um curso para babás não há distinção entre aulas para as cuidadoras de recém-nascidos e as responsáveis por crianças maiores. Elas são preparadas para lidar com todas as fases da criança, até a adolescência. “As profissionais também recebem dicas e instruções de segurança, além de noções de ética e postura profissional”, acrescenta Ana.

Curso ajuda, mas pais devem colaborar

Embora os cursos ofereçam aulas de relacionamento interpessoal, os pais devem ajudar. É preciso estar atentos às suas expectativas em relação à profissional, ter disponibilidade de tempo para ensinar os hábitos da casa e os valores que pretendem ensinar à criança.

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“Cada família é um universo particular e diferente. Existe o conhecimento universal no cuidado de uma criança, mas cada caso é um caso”, pondera a terapeuta familiar Maria Cláudia de Alvarenga Costa, coordenadora do curso Baby Brinque, no Jardim Botânico, zona sul do Rio. “Ter uma boa babá também depende da atuação dos pais”, ela diz.

Seja por indicações ou por agências de emprego, é sempre bom tirar todas as dúvidas antes de contratar uma babá. Trocar constantemente de profissional, além de interferir na rotina da casa, pode gerar insegurança na criança.

“Em um ano e 10 meses tive três babás e um monte de rescisões, preocupações e desgastes. Criei um código com minha filha: o nome de todas era ‘Babá’”, relata a comissária Giuliana Guimarães, mãe de Victória, de três anos. “Morria de dúvida se a profissional saberia nebulizar, checar temperatura, dar a comida corretamente. Beirei as raias da loucura”, lembra. Hoje, oito babás depois, Giuliana decidiu capacitar sua faxineira, apostando na afinidade da profissional com a criança.

“Babá não é a segunda mãe, mas é uma substituta. É com ela que a criança vai passar a maior parte dos seus dias e aprender muitas lições. A família precisa perceber a importância de desenvolver uma parceria”, orienta Maria Cláudia.

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Rosângela fez o curso:
Arquivo pessoal
Rosângela fez o curso: "sou mais segura"
Cursos melhoram a autoestima profissional

Cláudia Cristina da Conceição Silva, de 38 anos, fez um curso de babá há 10 anos. “Aprendi muita coisa bacana, como primeiros socorros e recreação. Mas o melhor mesmo foi aprender a ter desenvoltura para conversar com meus patrões”, relata. “Achei essa aula o máximo, porque, às vezes, o convívio é muito difícil. Aprendi a lidar com isso”, afirma.

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Cláudia começou a trabalhar como babá aos 16 anos, e garante que depois do curso seu salário aumentou. “Consegui empregos melhores, sim. Não posso negar. Quando você tem qualificação, a pessoa paga o que você pede”, conta a babá, que atualmente ganha R$ 1 mil para trabalhar como folguista somente aos finais de semana.

Rosângela Maria Teixeira, de 56 anos, também fez curso para babá e acha que a vida mudou. “Aprendi a usar sucatas para fazer brinquedos, a cantar músicas do cancioneiro popular, a buscar o desenvolvimento da criança. Sou mais segura”, afirma ela, que recebe R$ 1.300 e dorme no trabalho. No curso de babá, Rosângela, que é técnica em enfermagem, descobriu que precisava de mais qualificação e, de lá, fez um curso de informática. “O mercado está muito disputado. Quanto mais preparado você estiver, melhor”.

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